5 de agosto de 2013

2 poemas

ressaca moral

 na manhã esverdeada, ele contemplava as donzelas mortas. fantasmas de uma amizade turbulenta, agitada por sonhos destruídos mas ainda ricos em radiotividade. as dívidas não-pagas de amor. os filmes vistos dez vezes. as noites de insônia e sofrimento, uma agulha penetrando sob as unhas de conversas mal digeridas, discussões vazias, qual pesadelos violentíssimos sendo tragados rapidamente, junto ao vinho, junto às savanas secas e famintas do planalto central.

 as discussões de bar entre amigos são a coisa mais linda da vida, e as mais duras. as brincadeiras e as divergências. os erros, os exageros, os cancelamentos de eventos internacionais, as revoluções, os governadores, nada disso, de madrugada, vale um pensamento de amor. mas resistimos, entre desculpas e ressacas, e acreditamos no perdão do pós-guerra, no café, na democracia e no cinema. eu te amo, meu irmão.

6 comentarios

Castor Filho disse...

Graaaaaaaande, Miguel!

Blog do Edu disse...

Belo! Belíssimo!

Blog do Edu disse...

Belo! Belíssimo!

Bia disse...

Nossa maravilhoso! agradeço! Bia

Valdeir Vieira disse...

Adorei seu blog!

http://www.valdeirvieira.com/unique-residencial/

Anônimo disse...

Legal !

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