Em primeiro lugar, os principais especialistas em energia do país concordam que o Brasil precisa construir hidrelétricas e que as energias alternativas, como eólica e solar, não têm capacidade para substituir as fontes tradicionais. O que não impede, naturalmente, que o país invista nelas. Se o governo não está fazendo, é um erro.
A maioria das pessoas que pensam a questão da energia no Brasil aprovam a construção de Belo Monte.
O que parece estar incomodando muito setores da mídia é o esforço do governo em oferecer preço baixo aos consumidores. Essa nunca foi uma preocupação relevante nas (raras) obras feitas por tucanos.
O projeto ganhou projeção internacional por conta de uma espécie de contaminação viral internáutica. As pessoas entram no twitter e, em menos de 140 caracteres, "informam" ao mundo que a usina irá destruir a floresta amazônica. Então, say no to #belomonte.
Marina Silva diz que é uma obra muito "cara". Ora, a estimativa do governo é que Belo Monte deve custar algo em torno de 19 bilhões de reais. O "mercado" estima que o valor deva ultrapassar 30 bilhões.
Você acha caro, Marina? Pois eu lhe recordo que, segundo o Tribunal de Contas da União, o "apagão" de Fernando Henrique Cardoso, causou um prejuízo de 45 bilhões de reais ao Brasil.
Com uma diferença singela. Os 19 ou 30 bilhões de Belo Monte serão gastos em geração de empregos. Os 45 bilhões do apagão tucano apenas serviram para ampliar o desemprego e a pobreza.
Eu defendo a natureza, claro. Não sou ecoxiita, mas também não sou nenhum estúpido anti-ambiental como esses engraçadinhos da ultradireita. Se me provarem que Belo Monte representa um desastre ambiental, então ficarei contra.
Mas ninguém me provou isso.
Hidrelétricas, todavia, sempre implicam em algum custo ambiental. A de Itaipu, por exemplo, inundou as famosas Sete Quedas, uma das maiores maravilhas do mundo. Dói pensar nisso. A de Belo Monte, ao que me consta, inundará uma área pequena, que já se inunda naturalmente em época de cheia. O dano à floresta será praticamente zero, porque a área devastada será insignificante e o projeto incorporou inúmeros cuidados ambientais que o país nunca teve em hidrelétricas anteriores. É claro, porém, que haverá algum custo. Mas é inevitável. Nenhuma hidrelétrica do mundo, e ainda mais do porte da que será feita, jamais foi construída sem beliscar a natureza.
Um trecho do artigo de Marina:
Surpreendem também as condições à disposição dos interessados em comercializar a energia gerada pelo rio Xingu. Tem-se R$ 13,5 bilhões em crédito subsidiado pelo BNDES, com prazo de 30 anos para pagamento, a juros de 4% ao ano.
Isenção de impostos sobre os lucros, o comprometimento do capital de empresas estatais e de fundos de pensão e, de quebra, o absurdo comprometimento de licenciamento ambiental com prazo preestabelecido para a obra começar já em setembro.
Mesmo assim, as duas empresas privadas que melhor conheciam o projeto não participaram do leilão.
Preferem a posição de contratadas aos de investidoras, enquanto outras, vitoriosas, ameaçam desistir dos benefícios aparentemente irrecusáveis. Imaginem se todas essas condições excepcionais fossem para melhorias da eficiência do sistema elétrico e para redução da demanda por energia?
Marina prefere omitir que a saída dessas empresas deveu-se à exigência do governo de que oferecessem preços baixos, forçando-as, portanto, a uma lucratividade reduzida. Também omitiu que o consórcio vencedor inclui a Eletrobrás, que desde o início participou dos estudos de Belo Monte. Também não diz que as empresas perdedoras devem participar da construção da usina.
A senadora igualmente finge ignorar o fator urgência. Adiar por mais um ou dois anos a construção de uma usina importante irá restringir o crescimento brasileiro. Quem pagará, como sempre, é o pobrinho da periferia.
Quanto ao uso da verba em conservação, manutenção e melhora de eficiência, nada impede que o governo disponibilize recursos para isso. Como senadora, ela deveria propor projetos de lei nesse sentido; e não só propor, mas articular politicamente para aprová-los. Queria ver Marina Silva pôr de lado seu purismo e pedir votos a Fernando Collor e Sarney para aprovar seus projetos ambientais. Como não articula, não aprova nada. SUA pureza continua intacta, mas Gaia continua sendo violentada.
Por outro lado, seria interessante que os críticos de Belo Monte, a começar pela senhora Marina Silva, oferecessem uma alternativa viável e que apresentassem estudos sérios e incontestáveis. Que fizessem alarde dessas alternativas, e que, reitero, se articulassem politicamente para torná-los realidade. Taí, este seria um bom exercício para uma oposição que periga se tornar inútil.
O artigo da senadora termina assim:
Definitivamente precisamos expandir a oferta de energia, mas não necessitamos, para isso, manter a cultura do desperdício e comprometer o patrimônio ambiental e os recursos do país, quando temos alternativas de geração.
Marina está certa quando afirma que o governo deve reduzir o desperdício. Ponto para ela, mas isso é óbvio. E quais alternativas? Ela não diz, claro, porque os especialistas em energia no Brasil e no mundo sabem que nenhuma usina de energia eólica ou solar pode substituir uma hidrelétrica em termos de quantidade e custo da energia gerada. E uma coisa não exclui a outra. Que se invistam em alternativas TAMBÉM.
Belo Monte, aliás, é só o começo. O Brasil terá que construir várias novas hidrelétricas. É o preço do desenvolvimento. Em todas, haverá o dilema ambiental, que deve ser enfrentado com inteligência e pragmatismo.
Está me parecendo que o debate em torno de Belo Monte foi contaminado pelo clima eleitoral. A mídia de oposição, como de praxe, é contra porque o governo é a favor.
De qualquer forma, acho que o governo cometeu vários erros no processo. Poderia tê-lo transformado num debate em torno das energias alternativas. Mas é sempre fácil a gente criticar, do conforto de uma lanhouse, a ação das autoridades. Ainda mais se tratando de erros políticos ou de relações públicas.
O que importa é que Belo Monte é necessária, porque o Brasil precisa urgentemente de novas hidrelétricas e este é o projeto mais maduro. Os erros políticos podem ser consertados depois.