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16 de maio de 2009

Sem a internet, Lula já teria caído

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(esquina da lavradio com mem de sá, lapa, rj)


Por Fernando Soares Campos

Lembro-me bem o que aconteceu quando deflagraram o escândalo do “mensalão”. Nos primeiros momentos, só a oposição tinha voz na imprensa nacional, até porque, ao ser deflagrado o escândalo, os aliados do governo emudeceram. Alguns parlamentares do PT debandaram do partido na hora primeira. Os poucos que tentavam esboçar qualquer reação eram logo rechaçados por um turbilhão de informações mal cruzadas, ou, no mínimo, ridicularizados. Com o passar do tempo, algumas vozes foram se disseminando pela internet, e muito se esclareceu sobre a verdade dos fatos. Se não existisse a internet, não tenho dúvida, o governo Lula teria sido golpeado, como Jango em 64.

A CPI da Petrobras, aprovada sexta-feira, 15/5, foi arquitetada sob inspiração de matéria publicada pelo jornal O Globo, que acusa a diretoria da empresa de haver aplicado indevidamente, ou seja, com efeitos retroativos a 2008, as determinações de uma Medida Provisória que só teriam validade a partir do ano base 2009. A própria Miriam Leitão, pitonisa da ciência econômica a serviço das Organizações Globo, declarou em seu blog: “Hoje, a oposição numa manobra intalou [está grafado assim mesmo, portanto não sei se o erro de digitação deve ser atribuído à falta de “s” ou à troca de “e” por “i”!] CPI para investigar a Petrobras, isso por causa da matéria do Globo, do último domingo, mostrando que a empresa deixou de pagar mais de R$ 4 bilhões por conta de uma manobra contábil”. Essa é mais uma das provas irrefutáveis de que o grosso da imprensa brasileira se transformou no PiG, Partido da Imprensa Golpista, com poderes mais expressivos que os próprios partidos de oposição, pois é quem pauta suas decisões.

O senador Arthur Virgílio, líder do PSDB no Senado, rebatendo críticas do governo à instalação da CPI da Petrobras, chamou o presidente Lula de autoritário. É o mesmo Arthur Virgílio que já chegou a dizer que daria uma surra no presidente da República. O Virgílio que, em uma única sessão da CPI dos Correios, chamou Lula de “idiota” por 17 vezes. “Volto a dizer que nós temos um presidente que é um completo idiota ou é um corrupto... O Brasil tem que ter muita atenção porque, no mínimo, estamos a ser governados por um idiota”, concluiu Arthur Virgílio naquela reunião.

O senador amazonense, em 2005, se tornou porta-voz da oposição e brilhou (ofuscou?!) nas telas de TV a cada fanfarrice que arrotava. Os objetivos do neovestal Virgílio eram claros e indecorosos: defenestrar um governo democraticamente eleito, sem que contra este pudesse ser provado qualquer ato de corrupção; de lambuja, gerar patrimônio eleitoral visando às eleições de 2006. Virgílio e seu parceiro Jorge Bornhausen (DEM-SC) chegaram a anunciar o fim da “raça petista”. Resultado: Arthur Virgílio se candidatou ao governo do Estado do Amazonas e teve 5% dos votos; Bornhausen anunciou que estava abandonando a vida política, declaração para inglês cego ouvir.

Há quem diga que o objetivo principal da manobra tucana que fez aprovar a abertura da CPI da Petrobras é desmoralizar projeto do governo que pretende criar uma agência estatal para administrar as reservas do pré-sal, com 100% de suas verbas oriundas do Tesouro Nacional. Ou seja, sem sociedade direta no âmbito dos interesses privados. Quer dizer, alguma coisa com traços de soberania nacional, o que assusta os avelhantados neoliberais, viciados às regras impostas por Wall Street, FMI, Bird ou qualquer instituição estrangeira.

Outras opiniões surgem, sem que uma inviabilize as outras, apenas se somam para revelar o “pragmatismo” de uma oposição empenhada em desestabilizar o governo Lula a qualquer custo.

O jornalista Luiz Carlos Azenha, no site Vi o Mundo, trata o assunto por outro ângulo: “CPI da Petrobras: O objetivo é produzir manchetes para o Ali Kamel [diretor-executivo de jornalismo da Rede Globo]”

“Uma CPI como a da Petrobras fornece o argumento essencial para Kamel e seus asseclas: estamos apenas ‘cobrindo os fatos’, argumentam. Já escrevi aqui ene vezes sobre 2006: capas da Veja alimentavam o Jornal Nacional, que promovia a devida ‘repercussão’, gerando decisões políticas que alimentavam outras capas da Veja, que apareciam no JN de sábado e geravam indignação em gente da estirpe de ACM, Heráclito Fortes e Arthur Virgílio. Só essa ‘indignação seletiva’ é capaz de explicar porque teremos uma CPI da Petrobras mas nunca tivemos uma CPI da Vale ou das privatizações”, diz Azenha, ex-funcionário da Globo.

Até mesmos os acidentes que provocam catástrofes ambientais, muito frequentes na era FHC, oriundos de acidentais vazamentos de petróleo nos tanques e navios da Petrobras, praticamente pararam de acontecer nos últimos anos. O espetáculo midiático promovia, com compreensível facilidade, verdadeiras ondas de sentimentalismo, comoção e arroubos do tipo grinpiciano (vai perder seu tempo indo ao dicionário). Mas ninguém se preocupou em instalar CPI para apurar responsabilidades sobre tantos acidentes, apesar dos fortes indícios de ação criminosa, com rastros de sangue, corrupção e cheiro de sabotagem com o objetivo de desmoralizar a Petrobrás e entregá-la de vez à sanha do capital estrangeiro via testas-de-ferro domésticos.

Imagine se a Plataforma P-36 tivesse sido explodida e afundada durante o governo Lula. A P-36 foi a pique na era FHC e ficou por isso mesmo. Eu nunca soube de alguém que tivesse sido punido, ou sequer responsabilizado, por aquela tragédia. O caso ficou registrado em nossa memória apenas pelo espetáculo que as emissoras de TV realizaram, transmitindo ao vivo os agonizantes momentos do afundamento da maior plataforma de prospecção de petróleo do mundo, que até hoje serve de mausoléu submarino para os 11 trabalhadores que ela arrastou consigo.

A revista Época, edição 150, de 02/04/2001, até que deu a pista:

Tragédia prevista

“Investigação do Congresso sobre mortes na plataforma da Petrobrás vai abranger a compra de componentes baratos e de qualidade duvidosa. [Nada de CPI, apenas investigação, conforme se pode fazer hoje caso exista alguma suspeita de irregularidade contra a atual administração da Petrobras]

(...)

“Uma das evidências foi encontrada em correspondência de agosto de 1998 enviada pelo presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Carlos Delben Leite, ao senador Eduardo Suplicy (PT-SP) sobre conseqüências práticas de mudanças na política de compras da Petrobrás durante a gestão do ex-presidente da estatal Joel Rennó.

“Nos relatórios, a Abimaq informa que a Petrobrás passou a aceitar a troca de equipamentos com certificação internacional de qualidade por outros, mais baratos, comprados na China, na Espanha, em Portugal e na Itália. Como exemplo, a entidade apresentou ao Senado uma relação de 35 contratos da estatal com a Marítima – entre eles o da P-36. As encomendas superam US$ 4 bilhões. Confirmam o empresário German Efromovich, dono da Marítima, empresa com capital de US$ 10 milhões, como intermediário de mais de 80% das compras realizadas pela estatal na gestão Rennó. Delben Leite denuncia no texto a substituição de válvulas, bombas, compressores e redutores, entre outros componentes certificados, por ‘equipamentos fabricados, principalmente, na China sem os requisitos e exigências aprovados’.

“O documento enviado ao Senado há 32 meses alertava: ‘Uma pequena válvula de segurança ou de produção, de valor unitário de algumas dezenas de dólares, pode comprometer todo um equipamento de milhões de dólares, podendo causar incalculáveis prejuízos de ordem material e até danos pessoais’. Segundo Delben Leite, a Petrobrás não exigiu da Marítima nenhum tipo de certificação para os equipamentos das plataformas contratadas, incluindo a P-36.

“A partir de 1995, a Petrobrás passou a comprar plataformas sob a forma de pacotes fechados...”

Leia a matéria completa, é muito interessante, bastante esclarecedora, mas foi incapaz de gerar uma CPI: http://epoca.globo.com/edic/20010402/neg3a.htm

Também não perca matéria publicada no site Ambiente Brasil, sobre Os Principais Acidentes com Petróleo e Derivados no Brasil.
http://www.ambientebrasil.com.br/composer.php3?base=./agua/salgada/index.html&conteudo=./agua/salgada/vazamentos.html
Tudo catalogado em ordem cronológica e acompanhados de sinopses sobre os sinistros.

A internet dificulta o golpe articulado na Rua Rio de Janeiro, em Higienópolis, São Paulo. Como PSDB, Veja & CIA articularam segundo golpe de estado em sete anos. Uma história de assassinatos, corrupção, abuso de menores e roubo. Confira: “Golpe de Estado em Andamento no Brasil: Revelações Estarrecedoras”. É antigo, mas vale a pena ler de novo. http://lists.indymedia.org/pipermail/cmi-ssa/2005-June/0607-s5.html

Sem a internet, dificilmente Lula teria sido eleito; se fosse, não assumiria; se assumisse, teria sido golpeado com muita facilidade. O PiG é forte, é Golias, mas a internet tá assim de Davi!

29 de novembro de 2008

O balé subaquático dos fischs

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Por Fernando Soares Campos

O jovem Albert Einstein estava sentado numa pedra à beira de um belo lago da Alemanha dos anos 1920. Na mão esquerda, uma vara de pesca; a direita, punho cerrado, sustentava o queixo que insistia em cair diante do cenário hollywoodiano que enchia seus olhos de poesia e a brilhante cabeça de pensamentos relativos à sua existência no Planeta: Quem fui? Quem sou? Donde vim? Súbito! Pronde foi o peixe que fisgue?!

De verdade, ele não havia fisgado coisa alguma, pois o esperto fisch apenas comia pelas beiras, fazendo a linha tremelicar. Pacientemente baixou a vara (de pesca, claro), tocou a ponta no espelho d’água, provocando um daqueles círculos marolados que as crianças provocam nos poços do rio Ipanema, arremessando seixos, apostando quem faz o maior número de toques e torcendo para fazer as marolas atingirem a margem oposta.

Einstein ainda pensou em encerrar a pescaria num dia em que o lago não estava pra pescador, porém decidiu fazer mais uma tentativa. Recolheu a linha, espetou mais uma minhoca no anzol e, com habilidade de pescador escolado nas lidas dos judeus pobres que preferiam pescar a ganhar o peixe através da bolsa-família do governo alemão, arremessou a cobra-cega à própria sorte. Desta vez ficou atento à possível fisgada de um freund-gold, espécie bastante cobiçada pelas loiríssimas mädchens da época.

Desligado que nem eu, Einstein novamente se distraiu com seu esporte predileto: meditar tranqüilo, tranqüilo; daquela vez, tentando se decidir sobre duas propostas de emprego: uma oferecida pelo avô de Herr Bornhausen; outra, pelo pai de seu infanto-amigo Oscar Wind, filho de Gelei Müller, judeu que nem ele, mas ainda de calças curtas.

A empresa dos Bornhausen era uma das maiores da Europa no ramo de emprestar com uma mão e receber com a cabeça, tronco e membros eretos. Enquanto a microempresa do pai de seu amiguinho Oscar Wind, fabricante de cola de sapateiro, começava a dar prejuízo, em vista da concorrência desleal; pois, quando há lealdade na concorrência, ninguém pode duvidar, todos saem ganhando; basta dar uma espiadinha no Mercado de Carne de Santana do Ipanema e região. Outro dia eu conto mais sobre lealdade de concorrentes; por enquanto, vamos ao que nos interessa.

Enquanto Einstein ponderava as vantagens e desvantagens de cada empresa, lá no fundo do lago um lambari-dourado, que fazia intercâmbio cultural em águas germânicas, encontrou-se com um deutsch colega e decidiram jogar conversa fora no Kerr Riba Bar, ambiente aconchegante a bordo de uma nau flagrada pelos alemães em missão de espionagem, durante a Primeira Grande Guerra.

Depois de brindarem as tulipas de chop e beliscarem os pasteis de camarão, o lambari-dourado puxou uma prosa versátil.

Perguntou ao deutsch companheiro de malocas subaquáticas:

— O que seria melhor: ser cabeça de sardinha ou rabo de tubarão?

— Depende — falou, mas não pensou.

Se tivesse pensado, o deutsch não teria vacilado diante de um reles latino metido a esperto.

— Depende do quê?

— Sei lá! Talvez das águas por onde navegue, das ilhas por onde aporte, das jacentes por onde ande...

O freund-gold degustou o chop salgado, cofiou o bigode e se recostou na antepara. Ficou a espiar por uma escotilha de boreste. Avistou um cardume de fisch que redemoinhava num fantástico balé submarino. Entre eles, eis que surge um tubarão martelo a martelar as águas claras do mar.

Corta para Einstein na posição de pescar. Ponta da vara apontando para o horizonte, linha em oblíqua descensão, lá na ponta um peixão se debatendo, estrebuchando. O bicho não queria subir, resistia ao tranco do pescador.

Agora veja: enquanto o robalo se debatia no tranco, a sua parceira robala provocava inveja a um cardume de sardinha, aguardando sua vez de ser fisgada; pois se sentia o máximo diante da possibilidade de vir a ser comida pelo notável cientista, àquela altura do campeonato já com o Nobel na ponta da linha.

Lembram daquela brincadeira de telefone: uma lata numa ponta e outra lá tinha na extremidade oposta. Pois bem, foi aí que o robalo que subia passou pela escotilha e viu os amigos no maior papo no Kerr Riba Bar. Quase teve um troço, só de imaginar que, poucos minutos antes o lambari-dourado o havia convidado para aquela confraternização, e ele, num tremendo domingo de pesca, resolve passear pelos bosques arrecifados, de bobeira, tendo a tiracolo sua robala carnavalesca.

Agora imagine o sufoco: o robalo fisgado subindo, deixando lá embaixo a rolala sonhadora...

Mas, como já foi dito, não há mal que não traga um bem, mesmo que seja em forma de outro mal. O robalo roubado de sua sorte era mudo como todos os robalos, mas não era surdo como quase todas as cobras. Havia feito um curso de verão através do intercâmbio da Universia Brasil e, para sua sorte, o curso era de sinais labiais. Veja o destino como é cruel: o sujeito estudou a vida toda, porém o que aprendeu só iria lhe servir no corredor da morte.

Einstein, ainda meditativo, portanto indeciso sobre a escolha da empresa para a qual trabalharia, sentiu finalmente a linha puxando e a vara tremelicando... Tremelicando, mas tremelicando de forma especialíssima, em Morse. E o que dizia a vara, ou melhor, o que recebia através da linha. Nada mais, nada menos que a leitura labial que o robalo condenado fazia sobre o papo dos amigos no Kerr Riba Bar. Qual seja:

— Se eu fosse você, aceitaria ser cabeça de sardinha; entretanto, considerando que eu sou eu, e Nicuri é o diabo solto na capoeira, prefiro ser rabo de tubarão.

A vara de Einstein tremelicou, tremelicou, até que, tremelicadamente ereta, decidiu-se:

Mar vermelho sob céu azul tanto collori de violeta quanto de azul-turquesa depende da intensidade dos ingredientes aplicados.

É relativo, né?

Einstein não colocou a viola no saco sem antes dedilhar os acordes finais do réquiem 639.

Tempos depois.... Cardume feliz! Navegando por mares nunca dantes navegados.

24 de novembro de 2008

Novo colaborador: Fernando Soares Campos

1 comentário

Eis um novo colaborador para um blog, um antigo amigo da web, veterano combatente das trincheiras trabalhistas e divertidíssimo satirista político.


Matriciado e mal pago

Por Fernando Soares Campos

Tem dias que acordo como se estivesse saído de uma das dimensões de Matrix. Dia desses, às 4 da matina, dia clareando, depois do banho com Edith Piaf, preparei e tomei o breakfast; fui para a sacada e acendi o charuto que Breno Accioly me mandou do Mato Grosso do Sul, onde se encontra passando uma temporada com o meu amigo João Neto Chagas, o Anjo Destrambelhado. Baforei o cubano-paraguaio, meditei sobre a possibilidade de assistir aos jogos da Copa 2010 bem acomodado na cobertura do prédio onde moro, aqui no Itanhangá. A vista é boa, mas ainda não consigo avistar a costa da África do Sul; entretanto, a exemplo das bolsas de valores de todo o mundo, a maré pode baixar mais que o normal, aí é só deflagrar a Auriverde e comemorar com um churrasco ao som da musiquinha que eventualmente a Rede Globo lançar para o evento.

Mas o que tudo isso tem a ver com acordar matriciado? Acontece que, depois disso aí em cima, vim aqui, abri o pc, acessei minha conta no gmail e fui conferir as mensagens recebidas. Uma delas informava: "Presidente russo encontra-se com Lula e empresários no Rio na próxima semana". O primeiro parágrafo já nos atualiza razoavelmente: "O presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, inicia na próxima segunda-feira (24), uma visita de três dias ao Rio de Janeiro. De acordo com informações do Ministério das Relações Exteriores, o chefe de governo russo terá reuniões com empresários, com o presidente Lula e com o governador fluminense, Sérgio Cabral.".

Até aí, nada demais se não fosse o fato de que eu, até aquele exato momento, imaginava que o presidente russo ainda era o Putin (diga mesmo: num parece nome de personagem do Henfil?). E olha que sou colaborador do site da Pravda, jornal russo criado, inicialmente, por Trotsky, na Áustria, e depois por Lênin, em meio ao processo revolucionário que todos nós conhecemos, mesmo que seja como eu o conheço, de ouvi dizer.

Leio e colaboro para a Pravda (verdade), e você deve estar pensando que estou brincando, quando falo que não sabia quem era o novo presidente da Rússia. Juro que é verdade, como a tradução do termo Pravda para o português. Pelo visto, está arriscado dia desses eu tomar conhecimento de que o presidente do Brasil voltou a ser FHC ou um dos seus maquiavélicos discípulos, somente depois de acessar o Globo, a Folha de São Paulo, ou qualquer outro jornal online, que agora só embrulha peixinho de aquário virtual que minhas amigas orkuteiras costumam me enviar. Bom, aí terá sido tarde demais, pois faz muito tempo que não clico nos links que os trariam até o meu velho monitor cansado de guerra. Acho que isso, hoje, é exercício de jornalistas em busca de noticiar notícias no Observatório da Imprensa. Quanto às minhas colaborações para o OI, em geral elas se originam nas matérias que recebo diretamente de amigos, ou através da lista que o meu amigo Castor Filho, engenheiro, aposentado como eu, faz questão de manter para atualizar pessoas desligadas do mundo pós-capitalismo.

Fui ao site da Pravda a fim de conferir a notícia da sucessão presidencial na Rússia, mas dei de cara com fatos mais atualizados: "O presidente russo Dmitri Medvedev pretende visitar vários países latino-americanos no final deste mês de novembro. Esta segunda-feira (10) o secretário de Conselho da Segurança Nikolai Patruchev encontrou-se com o ministro de Assuntos Estratégicos brasileiro Roberto Mangabeira Unger para precisar os detalhes da visita do presidente russo ao Brasil, segundo informa Ria-Novosti".

Logo abaixo, uma notícia complementa as informações de que preciso para me atualizar e sentar os pés no chão depois da odisséia que vivi no Sertão Alagoano, durante a campanha eleitoral deste ano: "Cerca de 80% dos russos acreditam que o ex-presidente e atual primeiro-ministro do país, Vladimir Putin, é o líder melhor nos últimos 100 anos, segundo uma sondagem efetuada pelo Centro de Estudos da Opinião Pública (Vtsiom)". Porém, ao ler o nome do novo (pra mim, claro) presidente russo, imaginei um camarada mais ou menos com a cara de Nikita Kruschev, com o corpanzil e tudo. Resolvi conferir. Despachei o Goober, meu cavalo alado que adquiri da Wells & Fargo num leilão da New York Stock U$, e rapidinho ele estava de volta com informações "quase" precisas: Dmitri Anatoliévitch Medvedev Дми́трий Анато́льевич Медве́дев, assim mesmo, juro! E até me trouxe a folha corrida do cidadão:

Mandato:7 de maio de 2008
Precedido por:Vladimir Putin
Nascimento:14 de Setembro de 1965 (43 anos)
Leningrado, URSS
Profissão:Político, advogado e administrador

Mas desta vez o Goober ganhou apenas meio saquinho de amendoim; pois, em vez de pegar uma foto do presidente Dmitri Medvedev etc., ele me trouxe uma do governador Sérgio Cabral. Veja:



Esse Goober está ficando velho, já não consegue faturar um páreo sem a ajuda do... (como é mesmo o nome do prefeito eleito do Rio de Janeiro?)

Contudo dentro de poucas semanas o campanário da Catedral anunciará o Natal na Lapa, e eu já estou razoavelmente atualizado até o final do ano, quando, prometo, caso a Rede Globo esteja sorteando algum brinde, assistir à Retrospectiva 2008, ao apagar das luzes de 2009. Sim, porque, pelo que me consta, as de 2008 ainda nem foram acesas.