Hoje passei o dia trabalhando no blog, pesquisando e estudando templates e outros assuntos ligados a blogosfera. Na verdade, há meses que venho fazendo isso. Só não me tornei um nerd porque tenho o privilégio de morar no centro, na Lapa, onde se não vamos à boemia, ela vem até a nós. E assim consigo manter um pouco de equilíbrio.
Os leitores do blog já notaram que o mesmo tem mudado constantemente. É que estou sempre descobrindo coisas novas e procuro sempre melhorar o visual.
Além disso de trabalhar em meu próprio blog, estou fazendo mais um trabalhinho (depois da Bienal) para o movimento estudantil. Pediram-me para re-estruturar o blog do Cuca Rio. O Cuca é sigla para Centro Universitário de Arte e Cultura, instituições que podem ser montadas em toda faculdade, com auxílio da União Estadual dos Estudantes. Alguns se tornaram "pontos de cultura", ou seja, recebem recursos tecnológicos e verba do Ministério da Cultura.
Nessa brincadeira, venho me profissionalizando, fazendo blogs para terceiros. É um trabalho gostoso, que me deixa livre para escrever no meu próprio blog. Atualmente, não tenho outra ambição que escrever no meu blog. Segundo pesquisa divulgada hoje, já existem no Brasil 42 milhões de pessoas com acesso à internet. Tenho certeza que, como blogueiro, tenho condições de acessar leitores de maneira muito mais efetiva que através dos meios impressos convencionais.
O mais importante pra mim, todavia, é que, escrevendo no blog, eu aprendo a escrever, eu desenvolvo e amadureço técnicas de redação. Escrever é um aprendizado duro, lento, um exercício de paciência. Não adianta apenas ler muito, assim como, para ser músico, não basta escutar muita música. É preciso sobretudo escrever muito, pensar muito, viver muito.
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Terminei a quarta edição da Revista Manuskripto. O tema do mês é economia, mais especificamente comércio exterior. Publiquei tabelas atualizadas sobre os principais destinos da exportação brasileira e sobre os principais produtos exportados pelo Brasil, com atenção especial para Argentina, que já é o segundo maior mercado de produtos brasileiros, e para o Equador, devido à recente crise diplomática. Mostrei que o Equador é o importador de mais qualidade, que importa os produtos brasileiros de maior valor agregado, que paga os preços médios mais elevados. Por isso, é tão idiota e contra-producente essa campanha midiática contra o Equador, como se Rafael Correa fosse um presidente nocivo ao Brasil. Ao contrário, os presidentes sul-americanos, Chávez em primeiro lugar, mais demonizados pela mídia brasileira foram os que ampliaram, de maneira mais expressiva, as importações de produtos brasileiros.
Assine a revista Manuskripto e confira as tabelas. Clique no link aí em cima. Você ajuda o blogueiro a se sustentar e ainda tem acesso a informações que a mídia tradicional não dá.
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Aliás, eu queria entender porque a mídia não traz informações mais detalhadas e explicadas sobre o comércio exterior brasileiro. É tão fácil. O Brasil alimenta um dos sistemas de estatística online mais modernos e atualizados do mundo.
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Às vezes, quando vejo um literato me olhando atravessado, por eu não ser um "puro", ou seja, um literato que só fala de literatura, arriscando-me a escrever sobre tudo e todos, penso em Machado de Assis. O que é melhor para um escritor? Escrever livremente sobre política, economia, arte, cultura, ou ser funcionário do Ministério da Agricultura?
A intelectualidade brasileira ainda não se acostumou a ser livre. Existe um medo inconsciente. Mas talvez esse medo seja, em parte, justificado. Por que nunca existirá plena liberdade de pensamento no país enquanto não houver uma desconcentração midiática mais efetiva, que permita aos intelectuais um leque de ofertas profissionais mais amplo, mais diversificado ideologicamente. Agravando o quadro, não temos um mercado editorial propriamente dito, de maneira que a única maneira de um escritor ganhar algum dinheiro é estar bem com a mídia corporativa, a qual, para mim, que estudo história e tenho veleidades de entender de política, sei que é aliada ao que existe de mais reacionário e traiçoeiro no Brasil.
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Ah, escrevi mais duas resenhas para a livraria Gonzum. Dêem um pulo lá e comprem um livro!
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9 de dezembro de 2008
Trabalhando duro no blog & novidades
2 comentarios
# Escrito por
Miguel do Rosário
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terça-feira, dezembro 09, 2008
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26 de outubro de 2008
3 comentarios

Para dar um reforço à minha renda e me aproximar ainda mais daquilo que gosto, montei um sebo virtual, o Gonzum, com livros raros, clássicos no idioma original e publicações indepentes. O site ainda está começando, mas já tenho alguns produtos para vender. Quem estiver interessado, é só clicar no endereço abaixo.
8 de julho de 2007
"Quando a polícia mata"
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Esse foi o título do único livro que meu falecido pai, José Barbosa do Rosário, lançou em vida. A obra descreve o suplício, a agonia, o assassinato lento, horroroso e diabólico de Francisco do Rosário Barbosa, irmão de José e meu tio paterno. E também a luta da família para fazer justiça e prender os criminosos. O livro é de uma crueza brutal, possuindo uma seção anexa com fotos e documentos.
Meu pai foi um daqueles sertanejos cultos de Minas que invadiram o Rio na década de 60. No Rio, estudante de filosofia e ativista político, filiou-se ao partido comunista e, em 64, algumas semanas antes do golpe, ganhou uma passagem aérea e uma bolsa para estudar em Praga, na República Socialista da Tchecoslováquia. Livrou-se assim de viver o período mais negro da ditadura. Quando voltou, em 69, o movimento comunista estava totalmente desmantelado, tendo refugiado-se na clandestinidade e na insurgência. Bom matuto que era, Barbosa preferiu correr atrás do pão-nosso-de-cada-dia e se afastar de qualquer atividade política visível. Trabalhava muito e, como outros milhares de brasileiros, procurava lutar nas sombras pelo fim do regime militar.
E assim o tempo passa, José vai se destacando em diversos jornais: Correio da Manhã, Jornal do Brasil, até que acaba enredado nas poderosas garras do Jornal O Globo, onde trabalhou por quinze anos como Repórter Especial de Comércio Exterior. Neutralizava a rebeldia de seu espírito com pesadas doses de uísque importado, uma esposa doce e compreensiva e dois filhos alegres e saudáveis. Ajudava ativamente seus nove irmãos a se educarem e, assim, começarem uma vida nova na cidade grande, longe das ignorâncias e injustiças do sertão de Araguari. De vez em quando, dava uma força a um amigo ou parente procurado pela polícia política.
Até que um dia, o destino veio lhe cobrar, em sangue, o tributo por sua felicidade burguesa. Na madrugada de 7 de fevereiro de 1981, seu irmão mais novo, a quem tanto ajudara no angustiante processo de adaptação à vida confusa da metrópole, foi brutalmente assassinado por agentes da Polícia Militar do Rio de Janeiro.
O crime foi particularmente chocante porque Francisco não exercia qualquer atividade política. Era um rapaz, de certa maneira, bastante ingênuo, que escrevia poesia e sofria um grande desespero metafísico de ser e estar no mundo. No entanto, Francisco não tinha sangue de barata, nem era um estúpido alienado. Em seu íntimo, e nas conversas com seus amigos, odiava profundamente a ditadura e suas brutalidades. Na noite em que foi morto, ele dirigia-se do trabalho, em Maria da Graça, subúrbio do Rio, para sua casa, em Copacabana. O ônibus em que viajava foi parado por soldados do 13º Batalhão da Polícia Militar, na Praia do Flamengo, que fazia uma blitz na área.
As palavras são do meu pai:
"Os policiais entraram no ônibus pedindo a identificação de todos os passageiros. Segundo o motorista do coletivo, Juarez Emmerich, Francisco teria exigido uma explicação para aquele comportamento dos policiais e se recusou a mostrar seus documentos. Foi preso, retirado à força do ônibus, e dali levado para a 9º Delegacia de Polícia do Catete, por volta das 3 horas da madrugada.
Chegando à delegacia, algemado, foi brutalmente espancado com um pedaço de pau, segundo o detetive Felisberto Pereira, no seu depoimento no inquérito posteriormente instaurado - pelo carcereiro Antônio Carlos Mantuano, porque não aceitava a prisão e dizia impropérios contra a polícia e o regime militar. Francisco recebeu golpes por todos os lados. Conforme os legistas que examinaram seu cadáver, no Instituto Médico Legal, do Governo estadual, apresentava também sinais de queimaduras, o que leva a supor de pontas de cigarro aceso. A unha da mão esquerda foi arracanda com violência.
Embora detido, sua presença na Delegacia não foi registrada, como prescreve a Lei. Todo machucado, foi levado por uma viatura da PM para o hospital Souza Aguiar, no centro da cidade, onde foi deixado nas proximidades do portão de entrada.
Francisco conseguiu chegar à recepção do hospital, anunciar seu nome e ainda reunir forças para dizer que fora "espancado pela polícia na Praia do Flamengo". Logo após essa única frase, desfaleceu, sendo levado para o Centro de Tratamento Intensivo do HSA, onde morreu 15 minutos depois de traumatismo craniano, conforme constataram os mesmos legistas do IML.
A morte de Francisco foi uma entre dezenas de acontecidas nesta cidade, resultantes da brutalidade policial. Todas ficaram impunes, com raríssias exceções. Decidmos lutar para que os criminosos fossem condenados. É uma luta que dura há quase dois anos".
Meu pai ganhou essa briga. Depois de três anos de idas e vindas processuais, cinismo e lentidão por parte do Estado, abnegação e energia por parte de José e seus inúmeros amigos jornalistas, advogados, políticos, pessoas de bem, os dois responsáveis foram condenados a alguns anos de prisão. Foi uma dessas "raríssimas exceções" citadas por José em seu livro.
A luta foi bem sucedida, naturalmente, porque José era um jornalista influente do principal jornal do país, e possuía amigos também influentes nos meios políticos e jurídicos que o ajudaram a fazer justiça. A única retificação que faria ao texto de meu pai é que não são "dezenas" de vítimas da violência policial, mas "milhares".
E aqui vem a parte principal desse artigo, que é denunciar a violência policial da gestão Rosinha & Garotinho, nos dias de hoje.
Com toda essa balbúrdia em torno das práticas ilegais & populistas de Garotinho pra ganhar eleição, e que, graças a Deus, não estão sendo bem-sucedidas, a mídia está se esquecendo que o pior do governo Garotinho não é o populismo oportunista. Essa até é a parte menos ruim. Para o pobre, qualquer ajudinha é bem vinda, mesmo que fosse o próprio Diabo a dar. O que é gritantemente ineficiente, injusto, ilegal, prejudicial ao estado e ao país, é a política de segurança unilateral, corrupta, brutal, insana, que o casal Garotinho vem praticando.
Em vez de proteger os milhares de turistas que estão desembarcando no Rio à procura de diversão, felicidade, cultura e lazer, e que constituem a matéria-prima do que poderá a vir a redenção econômica do estado, Garotinho está consumindo todo o poder policial num combate estéril, estúpido, inútil, e terrivelmente oneroso em vidas (tanto para policiais quanto para inocentes) contra o narcotráfico regional.
Garotinho deveria deixar o combate ao narcotráfico exclusivamente para a polícia federal, e usar a polícia para proteger os turistas. O combate ao narcotráfico, como a Rosinha mesmo já admitiu, passa por ações federais contra a lavagem de dinheiro e a entrada de armas e drogas, as quais vêm de fora das fronteiras fluminenses.
Garotinho: tire a polícia do morro! Não é possível matar todos os traficantes do estado. Além do mais, essa "pena-de-morte" extra-oficial não resolve nada. As elites cariocas adoram ler sobre morte de traficantes, mas não entendem que, quando a polícia mata um traficante, está causando grande dor e revolta na comunidade e na família da qual ele faz parte, e esses sentimentos fomentam a reprodução da criminalidade. Cria-se um efeito multiplicador. É preciso que a política de segurança se volte para ações sociais nas comunidades carentes. É preciso uma polícia penitenciária que trate o criminoso como gente, não porque ele é bonzinho, a gente sabe que ele é mau e talvez não mereça, mas pelo bem da comunidade e da família da qual é parte integrante, pelo bom nome do Estado e das autoridades.
A galera do Complexo do Alemão sabe que o tráfico é um problema, mas sabe também que invasão policial só piora as coisas. É preciso uma intervenção social, não do tipo evangélico-populista que Rosinha faz, obrigando as escolas públicas a abandonarem a teoria darwinista e forçarem os meninos a acreditarem na história de Adão e Eva, mas um intervenção republicana do século XXI, com computadores, internet, alta cultura, cinema, alimentos nutritivos, empregos, creches. Aliás, um problema muito grave nas comunidade é do engravidamento precoce. Há necessidade de planejamento familiar por um lado, e creches, de outro, além de outras ajudas governamentais às mulheres grávidas.
Ainda temos dois anos de governo Rosinha. Que Deus ilumine o casal e que eles tenham humildade e inteligência para mudarem a política de segurança. Em caso contrário, o governo federal terá que intervir.
PS: Os interessados em adquirir o livro "Quando a polícia mata", de José Barbosa do Rosário, publicado em 1983, Editora Achiamé, 110 páginas, favor fazer um pedido por email.
# Escrito por
Miguel do Rosário
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domingo, julho 08, 2007
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