30 de outubro de 2006

Vencemos

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Estou em viagem, sem tempo. Foi duro, mas foi um combate onde todos nós amadurecemos. Estamos mais fortes. Volto em breve para contar as novidades e relatar minhas impressões políticas.

24 de outubro de 2006

Sobre as vivandeiras dos tribunais

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Para quem se preocupa com esses golpistazinhos de araque que, em face da derrota acachapante que sofrerão, andam pregando a instabilidade política no país, sugiro a leitura deste artigo do Belluzo. Bem que eu disse. Os mestres estão saindo da toca! Tá todo mundo escrevendo bem. Há uma explosão de civismo no país!

Aqui.

Alckmin é arrasado no debate da Record

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Por ocasião do primeiro debate, fui bem franco acerca de minhas impressões. Relatei aqui o que achei serem várias deficiências na participação de Lula.

A imprensa corporativa, fortemente engajada na candidatura tucana, foi muito mais longe, é claro, denunciando o que seria a incapacidade de Lula para o "embate político" direto. Afirmavam que Alckmin teria inflingido uma grande derrota à Lula naquele debate.

As pesquisas indicaram outra coisa. Depois do debate, as intenções de voto em Alckmin cairam brutalmente.

Sugeriram que ele mudasse o figurino no segundo debate. Mudou. Entrou um Alckmin mansinho, propositivo.

Entretanto, a partir do segundo debate, Lula já estava bem mais seguro, bem mais preparado. Como se diz, os marketeiros de Alckmin haviam esquecido de combinar com os russos, e o tucano prosseguiu seu bucólico passeio ladeira abaixo.

Neste terceiro debate, dia 23, segunda-feira, na rede Record, Lula jogou o punhado de terra que faltava para enterrar de vez a candidatura de Geraldo Alckmin à presidência da República.

Noblat, blogueiro do Estadão, opinou o seguinte:

"Um fala para o povão - e fala cada vez mais a vontade à medida que está perto de se reeleger. O outro fala para os mais bem informados - sem emoção, mas com objetividade e argúcia. Como é o povão que decide, Lula vai bem. Para seus eleitores, Alckmim vai melhor do que foi no debate do SBT."

Acho que, desta vez, Noblat forçou a barra. Alckmin foi horrível. Parecia um papagaio louco, repetindo as mesmas coisas, com as mesmas palavras, a mesma entonação. O robô deu pane. "Olha, vou falar para o telespectador, é importante que vocês vejam a diferença. "

Objetividade e argúcia têm Noblat, que sabe muito bem como agradar seus patrões.

Neste debate, Lula conseguiu desmascarar Alckmin, principalmente nas questões relativas à política externa. Alckmin se mostrou desinformado e incoerente. Falou que iria privilegiar mercado e não ideologia na política externa, mas seu discurso sinalizou uma atitude oposta. Eleito, Alckmin irá, ele sim, ideologizar a nossa política externa, ao impor uma agenda de direita, americanófila, isolando-nos do resto da América do Sul. Fez um discurso agressivo contra a Bolívia. Levantou o nacionalismo mais rasteiro e oportunista. "Vamos defender o Brasil, o interesse nacional". Como se a defesa de nossos vizinhos não acarretasse em benefícios econômicos para o Brasil. É a direita mais burra e retrógrada. O Brasil aumentou mais de 200% suas exportações para o Mercosul, lembrou Lula, e se tornou nosso principal mercado comprador. Esse é fracasso do Mercosul?

Alckmin defendeu uma relação preferencial do Brasil com os Estados Unidos, falando que os EUA são uma economia aberta, que compra manufaturados. É, pode ser.

Em primeiro lugar, a política de Lula não é hostil aos EUA. O Brasil tem relações perfeitamente amigáveis com os EUA, que respeitam a nova postura altiva da política externa brasileira. Altivez que não é retórica. O Brasil fechou parcerias importantes com China, Índia, Oriente Médio, União Européia e, repito, exporta mais para o Mercosul que para os EUA. Ou seja, o Brasil é respeitado pelos EUA porque superou sua dependência.

O pagamento da dívida com o FMI foi outro ato simbólico. Por oito anos, o governo tucano humilhou o povo brasileiro com suas idas constantes aos EUA para pedir dinheiro emprestado, e aceitando uma agenda econômica imposta pelo credor. Pedir emprestado ao FMI é choque de gestão?

A estabilidade econômica do governo Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, tão louvada pelos colunistas conservadores de hoje e outrora, foi adquirida às custas de brutal endividamento público, aumento da carga tributária, imposição de juros estratosféricos, enxugamento do crédito, arrochos salariais para o funcionalismo público, privatização do patrimônio público, pouco investimento social. Desemprego.

Estabilidade de moribundo, isso sim.

A estabilidade econômica de Lula está sendo consolidada de maneira bem diferente: interrompeu o processo de privatização, valorizou estatais, aumentou salário do funcionalismo público, aumentou o salário mínimo e as aposentadorias. Fez cair os juros, agora em seu momento mais baixo da história. Pagou a dívida externa e reduziu a dívida pública interna.

E investiu, como nenhum outro governo, em políticas sociais.

Aliás, quando Alckmin fala que Lula só mudou o nome de programas sociais anteriores, unificando-os sob o nome Bolsa Famíia, está tentando, é claro, vender seu peixe. É triste, porém, ver jornalistas comprando esse lambarizinho podre.

Um programa social não se mede pelo nome que tem, mas pela quantidade de verba que recebe. O governo Lula foi o primeiro a alocar, de maneira ousada, um volume expressivo de recursos para os programas sociais. Os jornalistas que esquecem disso são desonestos. O que importa aqui é a quantidade de recursos e o número de pessoas atendidas. Isso é real. Isso afeta a vida as pessoas.

No debate, Alckmin mostrou-se incoerente. Reclamou do pagamento dos juros, esquecendo que é ele o candidato que mais reza a oração da "segurança jurídica". Ora, todo mundo sabe que, se o Brasil tem que sangrar recursos bilionários no pagamento de juros da dívida, devemos isso ao senhor Fernando Henrique Cardoso, que entregou um governo endividado, e com contratos a serem cumpridos. Alckmin quer que Lula descumpra os contratos? É um incoerente. E deve nos achar uns idiotas, ao pensar que acreditamos que, neste ponto, ele faria diferente. Pior, toca nesse tema para, de maneira vil e oportunista, atacar o veto que Lula deu ao aumento de 16% aos aposentados que ganham mais de 1 salário mínimo. Ora, acompanhamos esse assunto pela imprensa. Vimos Antonio Carlos Magalhaes e outros próceres do PFL brigando por esse aumento, só para obrigar Lula a vetá-lo, pois já tinha dado aumento de 5% acima da inflação, de acordo com uma negociação justa com os sindicatos e associações de aposentados. A intenção era eleitoral. Reflete uma grande irresponsabilidade política e fiscal. Por que Alckmin não deu, então, aumento para seu próprio funcionalismo público, quando era governador? Por ocasião da crise da segurança pública em São Paulo, vimos que o policial paulista é um dos que ganha menos em todo país, apesar do estado ser o mais rico da nação.

Alckmin é um hipócrita, um demagogo, um representante do que há de pior na política nacional. Não sei como a imprensa tem a cara de pau de defender um candidato desse.

O tucano também se ferrou bonito quando tentou fazer o telespectador acreditar que Lula prejudicou o nordeste. Ficou óbvio que Alckmin, que tem desempenho pífio no nordeste, tentou ganhar alguns votos. Perdeu. Desinformado e mau intencionado como sempre, omitiu que o nordeste vem crescendo a um ritmo "chinês", sobretudo os segmentos mais pobres.

Falando em crescimento, abordemos esse tema em profundidade. Uma das maiores críticas da campanha presidencial tucana é que o Brasil cresceu pouco. Só 2% ao ano, acusa Alckmin. Ora, em primeiro lugar, durante a gestão tucana, o crescimento foi bem pior. Em segundo, parte do obstáculo ao crescimento está no próprio golpismo da oposição, incluindo aí donos de jornais, que quase paralisaram o país com a espetacularização de crises políticas. Em terceiro lugar, é preciso avaliar o que cresceu e o que cresceu pouco. Os segmentos pobres da população tiveram um crescimento bem superior a 2%, o que levou milhões a saírem da miséria, outros milhões a ingressarem na classe média, e outros milhões (mais especificamente 7,5 milhões) a arrumarem um emprego.

Lula é o candidato que possui maior apoio político de governadores, prefeitos, presidentes de outros países, intelectuais, artistas, movimentos sociais, centrais sindicais. Conseguiu, às duras penas, ganhar o PMDB, agora o maior partido do Congresso Nacional. Só não tem apoio da mídia corporativa, dominada por meia dúzia de famílias golpistas, que temem, com razão, perder os privilégios que possuem há décadas.

Aí entramos no tema proposto pelo grande jornalista Bob Fernandes, que participou do debate de ontem na Record. Só mesmo Bob para fazer uma pergunta desse quilate. Lula, de início, se esquivou, pois o assunto, de fato, é extremamente delicado. Mas deu uma boa resposta, lembrando que a TV digital deverá alterar relações de poder na mídia televisiva e, nos comentários - depois de Alckmin, virtualmente, disperdiçar seu tempo para não dizer nada - fez observações ácidas sobre os monopólios dos canais de tv em mãos de poucas famílias.

Alckmin nada falou de relevante sobre o tema.

Por fim, nas considerações finais, Alckmin gastou seus 2 minutos com um discurso vazio, bem ao estilo picolé de chuchu, sem emoção, sem conteúdo, no mesmo tom e com o mesmo vocabulário usado ao longo do debate.

Lula, por sua vez, fez um discurso emocionando, autêntico, tocando, pela primeira vez, num ponto sensível: que nunca um presidente foi tão perseguido pela mídia, pelas elites e pela oposição. O que não disse, porque não precisava dizer, é que, enquanto os outros perseguidos se suicidaram (Vargas), não elegeram sucessores (JK) ou foram apeados do poder pelos golpistas (Jango), ele deverá se eleger com uma votação monstruosa, em meio a um governo com aprovação popular em níveis recordes.

Mas não fiquem tristes, tucanos. Com Lula, o Brasil será melhor para todos, inclusive para vocês.

22 de outubro de 2006

Rede Globo X Carta Capital

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Vocês, provavelmente, já estão acompanhando o embate entre a Rede Globo e a revista Carta Capital. O jornalista Ali Kamel, soldado da Globo, divulgou carta em que ataca a revista de Mino Carta. Por sua vez, Carta Capital volta à carga esta semana, e outros jornalistas, como Paulo Henrique Amorim, ajudam a desmascarar as desculpas esfarradas de Kamel para os tropeços éticos da Globo no processo eleitoral.

Leiam aqui a carta de Kamel, publicada no Observatório da Imprensa e, sobretudo, vejam os comentários.

Leiam aqui reportagem de P.H.Amorim desmascarando uma das desculpas esfarrapadas de Kamel.

Muito estranho

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Outra coisa muito estranha é essa história da briga no Leblon, no domingo passado, em que a petista Danielle Tristão teve seu dedo arrancado, a dentadas, por uma outra mulher. A versão da petista, que foi a vítima, é de que o grupo que a acompanhava foi quase linchado, porque eram eleitores de Alckmin. Agora, a mídia, Folha e Globo, publicam opinião da agressora canibal, dizendo que ela vota em Lula e de que tudo não passou de briga de bar.

Ah ah ah. Desde quando briga de bar, no Leblon, termina em dedo arrancado? Desde quando um jornal publica a versão de apenas um lado da história? Porque a Folha não procurou a petista para dar o contraditório. É óbvio que a canibal, temendo um processo maior, faz uso do segredo do voto para escapar de fininho. E também é cálculo, para não prejudicar a imagem da campanha alckimista.

Me engana que eu gosto!

Observatório de Mídia

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Agora eles vão ter que conviver com isso. Sempre que criticarem Lula, vai constar no gráfico do Observatório de Mídia. Vocês tem que acompanhar esse site. É muito importante que se dê visibilidade a esse tipo de monitoramento da mídia por parte da sociedade civil. CPI da Mídia já!

21 de outubro de 2006

Teresa Cruvinel X Reinaldo Azevedo

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Vocês acompanharam o infame e gratuito ataque do Reinaldo de Azevedo contra a jornalista do Globo, Teresa Cruvinel? Tudo começou com Azevedo criticando a jornalista pelo motivo mais fútil e idiota. A jornalista, durante a entrevista do Lula para o Roda Viva, não teria seguido a cartilha rezada por Azevedo: ataque frontal, sectário, ideológico, partidário, ao presidente da República.

Depois, em outro artigo, Azevedo parte para o racismo descarado, chamando Cruvinel de "cabôcra". Chega a ser infantil, mas ele não é criança. É um tremendo dum safado, isso sim, que consolidou sua "carreira" como editor da revista Primeira Leitura, uma das maiores beneficiárias do dinheiro sujo da Nossa Caixa. Essa é a ética do PSDB. Depois é o PT que "aparelha o Estado". Aliás, por falar em aparelhar, esse é outro mito. Quando o PSDB assumiu a presidência da República botou muito mais gente do que o PT. O PT ganhou a eleição, com 54 milhões de votos, tinha mais é que assumir as funções para as quais recebera a chancela do voto popular.

Voltando à Teresa Cruvinel, eu enviei uma carta para ela, que reproduzo abaixo por conter elementos e raciocínio de interesse público.


Prezada Teresa Cruvinel,

esse Reinaldo Azevedo faz isso com todo mundo, na mesma linha do Olavão, seu guru. Ele procura humilhar, tentando enfiar o dedo no que, segundo ele, seja um ponto sensível da pessoa. Suas polêmicas sempre descambam para a baixaria, apelando para o lado pessoal. Mas com essas grosserias inomináveis, ele se revela o que verdadeiramente é: desprezível.

Teresa, tenho admiração pelo seu trabalho. Compreendo como é difícil trabalhar num jornal de grande circulação e escrever sobre política em momentos de forte tensão eleitoral, e acho que você consegue manter uma dignidade e um profissionalismo raros na imprensa nacional.

O sujeitinho está na mesma linha do Mainardi, procura ganhar espaço através da virulência, da intimidação. Sabemos que palavras podem machucar muito mais que socos e pancadas. Eles são os novos torturadores. O pior é que eles são acobertados pela mídia. Se um Paulo Betti fala uma merda, a mídia cai em cima. Se alguém da esquerda fala qualquer bobagem, a mídia cai em cima. Dezenas de especialistas em psicologia, filosofia, história e economia são recrutados para analisar e reverberar o menor deslize cometido por um indivíduo. Agora, quando um Reinaldo de Azevedo, um Olavo de Carvalho, um Mainardi, aprontam das suas, a mídia protege. Isso realmente é estarrecedor.

Entretanto, querida Cruvinel, tenho fé que saberemos vencê-los, e até me emociono ao dizer isso. Saberemos vencê-los não apenas com a força de nossa inteligência, de nossa cultura, de nossa dignidade, mas sobretudo com a veemência de nossa paixão pela verdadeira democracia, aquela antiga e tradicional democracia, em que o que vale mais é o voto, a vontade popular, e não a opinião nervosa de quem se crê dono de todas as verdades.

Agora que a esquerda está, definitivamente, consolidada no Brasil, pessoas como Azevedo, vêm tentando desqualificar o valor do voto na democracia, ao mesmo tempo em que valorizam a função policial de determinadas instituições, as quais eles procuram politizar. São as vivandeiras dos tribunais, conforme denunciou outro dia um colunista, lembrando a época das vivandeias dos quartéis, os políticos que rondavam os círculos militares nos momentos de crise política. Deixem que quebrem a cara. Uma hora ou outra, o povo, que eles desprezam tanto, de forma inclusive racista, conforme Azevedo deixou bem claro ao intitular seu infame artigo de "cabôcra teresa", uma hora ou outra, o povo olhará esses racistas nos olhos, como no belo filme de Roberto Farias, O Assalto ao Trem Pagador, e os racistas mijarão nas suas próprias calças.

O povo também é a opinião pública (não confundir com opinião publicada), que certamente ficará chocada ao saber de mais essa infâmia. Cito Cícero, conclamando o Senado a castigar os conspiradores contra sua vida.


Hosce ego video consul, et de republica sententiam rogo; et, quos ferro trucidari oportebat, eos nondum voce vulnero.

Eu, cônsul, vejo-os e peço um parecer sobre a república,
e ainda não firo com a palavra
aqueles que era preciso
que fossem trucidados a espada!

Favas contadas?

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Praticamente. Os 24 pontos de vantagem de Lula sobre Alckmin, segundo pesquisa do Ibope divulgada ontem, correspondem a mais de 25 milhões de votos. A vitória está garantida. Só espero que não apareça mais nenhum débil mental do PT para estragar a festa na última hora.

Lula ganha cada vez mais apoios. É como se diz, a História tem suas razões. O segundo turno trouxe Lula para o centro do palco, para os debates, para as ruas, obrigou-o a desenferrujar-se do embate político, arte na qual, mesmo seus adversários admitem, é um exímio combatente. A mesma coisa aconteceu conosco, eleitores e cidadãos. Fomos obrigados a nos expor de forma mais transparente, a deixar a timidez política de lado, a abandonar a postura confortável de ver o Lula ganhar sem muito esforço. Falo por mim, é claro, porque acompanho o trabalho duro dos companheiros, para dar só alguns exemplos, dos sites Informante, Beatrice e Amigos do Presidente, além da extraordinária atividade da blogosfera lulista.

Ontem, recebi em casa meu amigo Juliano Guilherme dos Santos, autor da obra que ilustra esse blog (no alto da coluna da direita), e filho do nosso querido Wanderley Guilherme dos Santos. Ele comentou que cancelou a assinatura do Globo depois que o jornal publicou entrevista de Demétrio Magnoli na capa do segundo caderno. Magnoli tentou ofender a honra intelectual de Wanderley, taxando-o pejorativamente de "intelectual petista". Ora, Wanderley tem mais de 30 anos de estudos, livros publicados, artigos, experiência editorial, e vem um bobo-alegre mal saído das fraldas acadêmicas, falar um negócio desses?

Juliano contou-me que, no dia seguinte à entrevista, o próprio jornal Globo ligou para casa de Wanderley, oferecendo direito de resposta. Wanderley nem quis. Respondeu que nem se daria ao trabalho: "o que vem de baixo não me atinge", disse. Também recebeu telefonemas de dezenas de intelectuais, pesquisadores e acadêmicos, inclusive da direita, prestando solidariedade pela diabrite de Magnoli.

Então é assim: intelectual de verdade é o que defende o PSDB e escreve pro Globo ou pra Veja. O resto são "intelectuais petistas". Intelectual é ele, Magnoli, Reinaldo Azedo, Arnaldo Rancor, Diéca Maimerda, esses caras. Que importa se Lula terá mais de 60 milhões de votos e aprovação de 63% do eleitorado? Que importa se o PT foi o partido mais votado do Congresso Nacional? A ordem é falar mal do PT e ponto! Quem não seguir a ordem é "intelectual petista".

Pelo que tenho observado, não basta o "intelectual" ou "jornalista" eximir-se de qualquer tímida tentativa de elogiar o governo Lula. Se o sujeito não rezar na mesma cartilha da "turma" tucana, reverberando todos aqueles bordões anti-lula que a gente conhece e adotando expressamente a postura hostil, agressiva, histérica, que vemos nos "colunistas" anti-lula, então o cara é vendido pro Lula.

Hoje, na imprensa brasileira "convencional", ou seja, na imprensa escrita ou televisiva corporativa é proibido não falar mal de Lula.

Vejam vocês que a rede Globo tirou o Franklin Martins e botou em seu lugar o débil mental do Alexandre Garcia para fazer comentários políticos no Jornal da noite. Triste figura, esse Garcia, com seus comentários chochos, medíocres, óbvios.

Outra vez, há males que vem pra bem. Quem perdeu foi a Globo, que pôs sua ideologia acima da valorização do mérito profissional. Ganhou a Band, ganhou Franklin que tem agora muito mais espaço do que tinha na Globo e, sobretudo, ganhou o Brasil que agora pode acompanhar debates sobre o processo eleitoral pela rede Bandeirantes de uma forma infinitamente mais isenta e respeitosa com nossa inteligência do que vem fazendo a Globo.

Pois bem, eu e o amigo Juliano estávamos trocando idéias aqui em casa e mostrei a ele vários sites políticos ou de crítica midiática. Mostrei a ele como a internet vem permitindo a INTERAÇÃO. Entrei no site do Observatório da Imprensa e mostrei as centenas de comentários de estudantes, bancários, atletas, comerciantes, donas de casa, oceanógrafos, jornalistas e todo tipo de gente, criticando duramente a postura tendenciosa da imprensa brasileira e defendendo o presidente Lula. Ele, que não tem internet em casa, contou que estava muito revoltado com a tentativa da mídia de manipular sua consciência, e ficou, é claro, alegremente surpreso ao ver que não estava sozinho, que milhares de pessoas também estavam revoltadas e participando politicamente através desses comentários que, conforme diz meu mais ativo comentarista, "são verdadeiras mini-crônicas". E são mesmo. Muitas vezes é muito mais divertido e esclarecedor ler os comentários a um artigo ou nota publicada no Observatório ou Noblat do que o próprio texto do autor.

Aliás, podemos até elaborar uma espécie de guia eletrônico: no Observatório encontramos comentários mais elaborados, extensos, reflexivos e moderados, e não só porque lá existe controle, mas por conta da própria característica do site e do maior espaço concedido. Já nos blogs corporativos, do Noblat e Josias de Souza, por exemplo, os comentários são breves, sarcáticos, violentos, cômicos, nervosos, ferozes.

E, quem diria, Francisco Oliveira e Caetano Veloso agora votam em Lula! Falta agora só a Heloísa Helena também "lular".

20 de outubro de 2006

Cruvinel é que salva o Globo

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Descobri esse post (abaixo) da Teresa Cruvinel, publicado há 4 dias, mas que ainda é válido para termos uma visão mais esclarecedora do caso do Dossiê.

*

Reinaldo Azedo, o monstro, comprou briga com Teresa Cruvinel, porque ela teria dado "um alívio" à Lula durante a entrevista do presidente no Roda Viva. Azedo, como sempre, apela para a baixaria intelectual. Não gostou de ser chamado de "desonesto intelectualmente", mas é isso exatamente o que ele é. Esse vendido que, durante anos, recebeu dinheiro sujo do governo Alckmin, através dos contratos de publicidade ilícitos com o Nossa Caixa, conforme várias denúncias, inclusive do Tribunal de Contas.

O que quero ver é se o Globo vai proteger uma de suas mais antigas jornalistas ou irá fazer o mesmo que fez com Franklin Martins.

Só quero ver. Ainda compro o Globo de vez em quando. Agora, se a direção do jornal não defender SUA JORNALISTA, ou seja, se der razão à baixaria de Azedo, eu prometo nunca mais comprar o Globo. O triste é que a pessoa, acostumada a ganhar os altos salários de colunista especial, fica com medo de perder o emprego. Ainda mais se a direção do Globo não inspira segurança de que está do lado de seus jornalistas, mesmo que estes mantenham opiniões nem sempre 100% alinhadas com a linha editorial do jornal.

Será que o departamento financeiro desses jornais já advertiram os diretores de jornalismo sobre o fato de que, se Lula tem imagem positiva recorde no país, esse tom ofensivo e desrespeitoso cria antipatia e cancelamento de assinaturas junto ao público consumidor? Quanto dinheiro esses imbecis têm para perder antes de mudarem de postura?

*

Leiam o post da Teresa.


Enviado por Tereza Cruvinel - 16/10/2006 - 0:46
O incrível delegado Bruno

Muitos me pediram um comentário sobre a matéria de Carta Capítal a respeito do vazamento das fotos da dinheirama do dossiê pelo delegado Bruno, num acerto com jornalistas. Uma excelente reportagem de Raimundo Pereira, grande repóirter.

Estes colegas, a meu ver, viveram uma escolha de Sofia mas foram profissionais. Ganharam de bandeja a notícia que todos procuravam nos últimos dias. E num encontro coletivo entre concorrentes, o que tornou o material ainda mais importante. Quem o desprezasse seria furado. Viram-se também diante de um dos offs mais esquisitos da historia do jornalismo. O sujeito dizia que se apropriou do material, deixava claro que tinha interesse político em sua divulgação, com o claro propósito de influir na eleição que ocorreria dentro de algumas horas. Mais ainda, informa-lhes que vai mentir, lavrar um boletim de ocorrencia criminoso, falso, dizendo que foi roubado.

Que podiam fazer os jornalistas? A meu ver, nenhum jornalista do mundo diria: "estou fora". Todos pegariam o material e iriam discutir com suas chefias o que fazer, como publicar, como tratar o off. O resto, não foi responsabilidade deles mas de seus chefes, editores etc. As matérias que despistam a identidade do vazador, na Folha e no Estadãop, não precisavam ser feitas. Este expediente serve para desmoralizar o off, um instrumento importante do jornalismo, na defesa da informação de utilidade pública. Aqui entra o conflito: as imagens do dinheiro eram de interesse público? Eram, os eleitores tinham direito a conhecê-las. A Constituição garante a todos o acesso à informação e o dever dos meios de comunicação é propiciar este acesso. Havia interesses particulares, politico-eleitorais, em jogo? Talvez houvesse, da parte do delegado. Se os veiculos optassem por jogar fora o CD do delegado, estariam sendo éticos? Não estariam também omitindo informação de interesse público? Não estou aqui para julgar os jornalistas e os editores. Acho que agiram profissionalmente, embora o uso do off no Brasil venha cobrando uma boa reflexão.

Mas vamos ao incrível delegado Bruno, cuja atuação é para lá de suspeita. Se estava ressentido por ter sido afastado do caso, como disse depois, sua melhor arma era a denúncia. Ele já havia dado uma entrevista 'a Folha e nela disse que seu afastamento era natural, afinal, estava apenas de plantão no dia das prisões. Por que mesmo os aloprados do PT ficaram 3 dias no hotel com o dinheiro e só foram presos no dia do plantão dele? Raimundo, na matéria, enumera todas as transgressões que Bruno cometeu neste processo: mentiu para poder fazer as fotos, mentiu de novo ao lavrar o boletim de ocorrência dizendo que o CD foi roubado. A historia do dossiê tem que ser esclarecida, a origem do dinheiro e tudo mais, mas também as estripulias do delegado Bruno.

Há informações na PF sobre a sessão de tortura psicológica que ele teria feito com Gedimar e Valdebran para que acusassem Freud Godoy. Não sei se procedem. Janio de Freitas, hoje na Folha de São Paulo, também levanta aspectos estranhos desta história. No PT, há convicção de que os aloprados foram atraidos para um armadilha. Delirante, dizem todos, e parece mesmo delírio. Como se Bush tivesse mandado explodir as torres gêmeas para desencadear sua guerra ao Islã, alguém escreveu neste domingo. Vedoim teria oferecido o dossiê dizendo que recusou 10 milhões de Abel Pereira mas preferia ter proteção jurídica do Governo Lula, certa que parecia a eleição de Lula no primeiro turno. Ter-lhes-ia dito: Podem ir ao Hotel tal e confirmar se o Abel não está hospedado lá. E estava mesmo. O olho cresceu. Estavam em Cuiabá, para a conversa com Vedoin, o Expedido, do Banco do Brasil, e o Bargas. Só uma semana depois, na hora de gravar entrevista, Vedoiin a teria condicionado ao pagamento de dois milhões de reais. Teriam que ser entregues em SP ao um enviado seu, com o dossiê em mãos, mas antes mandaria Valdebran Padilha, um petista, para confirmar a existência do dinheiro. Por quê um petista? Nesta visão conspiratória, Vedoin vendeu a Abel a operação "petista com a boca na botija". O delegado Bruno, em seu plantão, seria peça da engrenagem. O dossiê não seria fajuto. Vedoin teria mostrado extratos bancários, ligando Barjas Negri ao esquema (não Serra nem Alckmin), mas ao mandar seu parente para o aeroporto, já sabendo que seria preso, colocou no envelope apenas as fotografias já conhecidas de Serra entregando ambulâncias tendo ao lado sanguessugas - o que nada prova contra ele - e um CD, com as mesmas imagens. Segurou os extratos que teriam interessado tanto aos aloprados. Muito fantástico para ser verade, e ainda que fosse, não suprimiria o fato de que os petistas tentaram comprar um dossie contra os adversarios, para tentar influir na eleição paulista. Mas que os pontos obscuros precisam ser investigados também, isso precisam. O que mesmo estava fazendo Abel Pereira em Cuiabá?

19 de outubro de 2006

Lula dá um banho no debate

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O presidente entrou neste segundo debate, no SBT, muito mais seguro que no primeiro, na Band. Talvez os mais de 20 milhões de votos que ganhou de lá pra cá tenham contribuído. Talvez esteja mais afiado. Alckmin, por sua vez, se mostrou como é: medíocre, repetitivo, chato, robótico, enfim, todos os defeitos que um estadista, sobretudo no Brasil, não pode ter.

Digam aí a opinião de vocês.

Os mestres estão saindo da toca

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Na luta política contemporânea, o embate escrito constitui uma das frentes de batalha mais cruciais. Por isso, sempre ficamos apreensivos quando notamos, no campo adversário, surgirem escribas talentosos ou esforçados. Sabemos-lhes os defeitos e identificamos muitas de suas artimanhas dialéticas, e mesmo assim constatamos, estupefatos, os efeitos letais desses venenos em nosso meio.

Da mesma forma, nos alegramos em saber que nossas mentes desenvolveram anti-corpos para muitos desses vírus em forma de letras. Alegramos-nos mais ainda quando, em nosso campo, surgem guerreiros de grande força, sólida coragem e, sobretudo, insuperável ironia

Foi assim que me senti ao ler esse artigo de Mauro Carrara:

Carta Aberta a Arnaldo Jabor

Cuidado golpistas, os mestres estão saindo da toca!

Ah, e leiam o Observatório da Imprensa! Quando não gostarem do artigo, comentem! Em muitos artigos, os comentários são melhores que o texto do autor.

18 de outubro de 2006

Jean ataca de frente

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Para aqueles que estão cansados de ouvir colunistas dizerem que tanto faz Alckmin e Lula, sugiro ler esse post do Jean Scharlau. Barbaridade tchê!

Cadê a ética no jornalismo

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Os últimos dias trouxeram mais importantes lições para os brasileiros e seus políticos. As pesquisas de intenção de voto mostraram, mais uma vez, que setores da mídia subestimaram desavergonhadamente a inteligência tupinambá. Previram o fim do PT, ou que o partido tivesse uma bancada minguada este ano, e o PT foi o partido mais votado do país. PSDB e PFL seguiram na direção contrária. Perderam deputados, perderam votos. O PFL perdeu a Bahia para o PT. No primeiro turno.

A tão alardeada ética foi pisoteada por repórteres e editores, no episódio das imagens do dinheiro do Dossiê, conforme ficou claro com a divulgação do áudio no qual o delegado Bruno dá uma de cabo eleitoral da campanha de Alckmin. Nada mais anti-republicano que um funcionário da instituição que, por excelência, tem a função de preservar a ordem pública, atue em favor da desordem institucional, querendo interferir, como o fez, no resultado de uma eleição presidencial.

O site Conversa Afiada do jornalista Paulo Henrique Amorim denunciou o golpe de Estado contra a democracia brasileira. A mesma coisa fez a revista Carta Capital.

Nosso bravo Mino Carta, por sua vez, fez jus à sua história de integridade e altivez jornalística, ao mesmo tempo em que atacou, em seu blog (link ao lado), a submissão dos jornalistas nacionais a seus patrões.

Comentários engraçados & pertinentes colhidos em blogs corporativos

5 comentarios

Valter ] [Josias] [São Bernardo do Campo]
Muita calma nessa hora... CALMA!!!! ALCKMIN PFL/PSDB. o que houve nessa última pesquisa DATA FOLHA, foi apenas mais uma oscilação, não foi queda. ele caíu de 43 para 40=oscilação. depois ele caíu de 40 para 38= oscilação. se ele caír de 38 para 36 na próxima pesquisa será apena mais uma oscilação e assim decrescivamente...


Aécio S. de Souza] [Mariana,MG,BR]
Lamentável Roberto Freire compactuar-se e acompanhar TASSO/PSDB e Bornhausen/PFL numa fria dessas!Que triste fim de carreira política, um dia eu te admirei Roberto Freire!Tentar esculhambar a PF foi o cúmulo! Esses dois presidentes desses dois partidos merecem algum respeito, algum crédito? Golpistas! Abre o olho povo brasileiro, conforme o resultado da eleição eles vão propor o impechement(GOLPE)! Isso não aceitaremos!


[Juarez] [Capivari, São Paulo, Brasil]
Lamentavelmente temos que enfrentar a realidade da imprensa brasileira. Agora amigos, cabe a nós usarmos da maior arma que possuimos, que é o voto, e eleger o Lula novamente Presidente. Enquanto a imprensa, a dois anos deixei de assinar a Folha de SP e o Estadão e não me arrependo, de modo que, se cada um de vocês fizerem o mesmo, daremos a resposta que eles merecem razão pela qual, a parcialidade elitista de ambos os jornais, juntamente com as grandes emissoras da TV brasileira está ficando cada dia mais evidente. Sobre o Josias, é apenas um "pau mandado" que tem que seguir as ordens de seus superiores da Folha de São Paulo. Portanto, deixem de assinar a Folha de São Paulo, Estadão e outros jornais que sempre foram elitistas no Brasil e nunca querem perder o poder. Infelismente Josias, É LULA DE NOVO COM A FORÇA DO POVO: 60% sessenta porcento do eleitorado...E vai subir... O tiro saiu pela culatra para vocês e os TUCANALHAS.



João Eleitor] [Brasil]
A Verdade é que a Polícia Federal ganhou autonomia pra trabalhar e apresenta diariamente excelentes resultados para a sociedade brasileira. Ao contrário do que ocorria no governo anterior. Esta é a Verdade.

Olha só que bonito

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Rio, 13.10.2006

Carta ao PDT de Beth Carvalho, vice- presidente de honra do PDT, título dado carinhosamente por Brizola em seus governos.

Estimado amigo Carlos Lupi, Presidente Nacional do PDT.

Cumprimentando-o cordialmente, quero expressar minha estranheza diante de notícias indicando que o PDT iria apoiar o candidato Geraldo Alckmin no segundo turno. Nada mais absurdo.

Seria como uma vergonhosa conciliação do trabalhismo com a UDN de hoje e de sempre, os que defendem os interesses estrangeiros no Brasil e que realizaram o maior processo de privatização e internacionalização de patrimônio público de que se tem notícia no mundo!

Se bem é verdade que o atual governo tem limites e erros, inclusive muitos de gravidade, seria uma infantilidade imaginar que o Alckmin, que acaba de privatizar por 1 bilhão de reais a Empresa de Transmissão de Energia Elétrica de São Paulo, avaliada em 11 bilhões, poderia algum dia ser aliado dos trabalhistas. Jamais! Vale registrar que nesta privatização, ocorrida em julho, o edital, estranhamente, proibiu a participação de empresas estatais brasileiras no leilão - e havia a COPEL do Paraná interessada - com o que uma empresa lucrativa terminou nas mãos de uma empresa estatal colombiana, cujo controle acionário, hoje, está em mãos de capital norte-americano. Esse é o Alckmin.

Os erros do governo Lula devem ser corrigidos urgentemente, tarefa da qual se ocupa hoje todos os movimentos sociais que também apóiam criticamente o atual governo, mas não se pode negar que houve algumas alterações políticas corretas e nada desprezíveis. A política externa brasileira, pela primeira vez em muitos anos, defende corretamente os interesses nacionais. Houve um freio no processo de privatização que estava em curso desde Collor de Mello, ampliou-se, ainda que timidamente, os investimentos em programas sociais, o protagonismo do estado começa a ser retomado, como por exemplo na recuperação da indústria naval , está em curso a recuperação do salário mínimo e os movimentos sociais deixaram de ser criminalizados. É claro que estes pontos positivos não esgotam a necessidade de um projeto de nação mais definido, tal como sempre nos lembrava constantemente o nosso saudoso Leonel Brizola. Porém, o candidato Alckmin é representante de um projeto rigorosamente antagônico a tudo o que o trabalhismo sempre defendeu e defende.

Entretanto, quero chamar a atenção para um aspecto que me parece importantíssimo na política do Governo Lula: a defesa da integração latino-americana! Não por acaso os EUA criticam constantemente o Itamaraty, como também a mídia controlada pelos anunciantes multinacionais. E esta integração latino-americana é estratégica para consolidar Cuba e Venezuela, para permitir uma autonomia dos países latino-americanos frente aos grilhões da política dos EUA, assim como, para garantir uma alternativa concreta, solidária e cooperativa, dos nossos povos diante da pressão estadunidense para impor a ALCA, que o candidato Alckmin já indicou ser defensor.

Não poderia deixar de falar no plano cultural há uma política pública, que, mesmo sendo aquém do necessário, ela prioriza a retomada do cinema brasileiro, o acesso do público a espetáculos musicais que circulam todo o país, como o Projeto Pixinguinha, a criação dos Pontos de Cultura junto a comunidades carentes. É claro que ainda falta uma mudança substancial na política de comunicação, mas quando se fez uma tentativa, com a proposta da Ancinav, os representantes do império e o coronelismo eletrônico tupiniquim, fizeram uma devastadora campanha de desconstrução da proposta, até que fosse retirada.

Neste sentido, não há o menor cabimento do PDT ter sequer dúvidas sobre quem apoiar: deve apoiar o companheiro Lula, numa aliança que inclui até mesmo Hugo Chávez, Nestor Kirchner e Evo Morales, os movimentos sociais, os intelectuais e artistas progressistas, a igreja popular, os sindicatos, o empresariado nacional. É isto o que está em jogo agora: Lula, com um projeto em construção, passível de ser corrigido e aprofundado, em defesa dos interesses populares e nacionais, e Alckmin, com o outro projeto, que favorece ao capital estrangeiro, à retomada do controle do estado pelos neoliberais levando o Brasil a um distanciamento da América Latina, à uma submissão à Washington, e uma volta à repressão aos movimentos sociais como se viu na triste era FHC, cuja meta, como lembram-se todos, era destruir a Era Vargas!

O PDT deve recomendar o voto em Lula e apresentar um programa com pontos programáticos trabalhistas a serem incluídos na política do próximo governo.

Saudações Brizolistas e trabalhistas.

Beth Carvalho


PS: Infelizmente o PDT optou pela neutralidade. Na minha opinião ficar neutro neste momento grave da história brasileira é, de fato, negar os ideais de Vargas,Brizola, Jango, Pasqualini e tantos outros trabalhistas. É omissão ,é favorecer a direita.

Beth Carvalho
Rio,17/10/2006

16 de outubro de 2006

Igual a você, eu já comi mais de cem

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O sociólogo e "polemista" Demétrio Magnoli conseguiu emprego no jornal Globo. Função: falar mal do Lula e do PT. Já chegou dando entrevista desancando qualquer cidadão ou intelectual que ousa apoiar a esquerda no Brasil ou no mundo. Mais um cupincha de Olavinho Carvallho, Reinulde Azedo e Arnóbio Rancor. Tá bem. Como diz o roqueiro,

Se você quer brigar, e acha que com isso estou sofrendo.
Se enganou meu bem.
Pode vir quente que eu estou fervendo.

14 de outubro de 2006

A Globo mente sobre privatizações

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Editorial deste sábado do jornal O Globo mente sobre as privatizações. O texto cumpre a notória função de fazer a defesa política de seu candidato, Geraldo Alckmin, cujo partido, o PSDB, durante os oito anos de governo Fernando Henrique Cardoso, promoveu dezenas de privatizações, feitas a toque de caixa e, conforme admitiu o próprio FHC, "no limite da responsabilidade".

A defesa do Globo é absolutamente simplória. Diz assim: "os números são irrefutáveis: a Vale hoje emprega mais nove mil pessoas do que na época de controle estatal; de vigésima maior produtora de minério de ferros deve se converter na segunda e seu lucro foi multiplicado por dezesseis."

Em primeiro lugar, srs.editorialistas do jornal O Globo, nada é irrefutável. Antes, dizer irrefutável num jornal é um tremendo autoritarismo. Se os srs.escrevessem isso num blog de internet, observariam milhares e milhares de respostas refutando, muitos apresentando estudos e provas cabais, esses argumentos. Assim como farei agora.

Sobre os tais nove mil empregos a mais gerados pela Vale, primeiro que nem levo fé muito nisso. Temos que ver a qualidade desses novos empregos e quais foram eliminados. Mas, definitivamente, a questão da Vale não é de emprego. A importância da Vale, e o Globo sabe disso, é econômica, ECONÔMICA, Visto se tratar duma das maiores e mais antigas estatais nacionais, responsáveis por um dos setores mais estratégicas do mundo: a exploração de recursos minerais.

O fato é que, mais uma vez, o Globo, a mídia em geral, todos os colunistas, todos sempre fraudaram a sociedade brasileira de explicações mais consistentes sobre os fatores que levaram os lucros da Vale a se multiplicarem por "dezesseis" após a privatização. Em primeiro lugar, a Vale foi sucateada pelos oito anos de FHC, assim como o foi a Petrobrás. Em vez de realizar uma profunda reforma na Vale, resolveram vendê-la a preço de banana. Pior, venderam por moedas podres, 3 bilhões de dólares. Hoje se calcula um deságio de 80 a 90 bilhões de dólares. Definitivamente, não é uma quantidade que caiba numa cueca, e daria para a compra de 1 milhão de Land Rovers.

Não repetirei os argumentos contra a privatização da Vale apresentados em artigo abaixo, intitulado Reflexões de um ex-pessimista, mas acrescentou outros. No ano passado, sintomaticamente pouco antes da eclosão da "crise política", uma juíza federal aceitou liminar contestando a validade jurídica da venda da Vale, por conta das milhares de irregularidades encontradas. Entre elas, estava o fato de que jazidas inteiras de ouro e outros materiais preciosos, não foram incluídas no preço de venda da companhia. Outra denúncia, a jazida brasileira de urânio não foi devidamente avaliada, nem poderia ter sido vendida junto com a Vale, pois o Brasil tem compromissos internacionais contra a proliferação de material nuclear.

Enfim, são muitos os argumentos. Eventualmente, um ou outro argumento pode não ser válido, mas, no conjunto, eles formam um GRANDE ARGUMENTO contra a criminosa privatização da nossa querida Vale do Rio Doce.

Os mesmos que defenderam a privatização da Vale agora querem eleger Geraldo Alckmin, que mentirosamente, diz que não vai privatizar nada - no mesmo discurso em que promete privatizar o Boeing da Força Aérea Brasileira, popularmente conhecido como Aerolula.

Conforme se aproxima a data do pleito, é estarrecedor observar a parcialidade com que os meios de comunicação estão se comportando. Merval Pereira se refere a José Serra, na sua coluna de hoje (sábado, 14/10), como político de "reconhecida capacidade administrativa e inegável visão de estadista", no mesmo texto em que chama Lula de "camaleão". Sr.Pereira, onde estava a reconhecida capacidade administrativa de Serra quando não viu, operando sob suas barbas, vampiros e sanguessugas? Onde estava a visão de estadista de Serra quando se associou à "privataria" promovida por FHC?

Está cada vez mais claro que existe, no Brasil, uma direita retrógrada, corruptora, que comprou a caneta de dezenas de colunistas para defenderem seu projeto de poder. Essa direita é dona de jornais e revistas. Seu mal é não compreender que não é dona do Brasil.

12 de outubro de 2006

Harold Bloom com vista para o morro da Mangueira

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Ontem passei algumas horas na varanda da biblioteca da Uerj, local que frequento há muitos anos. A vista dá para o morro da Mangueira, imponente e cheio de personalidade, o metrô, o trem, ao fundo a baía de guanabara e a ponte rio-niterói.

Fiquei lendo O Cânone Ocidental, de Harold Bloom, famoso crítico literário norte-americano. Bloom defende uma visão eminentemente estética da arte, ou seja, que contemple a arte sem falsos moralismos ou viciados sociologismos.

Interessante notar que Bloom, a despeito de sua erudição, procura dismistificar qualquer suposta superioridade do homen "intelectual" frente aos demais cidadãos. O estudo dos clássicos, ou cânone, não nos tornaria pessoas melhores. Pelo contrário, se baseássemos nossa moral apenas no estudo dos clássicos nos tornaríamos monstros de egoísmo, diz ele.

A afirmação de Bloom me fez lembrar de inúmeros "intelectuais" brasileiros metidos a besta e a publicistas políticos, que se gabam tanto de seus conhecimentos literários, apesar do péssimo uso que fazem deles. A ideologia é burra, é um dos lemas da nova direita, omitindo de si mesma que a máxima vale tanto para a esquerda quanto para a direita.

Bloom não se ocupa de que forma os homens podem se tornar melhores. Seu campo é a estética, e para operar livremente ele afasta qualquer inferência moral ou política da análise literária.

Antônio Cândido, o famoso crítico brasileiro, não é tão peremptório quanto Bloom. Cândido tentará realizar uma síntese dialética entre a análise literária puramente estética, defendida por Bloom e a sociológica, defendida por outros autores.

Confesso que me inclino mais para a posição de Bloom, embora reconheça a coerência lógica do entendimento de Cândido, cuja estrutura teórica, inclusive, me parece melhor indicada para dar conta das transformações inerentes ao uso da internet como veículo de comunicação literária.

A grande novidade da internet, no terreno da literatura, a meu ver, é a interação, que transforma a maneira como lemos e, consequentemente, também irá mudar a forma como escrevemos um texto.

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Frases interessantes pescadas no livro de Bloom:

"Resenhar livros ruins, observou certa vez W.H.Auden, faz mal ao caráter".

"Ler os melhores escritores, digamos, Homero, Dante, Shakespeare, Tosltói, não nos tornará melhores cidadãos".

"A arte é inteiramente inútil, segundo Oscar Wilde, que geralmente tinha razão a respeito de tudo".

"Toda má poesia é sincera".

"O Cânone Ocidental, seja lá o que for, não é um programa de salvação social".

"A gente só entra no cânone pela força poética, que se constitui basicamente de um amálgama : domínio da linguagem figurativa, originalidade, poder cognitivo, conhecimento, dicção exuberante".

"Se lermos o Cânone Ocidental para formar nossos valores morais, sociais, políticos ou pessoais, creio firmemente que nos tornaremos monstros de egoísmo e exploração".

"Ler a serviço de qualquer ideologia é, em minha opinião, não ler de modo algum". (essa vale para certo jornalista político que acha que Dante e Robert Musil escreviam para defender o PSDB)

"Ler a fundo o cânone não nos fará uma pessoa melhor ou pior, um cidadão mais útil ou nocivo".

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Artigos políticos que aconselho neste feriado:

1) Perguntas de um trabalhador que lê... a "Folha de S. Paulo" .
2) O dossiê do dossiê III: a reviravolta
3) 4 perguntas sobre ética jornalística

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O romance Assunção de Salviano, de Antônio Callado, é uma sucessão de clichês. A escrita de Callado é elegante, como sempre, mas a história em si é fraca. Além disso, há um artificialismo visível no texto, como se pudéssemos enxergar suas engrenagens íntimas. O romance conta as aventuras de uma célula comunista em Juazeiro, Bahia, que trabalha para produzir um foco revolucionário no Nordeste. Um dos "quadros" simula uma conversão religiosa e torna-se um "profeta", uma espécie de Antonio Conselheiro, pregando a fé e a revolução social. Ocorre que Manuel Salviano acaba assumindo de verdade o papel que lhe cabia apenas representar e passa a acreditar em Deus, pregando cada vez menos a revolução e mais a salvação da alma. As multidões passam a venerá-lo e até milagres acontecem. O enredo em si não é mal, apesar de ser um tanto forçado (o autor queria incluir luta de classes, comunismo, revolução, na história, certamente por serem, na época, temas polêmicos). Os defeitos são muitos, mas pode-se resumi-los por: diálogos banais, dicção pobre, trama medíocre e inverossímil e personagens simplórios, maniqueístas, previsíveis.

9 de outubro de 2006

Pós-análise do debate: Lula venceu

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De posse das repercussões do debate, é válido agora fazermos uma pós-análise do debate, projetando luz dessa vez não apenas na perfomance dos oponentes, mas na maneira como as pessoas reagiram.

Essa minha pós-análise é favorável à Lula. Eu tinha imaginado que a agressividade e a boa dicção de Alckmin, em oposição a uma atitude mais suave de Lula, poderiam reverter em favor do candidato do PSDB.

Entretanto, o que se viu foi uma reação bastante negativa aos canhestros ataques de Alckmin, uns óbvios e oportunistas - como no caso do dossiê - e outros apenas inócuos e vazios, como no caso do Aerolula.

Lula respondeu com suavidade, mas respondeu bem. O caso do dossiê apenas prejudicou a candidatura dele, e beneficiou a de Alckmin. Usando o termo "maquiavélico", Lula sinalizou que não descarta a hipótese de um complô idealizado por setores da campanha adversária, que teriam até mesmo subornado petistas para serem pegos com "a mão na botija".

É ponto quase consensual também que Lula foi crescendo no debate. Esse crescer deverá prosseguir nos próximos encontros, com o presidente mais preparado para o que virá. Alckmin conseguiu seu apogeu logo no início, falando grosso e alto e usando o tema do dossiê, hiper-requentado pela mídia, para debilitar o adversário. Lula é um sujeito bem sensível a questão ética. Está sempre preocupado em não falar leviandades nesse tema, à diferença do adversário, para quem seu governo nunca cometeu e nunca cometerá erros.

A arrogância de Alckmin foi notada por todos. Arrogância, prepotência e grosseria daqueles que estavam acostumados a mandar no país. Lula demonstrou humildade do sertanejo, que sabe falar com modéstia, mas está seguro de sua peixeira pendurada na cintura. Em certos momentos, soube usar argumentar com muita propriedade, comparando a situação do país em 2002 e a de hoje.

Enfim, acho que, em face dessa repercussão, a perfomance de Lula se mostrou convincente, autêntica, humilde e carismática, enquanto a Alckmin desfiou clichês, grosserias e empáfia.

Jacques Wagner, governador eleito da Bahia, deu uma dica sobre a razão do nervosismo de Lula. É uma coisa que eu também tinha imaginado quando o vi tão tenso. Lula não é frio, não é de gelo, é feito da mesma têmpera de um Getúlio Vargas, que se suicidou em 1954 devido às fortes pressões emocionais que sofreu na mídia. Lula não se mataria, mas continua abatido com os ataques que sofre diariamente. Mais uma razão para o povo brasileiro vingar Lula e impor uma derrota acachapante a essa direita retrógrada, pedófila, corrupta, hipócrita e genocida.

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Resolvi rever a entrevista, que está disponível na internet (aqui), e fiquei mais seguro de que Lula foi mais substantivo, respondeu cabalmente todas as questões, mesmo as mais difíceis, e soube apontar, também, muito bem os problemas causados ao país pelo PSDB.

8 de outubro de 2006

Análise do debate

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Acabei de assistir ao debate. Analisemos objetivamente. É muito fácil a turma do Alckmin considerar perfeita a perfomance de seu candidato e a de Lula adotar a mesma atitude. Avançamos conceitualmente e nos comportamos com maior percuciência quando nos prontificamos a avaliar erros entre nós mesmos e acertos nos concorrentes.

Alckmin soube, muito inteligentemente, cortar a bola que a mídia levantou. Ao mesmo tempo, toda a pressão emocional dos últimos anos da mídia sobre o presidente estava bem nítida em seu rosto tenso e preocupado.

Também ficou claro que esta eleição, mais que nunca, é uma disputa de classe. Alckmin, que chamou Lula de arrogante, mentiroso, e não sei mais o quê, foi ele sim extremamente arrogante, exibindo um firme sorrisinho de ilimitada auto-confiança. Me pareceu o debate entre um menino rico, orgulhoso, que a vida inteira foi mimado, vereador com quinze anos, prefeito aos dezoito. Do outro lado, Lula apresentou-se em sua essência, um trabalhador pobre, humilde, um pouco triste, sem o orgulho de raça e classe que caracteriza o adversário.

O que houve foi um embate, carregado de simbolismos, entre o cínico e o sensível. Alckmin encarnando o cínico, numa atitude robótica, texto decorado, exageradamente feliz em exibir os problemas do Brasil, apressado em denegrir Argentina, Bolívia, China, com vistas a exaltar um discutível patriotismo. Lula encarnando um cara sensível, ainda perplexo, abatido, com sua não-vitória no primeiro turno, por causa de uma estranhíssima armadilha em que meia dúzia de petistas tiveram suspeitíssima participação.

A vantagem de Alckmin é que a mídia produziu um ambiente perfeito para o ataque. Seu depoimento foi uma repetição do que dizem todos os colunistas que o apóiam.

Mesmo assim, não acho que Lula foi bem. Estava muito nervoso, com algumas dificuldades de dicção, inclusive. Entretanto, achei isso normal, humano, compreensível seu nervosismo. Lula é presidente, está no fim de um governo cujas ações estão sendo constamente sondadas, criticadas, questionadas pela mídia. Lula tem um teto de vidro bem maior do que Alckmin, que foi um governador que sempre contou com grande simpatia da poderosa mídia de seu estado.

O importante é que ele participou, mostrou a cara, e quebrou o gelo. Nos próximos debates, certamente estará mais preparado, em virtude da experiência adquirida neste primeiro.

Alckmin falou rápido, de forma simples, didaticamente. Soube explorar os "pontos-fracos" do adversário. Seu erro foi na atitude absurdamente arrogante. Estava quase explodindo de auto-confiança, pois não esperava ganhar no primeiro turno. Contava com uma derrota fragorosa que o enterraria politicamente, e agora está aí, representando uma forte ameaça à reeleição de Lula.

No entanto, Alckmin caiu no ridículo com a promessa de vender o Aerolula e construir cinco hospitais. Demogagia barata, lembrou até seu novo grande amigo e apoiador, Garotinho. A crítica ao Aerolula foi, em si, totalmente mesquinha. É uma crítica antiga, já desgastada na opinião pública, exaustivamente respondida.

Meus caros, a luta será dura.

Reflexões de um ex-pessimista

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Quem acompanha este blog sabe que seu autor foi tomado por uma espécie de "ira santa" contra os aloprados petistas que, por conta de seu envolvimento com o famigerado DOSSIÊ, acabaram servindo os interesses adversários e colaborando decisivamente para haver um segundo turno nas eleições presidenciais.

Antes do DOSSIÊ, as pesquisas apontavam uma vitória tranquila de Lula no primeiro turno. Mais que isso, a popularidade de Lula havia alcançado níveis recordes. A avaliação positiva do governo subira para 62%, patamar jamais atingido por outro presidente, em qualquer época. Algumas semanas antes, aqui no Rio, o Jornal do Brasil, cujo proprietário é histericamente anti-lulista (apesar de abrigar, entre os quadros do jornal, alguns notáveis combatentes do jornalismo político democrático, como Mauro Santayanna), estampara o manchetão: Rio faz as pazes com Lula. A reportagem dizia que a zona sul carioca, região que concentra a elite econômica, cultural e política da cidade, havia, segundo as pesquisas, voltado a confiar em Lula.

Entrementes, o DOSSIÊ caiu como um bomba, ou melhor, como ácido sobre feridas ainda não cicatrizadas. E afugentou novamente a classe média de Lula. Dentro do caldeirão de bruxa da manipulação midiática, a história foi transformada numa verdadeira hecatombe eleitoral.

Por isso a minha raiva, seguida de um pessimismo enorme, principalmente em virtude da reação tíbia de algumas lideranças do PT a um episódio tão prejudicial aos seus próprios objetivos eleitorais. Essa característica auto-destrutiva do PT, herança do mais barato trotskismo de centro-acadêmico, tem causado muito mal à esquerda nacional.

Bem, parece que nossa voz foi ouvida. Os cinco petistas envolvidos foram expulsos sumariamente do partido e Berzoini, responsável por ser presidente do partido e da campanha, foi afastado. O susto parece ter servido de lição ao PT. Política não é para aventureiros, palhaços, aloprados ou sectários. Política é o espaço, por excelência, da negociação inteligente e do cuidado consciente com a imagem dos representantes e instituições, visto que esta imagem, junto com estatísticas e outros indicadores, é que irão transmitir idéias e valores que permitem ao eleitor tomar uma decisão.

Hoje estou otimista em relação a vitória de Lula. As pesquisas dos últimos dias o mostram com mais de 7 pontos percentuais à frente de Alckmin, o que significa mais de 8 milhões de votos de vantagem. Acredito que há condição para crescer, e que essas últimas medidas tomadas devem contribuir para uma recomposição da imagem do partido e de Lula junto a uma parte dos eleitores, sobretudo entre os que votaram em Heloísa Helena e Cristóvão Buarque e que, agora, deverão optar por Lula por uma questão de afinidade ideológica. Tenho ouvido, entre pessoas próximas que não votaram em Lula, afirmações categóricas de que agora o farão, por rechaçarem a perspectiva sombria de sermos governados, nos próximos quatro anos, pelo OPUS DEI GERALDO ALCKMIN.

Na realidade, dou toda a razão para meu blogueiro preferido, Eduardo Guimarães, de que existe sim um complô muito bem articulado entre as corporações midiáticas para elegerem o candidato do PSDB. O nome complô talvez nem seja adequado, pois que é um objetivo quase que transparente, embora elas, as corporações, o neguem.

Fico cada vez mais impressionado como a senhora Miriam Leitão consegue produzir raciocínios cada vez mais tortos e tendenciosos para projetar simpáticas luzes sobre a gestão FHC e ominosas sombras sobre o período Lula.

Por exemplo, porque Leitão não fala que a redução de pobreza do início do período FHC, que ela lembra sempre que é obrigada a admitir a redução da pobreza no governo Lula, foi conquistada com políticas não auto-sustentáveis, entre elas um violento aumento dos impostos e o brutal crescimento da dívida pública, externa e interna?

Outro caso escabroso foi a venda da Vale do Rio Doce. Sobre isso, peço mais um pouco da atenção de vocês para uma grave denúncia.

Não sei se vocês sabem mas eu sou jornalista especializado em café, um dos mais conhecidos aqui e lá fora. Trabalho neste setor há mais de 10 anos. Durante algum tempo, tive o costume de publicar a balança comercial brasileira, com a lista dos principais produtos exportados pelo Brasil, com suas respectivas receitas, volumes embarcados e preços por tonelada.

Pois bem, a cotação do minério de ferro, antes da venda da Vale, estava num de seus piores momentos, em torno de 15 dólares por tonelada. É isso mesmo. O Brasil vendia seu minério de ferro por 15 dólares uma tonelada! O preço de tabela era mais alto, mas o Brasil era obrigado a vender mais barato por causa dos contratos de longo prazo assinados no passado. Contratos esses, como o que tinha com o Japão, de 60 anos, que estavam prestes a expirar, o que abria um novo horizonte para negociação de novos preços para a companhia.

Qualquer analista de commodities isento e íntegro poderia prever que aquela situação, de preços irrisórios para o ferro, não iria durar muito tempo. Minério de ferro é um recurso não-renovável, e sua importância estratégica para a economia mundial é similar à do petróleo. Não se fazem edifícios, máquinas, armas ou fábricas sem usar muito minério de ferro. Ou seja, os preços estavam na iminência de uma explosão.

A criação e a consolidação da Vale do Rio Doce havia sido uma grande conquista do povo brasileiro. Conquistada com muito sangue, com muita luta e muito sacrifício. Tudo começou com a CSN, criada a partir do inteligente acordo concebido por Getúlio Vargas, que condicionou a entrada do Brasil na II Guerra à transferência, por parte do governo dos EUA, de capital e tecnologia para a industrialização do minério de ferro.

Resumindo a história, a Vale foi vendida por 3 bilhões de dólares, sendo que grande parte deste dinheiro era constituída pelo que se chamava "moedas podres", a saber, títulos públicos já vencidos ou sem valor, mas que, por brechas jurídicas, eram usados para quitar dívidas com a União. Pouco tempo depois, e não por uma coicindência, a cotação do minério de ferro ingressava numa fase ascendente. Hoje o minério de ferro está no apogeu, valendo mais de 70 dólares, valor muito acima de antes da privatização (ver essa tabela), razão pela qual a Vale do Rio Doce se tornou uma das empresas mais lucrativas do país e do mundo. Isso a Miriam Leitão não diz. Até porque, na época da privatização, ela era uma das lobbistas mais atuantes na venda. Pior, na venda por preço baixo, pois não esqueçamos de que, pela primeira vez na história do comércio mundial, o próprio vendedor depreciou seu produto. O negócio foi mais tenebroso ainda: o governo contratou a Merril Lynch para avaliar o preço da Vale do Rio Doce, e descobriu-se depois (quer dizer, foi uma notícia que todos sabiam mas que não interessava ser destacada pela mídia nacional) que a consultora norte-americana estava associada aos grupos compradores da Vale. Em suma, a Lynch tinha interesse em sub-avaliar a Vale porque participava da compra.

E assim vendemos a maior empresa do mundo de minério de ferro, detentora de segredos industriais e geológicos, patentes industriais, terras, mapas, contratos com países do mundo inteiro, por uma bagatela que nem ao menos serviu para FHC reduzir a dívida pública. Pelo contrário, FHC entregou ao sucessor um governo atolado em dívidas, amarrado ao FMI, um país à beira da bancarrota. Esta foi a famosa HERANÇA MALDITA, que tanto embaraço trouxe ao primeiro ano do governo Lula, e ainda traz.

Hoje, quando vejo que praticamente todo o cinema autoral do país, todos os projetos culturais e sociais significativos são apoiados financeiramente pela Petrobrás, pelo Banco do Brasil ou pelo BNDES, sempre penso que, se ainda tivéssemos a Vale, poderíamos usufruir de uma situação muito mais confortável. Os lucros extraordinários da Vale permitiriam ao governo federal reduzir impostos e elevar investimentos. Com a Vale já poderíamos ter construído a Ferrovia Norte-Sul, por exemplo, entre outras possibilidades.

Entretanto, já ouvi, na boca de tucanos, frases feitas como: "imaginem a Vale nas mãos de um Delúbio?". Para mim, isso é estupidez completa ou má fé. Caso a Vale parasse em mãos erradas de algum político desonesto, seria caso de desmascarar o delinquente, julgá-lo, puni-lo. A Vale continuaria em poder do povo brasileiro.

FHC privatizou grande parte do patrimônio nacional sem ao menos lograr reduzir a dívida pública nacional! Pelo contrário, durante sua gestão, a dívida pública interna saiu de US$ 60 bilhões, em 1994, para US$ 600 bilhões, em 2003. A dívida externa também cresceu.

Isso é choque de gestão? Isso é eficiência administrativa? O apagão é prova de eficiência administrativa? E o câmbio mantido artificialmente em 1998, obrigando o Banco Central a gastar dezenas de bilhões de dólares por dia, com o objetivo criminoso de beneficiar eleitoralmente a reeleição de Fernando Henrique Cardoso? Isso foi legal, dona Miriam Leitão? Aprovar a reeleição para si mesmo, isso foi legal? Foi ético?

Acho engraçado o PSDB, e mesmo os grande agricultores, reclamarem da política cambial do governo Lula, protestando contra o câmbio baixo. Ora, FHC manteve o Real paritário a 1 Dólar durante os primeiros anos de seu governo, de forma compulsória, prova de seu autoritarismo. Alguém já pensou como isso prejudicou as exportações brasileiras, gerando uma ilusória estabilidade econonômica, insustentável, que resultou em recessão e crise nos anos seguintes? Já pensou nisso, dona Miriam Leitão?

É por ter esses pensamentos, transformados numa revolta absolutamente racional correndo-me pelas artérias, que eu torço com todas as minhas forças e esperanças para a vitória de Lula no dia 29 de outubro. Lula tem que vencer. Lula vai vencer.

7 de outubro de 2006

Melhorando o astral

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Sobre o meu estado de espírito, dizer que estou derrotado é exagero. Abatido talvez. Se estivesse derrotado nem estaria escrevendo. Vejam o seguinte. Não almejo ser liderança de nada e escrevo de acordo com meu sentimento.

Esta minha crise de pessimismo me ensinou uma coisa. Por alguns momentos, senti o que deve sentir aquele Francisco de Oliveira, o pessimista profissional, que anualmente concede entrevistas prevendo o fim do mundo e, nos últimos tempos, tem sido um dos mais soturnos críticos do governo Lula.

Não quero ser assim, pelo amor de Deus. Não sou assim. Meu pessimismo já passou. Foi o calor do verão que chegou mais cedo.

Descobri - e foi uma fraqueza que identifiquei dentro de mim mesmo - que existe um tipo de pessimismo que é puro cansaço. Quase uma senilidade. Claro que é confortável pintar tudo com cores sombrias e negativas. As coisas ficam mais simples, e nos isenta de compromissos morais. Afinal, para que se comprometer moralmente com um mundo em decomposição?

Pois é, acho que ainda tenho salvação, talvez. É incrível como as filosofias mais diabólicas se ocultam por trás do véu de um pessimismo blasé uspiano...

Fico pensando, será que eu poderia me tornar, em outras circunstâncias - se trabalhasse para o Globo, por exemplo -, um novo Jabor, um mala como o Ubaldo Ribeiro? Ou pior, como aqueles xiliquentos da Folha?

Como estamos expostos à degradação, meu Deus! Estaí, definitivamente, a grande nobreza da internet. A interação. Meus leitores não permitirão - tenho certeza - minha degeneração moral. Ou pelo menos, não ficarão calados. Falarão duras verdades que, ou me obrigarão a comprar brigas inócuas e histéricas, ou a silenciá-los através de filtros ou bloqueios covardes e anti-democráticos.

Quero que os leitores perdoem-me as recaídas lacerdistas, as escorregadelas de melancolismo acadêmico. São lapsos de covardia, ou deficiência de personalidade. A gente se machuca sozinho, de bobeira, não é mesmo? Tem gente que se mata. Outros se tornam sectários, e estou convencido que este pessimismo profissional, como de Francisco Oliveira, é uma espécie desprezível de sectarismo. Perigoso sectarismo, porque se apega a pessoas extremamente vaidosas intelectualmente. Vaidosas porque cultas e proprietárias de certo prestígio social. Mas sabemos quão imbecil, hipócrita e cruel pode ser um "intelectual". Uma vez, eu mesmo inventei uma frase que achei muito engraçada.

"O pior imbecil é o imbecil que lê". Frase que ninguém deve interpretar como apologia da ignorância, mas como uma maneira irônica de separar inteligência e cultura, e sugerir que o indivíduo inteligente é, sobretudo, aquele que é autônomo intelectualmente, independente, livre e criativo.

Está melhor assim, não é?

6 de outubro de 2006

Pessimismo

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Na crônica anterior, expressei pessimismo e, mesmo negando-o, um certo derrotismo. Estava puto, meio triste e sentindo-me um tanto deprimido pelo fato de ser obrigado a esperar quase um mês para saber o resultado do pleito eleitoral. Tenho fugido de jornais, tv, conversas políticas, porque minha sensibilidade política não suporta mais tanto clichê, tantos chavões, tanta manipulação.

Vocês certamente estão lembrados de que, no domingo de eleição, Lula chegou a ficar 0,4% da vitória no primeiro turno, antes que os votos de São Paulo fossem inteiramente computados e a distância se ampliasse para 1%. Ora, isso é de fazer qualquer um - que esteja visceralmente interessado no resultado - arrancar os cabelos. Ainda mais quando sabemos como esse resultado foi atingido, com manipulações odientas.

Por exemplo, quando estourou o escândalo do dossiê, um dos petistas envolvidos soltou o nome de Freud. Aliás, estranhíssimo ele ter feito isso. Bem, o fato é que o jornal Globo, na capa, estampou gráficos com setinhas, explicando onde ficava a sala do sujeito e qual a distância exata, em metros, do escritório do presidente da república. "Nem Freud explica", foi o manchetão da página 3, o espaço mais importante do miolo do jornal.

Toda a grande imprensa, de forma geral, teve o mesmo comportamento. O uso de trocadilhos e piadinhas com o nome Freud foi avassalador.

Agora que a PF não encontrou provas de envolvimento do sujeito com o episódio, os jornais dão notinhas de pé de página.

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O que realmente me deprimiu foi a conversa com um vizinho, um maranhense branquela que vota em Alckmin porque ele é "mais elegante". Ele lembrou o veto de Lula ao aumento de 13% ou 15% para os aposentados, aquele negócio demagógico que o PFL inventou justamente para desgastar Lula junto aos idosos. Eu tentei explicar que Lula negociou com todos os sindicatos e associações de aposentados e idosos e conseguiram um aumento de 5% acima da inflação para os que ganham acima de 1 salário mínimo. Teve ainda o aumento de 15% para os que ganham salário mínimo. Houve um acordo entre governo e aposentados, pelo qual o governo se comprometia a continuar, ano a ano, aumentando o poder de compra dos salários. Aí vem a oposição oportunista, sem ter feito a devida discussão por ocasiões dos debates e aprovação do Orçamento, a mesma oposição que não deu nenhum aumento para aposentados em 8 anos de governo FHC, e usa o espaço do Parlamento brasileiro para fazer o mais baixo jogo eleitoral. Eu disse ao vizinho que a aprovação de tal medida, sem ter sido incluída anteriormente no Orçamento, significaria um rombo superior a 50 bilhões de reais, engessando a capacidade, já diminuta, de investimentos do Estado.

O vizinho mandou: "ah, tem dinheiro para comprar dossiê e não tem dinheiro para os aposentados?". Aquele negócio me machucou. Me fez ver como a esperteza política ainda rende votos no Brasil. Pior, como pode inclusive ganhar a eleição.

Outra idéia que meu vizinho alckimista falou foi que tanto Serra quanto Aécio, agora que venceram no primeiro turno, poderão se dedicar, de corpo e alma, à reeleição de Lula. Os dois estão à frente dos principais colégios eleitorais do país. É verdade, por isso o ponto nevrálgico da campanha de Lula serão os estados de São Paulo e Minas.

Já que eu falei no meu vizinho alckmista, também falarei nos lulistas. Moro num prédio de classe média baixa no centro do Rio, com apartamentos pequenos cujos banheiros possuem basculante que dão para uma coluna de ventilação. É um negócio muito mal planejado porque o vazamento de som de um apartamento para outro é total. Tenho um vizinho que fanático por Lula, já colocou aquela musiquinha da campanha do Lula no máximo volume várias vezes. Ontem ouvi outro papo lulista. Uma vizinha, de voz jovem, começou a conversar com outra:

- Por falar nisso, você votou em quem? No Lula?

Repare que ela perguntou e sugeriu a resposta, num sinal de ansiedade. Sua interlocutora respondeu baixinho, mas deve ter dito sim. A outra prosseguiu:

- Lula é o cara! Lulalá.

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O Psol, numa atitude mesquinha, decidiu não apoiar ninguém. O PDT, numa atitude suicida e traidora com suas raízes na esquerda, optou pelo Alckmin. O negócio não tá fácil para o Lula. Há tempos que venho estranhando o comportamento udenista do PDT. É ridículo o que eles estão fazendo, tentando surfar na onda lacerdista. Coisa de alienados. O Carlos Lupi não teve nem 1% dos votos no Rio, bem feito.

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Não pensem que estou derrotista não. Estou apenas construindo defesas internas para me preparar para voltar ao ataque. Quem me conhece sabe que não sou nem um pouco imparcial. Sou absolutamente tendencioso. Mas acho fundamental a auto-crítica, e o momento pede isso. Ainda temos aí 20 dias de campanha aguerrida e considero saudável usar essa primeira semana para resolver alguns conflitos íntimos, liberar algumas frustrações e demônios.

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Escrever num blog, ou pelo menos num blog sem conexões corporativas, tem a vantagem de estar livre de pressões patronais ou comerciais. Por outro lado, sofro influência de meus leitores, o que é muito saudável. É um novo tipo de literatura política, mais viva, mais interativa e, consequentemente, mais oxigenada. Permito-me, portanto, revelar estados de espírito negativos, justamente para ouvir palavras de força e apoio por parte de meus leitores. Palavras que me tocam profundamente, me fazem erguer a cabeça e olhar este céu azul sobre as montanhas de Santa Teresa e pensar e sonhar e querer que o povo brasileiro não se deixará iludir pelo discurso hipócrita dos neo-golpistas, dos lacerdistas tardios, da UDN global pós-moderna.

Grande abraço em todos e obrigado pelas palavras de força.

5 de outubro de 2006

Reflexões à beira de um verão suarento

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(antes de ler o triste e egoísta artigo abaixo, leia esse esclarecedor texto de Flávio Aguiar)

Cheguei há pouco de uma caminhada pelas ruas do centro antigo, procurando vestígios de beleza em casarões seculares semi-destruídos. Subi uma escadaria do início da rua do Riachuelo, que dá numa rua que sobe para Santa Teresa. Esses passeios são muito bons para se pensar. Comprei um caderno grosso e meu plano é escrever um romance. É isso que eu curto, é isso que vou fazer, seja quem for o ocupante da cadeira em Brasília.

Andei meditando sobre esse episódio do dossiê. Ele me acordou para uma coisa. Há um setor do PT, sobretudo em São Paulo, que decididamente é dominado por loucos ou idiotas. Li há pouco uma entrevista com o presidente do PT no estado em que ele tenta eximir de culpa os petistas que protagonizaram o escândaldo do dossiê. Olha, vou dizer uma coisa. Esses caras são burros demais. Se o Lula perder, ninguém poderá dizer que foi uma injustiça tão grande. As cagadas do PT vão além da imaginação. Eles perderam a noção das coisas.

Aí me veio à mente outra coisa. Aquela dançarina da pizza, Angela, deputada federal, também por São Paulo. Na época, eu a defendi. Havia um clima de linchamento tão brutal que eu não podia me juntar a isso. Mas hoje, pensando bem, vejo quão imbecil e nocivo foi o comportamento dessa mulher. Não é crime dançar, obviamente, assim como não é crime, a priori, comprar um dossiê, mas as pessoas que praticam política precisam atentar para um fator crucial numa democracia moderna, dominada por meios de comunicação, que é a imagem. Não adianta nem vir falar em democratizar a mídia. A imagem continuará dando as ordens. Sinceramente, se é para falar de "esquerda", não imagino Lenin dançando daquela forma em circunstâncias similares.

A "dança da pizza" foi uma atitude mesquinha, uma dessas coisas singelas, mas que ficarão por muitos anos fincadas no inconsciente da sociedade brasileira, prejudicando o PT e a esquerda em geral. Pra quê dançar, meu Deus? Não bastava dar um abraço em alguém, em sorrir?

Agora, essa história do dossiê, num momento desses, pouco antes da vitória do Lula, me pareceu não apenas uma estupidez atroz, mas um ato de extrema irresponsabilidade política. E me vem o presidente do PT querer justificar esse ato. Para mim, pode não ser um crime jurídico, mas foi um enorme crime político contra os interesses maiores do povo brasileiro. Criou confusão e certamente foi o fator responsável por levar a eleição para o segundo turno.

Me dá raiva porque imagino os doadores da campanha de Lula. É isso que eles fazem com o dinheiro de campanha? Se não era de campanha, se era caixa 2, será que não aprenderam a lição de 2002 e 2004? Gostam de sofrer? A campanha de Lula deste ano tem sido rica, em termos financeiros, com ampla participação do empresariado. Há algumas semanas, centenas de empresários, enfrentando com audácia o preconceito generalizado entre elites (ou seja, entre seus amigos e familiares) e nas corporações de mídia, fizeram ato de apoio à Lula. Que recebem em troca? Um dossiê, um escândalo e um segundo turno.

A campanha contou com amplo engajamento da militância, nas ruas e na web. Pessoas sacrificaram tempo e dinheiro em prol do projeto político em que acreditavam. Investiram seu prestígio pessoal (diante dos filhos, da família, dos amigos, de todos) e, mais importante, seus sonhos, em prol da re-eleição. E esses petistas colocam tudo a perder, numa ação tosca, sem consultar a direção do partido, e ainda acham que estava certos? Não percebem o prejuízo político incalculável que causaram à imagem de Lula, do PT, de toda esquerda, militância, sindicalistas e empresários?

Dar 1,7 milhão de reais, dinheiro da campanha de Lula, para os Vedoin? Ora, caso a Polícia Federal não tivesse feito o flagrante, não temiam câmeras ou microfones ocultos? A gente aqui batalhando duro para derrotar a tucanada-pefelenta, sem receber nada em troca, e esses caras queriam dar uma bolada pros Vedoin? Tenham dó! Querer perdoar esses caras é como querer perdoar o cara que, sem querer, apertasse um botão errado, numa sala do Pentágono, e deflagrasse uma guerra nuclear. A HISTÓRIA está em jogo aqui, meus caros, e vocês estão brincando?

Essa obtusidade política é absolutamente indesculpável. Uma coisa é o PT manter uma atitude altiva frente aos meios de comunicação e frente à "opinião publicada" de alguns poderosos colunistas e âncoras. Outra é rasgar o bom senso e, em vez de resguardar-se dos tiros, ir para o centro da pista e, voluntariamente, se expor ao escárnio de seus adversários.

Outra reflexão que fiz é que, de forma alguma, podemos transformar a política numa pantomina de vida ou morte. Perdendo ou ganhando, a vida continua. Temos que nos preparar psicologicamente para o que vier. A sociedade brasileira está hoje mais atenta, mais madura. Acho difícil para o PSDB repetir as misérias que fez na outra gestão. E há outros fronts de luta. Acredito que cada um tem seu talento e seu destino, os quais devem ser perseguidos independente do presidente de plantão.

Torço para a reeleição de Lula, mas, caso ele perca, deixará um excelente legado econômico e social, o que deverá se refletir em melhores anos daqui pra frente, mesmo com outro governo. Vide a situação do Brasil hoje e a de 2002, às vésperas da eleição. Na época, o dólar chegava a quatro reais, juros estratosféricos, dívidas externa e interna estourando (tanto que FHC teve que ir se ajoelhar novamente diante do FMI).

O PSDB, se ganhar, depois de amargar a derrota em 2002, procurará, espero eu, fazer um governo melhor que o de FHC, com melhor geração de empregos. Caso contrário, ficará totalmente desmoralizado e preparará a vitória da esquerda, desta vez unida, em 2010. Já tivemos governos anti-populares antes e estamos vivos. Não sou eu que vou ficar gritando "fraude" ou choramingando pelas ruas. Enfim, não vou amarrar minha felicidade, como quem amarra um burro, no poste de um pleito eleitoral.

Não se trata de derrotismo. Um pouco de pessimismo, assim como uma cerveja gelada, nessas suarentas tardes que se anunciam, são hábitos absolutamente saudáveis. Nos deixa mais atentos, mais reflexivos, mais céticos e, sobretudo, mais preparados para enfrentar uma eventual tormenta política.

De qualquer forma, para animar um pouco, vale dar uma olhada na entrevista de João Pedro Stédile, ao site Carta Maior. Aliás, no momento, a Carta Maior é minha melhor opção jornalística.

4 de outubro de 2006

Saca só esse cara

Seja o primeiro a comentar!

Essa matéria é muito boa, fala do segundo turno com ponderação e propriedade. Entrem lá e comentem. Esse blog é muito bom. Aliás, temos que descobrir blogs novos, menos viciados em linguagem partidária, que tenham afinidade com nossa visão política.

O blog de Marcelo da Silva Duarte é um deles.

Sem esmorecer

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Devemos imprimir nossos artigos, os mais significativos e sucintos, e colar em lugares estratégicos, ou deixar para serem recolhidos em cinemas, cafés, bares e restaurantes. E as universidades, é claro, principal reduto eleitoral de HH. Sugiro ainda que a estratégia de nossa campanha na blogosfera seja modificada, de maneira a atrair os eleitores de Buarque e Heloísa Helena. Uma linguagem mais à esquerda, com menos números e mais esclarecimentos sobre o potencial revolucionário do governo Lula.

Prometo me esforçar, nos próximos dias, para abastecer de conteúdo a blogosfera, mas de antemão lembro que o Eduardo Guimarães tem excelentes textos, com linguagem transparente e simplicidade.

Outra estratégia importante é mostrar quem é Geraldo Alckmin. Se os eleitores de Heloísa Helena tiverem uma idéia mais consistente sobre o adversário dificilmente optarão por ele. Alckmin representa a extrema-direita, ACM, Borhaunsen, Tasso Jereissati, Fernando Henrique Cardoso.

Quero aproveitar também para agradecer aos companheiros que deixaram mensagens de força, que é o que precisamos. Depois de tudo que a esquerda enfrentou no Brasil - golpes de estado, prisões, tortura, escândalos forjados - , seria ridículo esmorecer agora, diante de condições tão favoráveis para uma vitória esmagadora sobre a direita. A blogosfera precisa levantar a cabeça e partir para a luta pelo segundo turno com altivez e confiança.

Não esqueçam de deixar suas opiniões, impressões e idéias nos comentários abaixo. É muito importante participar.

3 de outubro de 2006

Segundo turno

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Lula ganhando ou não - e torço para que ganhe - eu quero que o PT explique como foi capaz de produzir toupeiras de tal quilate como esses que foram pegos com dinheiro e dossiê. Vou falar uma coisa. Minha raiva não passou. Lula perdeu por apenas 1% de votos. Não pude evitar, minha raiva eclodiu contra aqueles energúmenos e contra segmentos do PT, Berzoini, Mercadante (o cara da campanha dele tava envolvido), que permitiram, direta ou indiretamente, que isso acontecesse.

Afinal, a importância de Lula não é somente para o PT. Lula tem uma importância tremenda na geopolítica mundial, sobretudo entre os países pobres e em desenvolvimento, que encontraram em Lula um parceiro firme e inteligente.

Não será o PT que sofrerá mais se Lula perder. Serão os pobres do Brasil, que, após um breve período em que, pela primeira vez em décadas, receberam atenção especial do Estado, através de medidas como o Bolsa Família, o Pronaf, e dezenas de programas sociais voltados para a população de baixa renda.

Falam que FHC também reduziu a pobreza, principalmente nos anos que se seguiram ao plano Real. Mas esquecem que, primeiro, a redução não foi continuada, ou sustentável. Após 1998 ou 1999, a economia ingressou novamente num período fortemente depresssivo.

Segundo, FHC fez, ele sim, um populismo irresponsável, já que o crescimento registrado nos primeiros anos do Plano Real foi lastreado - conforme verificamos depois - num brutal endividamento externo e interno do Estado brasileiro. Com Lula, deu-se o contrário. Os pobres melhoraram de vida, e o Estado se fortaleceu.

Todos aqueles que votaram em Heloísa Helena e Cristóvão Buarque por uma questão ideológica, tem o dever, na minha opinião, de votarem em Lula.

Uma idéia

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Li por aí que uma pesquisa do Datafolha informou que a maior parte dos eleitores de Heloísa Helena serão transferidos para Alckmin. Apesar de que, mesmo com isso, a mesma pesquisa aponta vitória de Lula, com folga de mais de 5 milhões de votos, estou convencido de que a campanha petista tem muito mais elementos para conseguir apoio do eleitorado do Psol do que o adversário.

Pensando nisso, tive uma idéia. Abri um blog chamado Eu votei na Heloísa Helena, no seguinte endereço:

http://voteinaheloisa.blogspot.com/

e pretendo usá-lo divulgando artigos e textos em geral que permitam ao eleitor que votou na aguerrida alagoana a votar em Lula no segundo turno.

Serei transparente em minhas intenções e moderado em meus argumentos. Quero que vocês me ajudem, entrando no blog e deixando lá seus argumentos. Acredito que, a partir deste momento, a blogosfera lulista precisa ser criativa para atingir públicos diferenciados, já que, agora, há necessidade de conseguir apoio de eleitores indecisos e que votaram em outros candidatos.

2 de outubro de 2006

A vitória não está no fim do arco-íris

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Primeiro mandamento. Humildade. E respeito com quem não votou em Lula. O voto a conquistar, sobretudo, é da classe média que votou em Heloísa Helena e Cristóvão. Por alguma razão, não votaram em Lula. Há que identificar a razão. Desinformação? Decepção? É uma classe média, em geral, altamente vulnerável aos setores midiáticos. Por outro lado, é também uma setor bem informado e crítico. A luta por estes votos, por estes motivos, está justamente na seara da internet. Os militantes da campanha lulista precisam, mais do que nunca, estar motivados e preparados. A defesa emocional de Lula é inválida nesse momento. O segundo turno será decidido através de um debate racional sobre programas de governo, mas também o fator ideológico será fundamental, sobretudo para atrair os votos dos eleitores do Psol, que foram 6,57 milhões. São estudantes, professores e setores médios que optaram pela Heloísa Helena pela identificação ideológica de esquerda. É preciso informar esses eleitores de que Lula, apesar da rixa e do ressentimento do Psol com o PT, está muito mais próximo da esquerda do que Alckmin.

Em primeiro lugar, com Lula temos a certeza de que as estatais (as poucas que sobraram depois da fúria privatista de FHC) não serão privatizadas. De que o esforço por uma América do Sul unida prosseguirá firme. Mais que isso, com Lula a América do Sul continua sendo de esquerda e brigando por uma ordem internacional mais igualitária.

O inchaço de última hora de Alckmin e a desidratação de Heloísa Helena mostra que os eleitores que permaneceram com esta última foram os ideológicos, o pessoal que deseja mudanças mais profundas, mais ousadas e realizadas em ritmo mais acelerado. Essas pessoas, apesar das diferenças importantes com os eleitores de Lula, considerados mais pragmáticos ou mais moderados, estão, obviamente, muito mais próximas de Lula do que de Alckmin.

Esses são fatores que nos permitem visualizar uma situação favorável, de favoritismo, para Lula. Mas, dessa vez, não há espaço para hesitação. A hora é de trabalho, organização e luta. Hasta la victoria.

Tempo de reflexão

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Penso que esses primeiros dias devem ser dedicados à reflexão e a preparação espiritual para o embate final, no dia 29 de outubro. Por que Lula perdeu no primeiro turno? Onde estão os pontos fracos? E os fortes? Acho que, desde já, é possível identificar no estado de São Paulo, o grande fator de diferença. Simples: São Paulo é onde o pensamento conservador brasileiro fez seu ninho e onde conseguiu montar uma poderosa super-estrutura ideológica, cultural e política. Após esses dias de reflexão, creio que os militantes devem se dedicar arduamente às suas atividades políticas.

É preciso superar, imediatamente, qualquer sentimento negativo ou derrotista pelo fato de haver segundo turno no país. Lula continua sendo favoritíssimo ao pleito. Para mim, ficou claro que uma das estratégias da campanha adversária, desde que Lula despontou como provável ganhador em primeiro turno, exibir uma possível passagem a um segundo turno como uma derrota.

A chamada quebra de expectativa não representa um fator político tão importante assim. O mais importante é que Lula teve 46,66 milhões de votos, contra 39,96 milhões de votos de Geraldo Alckmin. Uma diferença de 6,7 milhões de votos. Em percentual, Lula ganhou por 48,6% dos votos válidos, contra 41,6% dos votos em Alckmin.

Bem, pra começo de conversa, não esqueçamos de uma coisa. Lula foi líder no primeiro turno. Os votos de Heloísa Helena e Cristóvão Buarque somaram 8,8 milhões de votos.

A maior luta, para a campanha de Lula, é obter esses votos. Algumas declarações que assisti ontem (de Chico Alencar e Plinio de Arruda Sampaio) sugerem que a maior parte dos votos no Psol serão transferidos para Lula. A ver.

Que saco

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Não dá para esconder minha decepção. Mais 27 dias de encheção de saco. Guerra eleitoral, dossiês, intrigas palacianas. Não tenho lido jornais há dias, evitando stress. Mas agora não posso mais fugir. O segundo turno me obriga a voltar às trincheiras e fazer o bom combate pelo candidato que acho mais conveniente para o futuro do país. Conto com vocês por aqui. Comprometo-me a atualizar este blog diariamente. Espero também que adversários participem de nossas discussões, o que será salutar para o debate democrático e um excelente exercício mental para todos nós.