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10 de março de 2012

Os paradoxos de Rabelais

17 comentarios

(François Rabelais, França 1494 - 1593)


Sabe como a capital da França recebeu o nome de Paris? Segundo Rabelais, o fidalgo Gargantua chegou a cidade pela manhã e provocou tal sensação, em virtude de suas proporções físicas literalmente gigantescas, que o povo lhe seguia de uma parte a outra. Tentando fugir da perseguição, Gargantua sobe ao cume da Notre Dame, e contempla a multidão cada vez maior que se aglomera embaixo. Então, ele desabotoa a braguilha, põe para fora seu bilau e despeja uma enorme torrente de urina, causando uma inundação que afoga milhares de pessoas. Os únicos sobreviventes são os que logram refugiar-se nas partes altas de Montmartre.

Indagado por um de seus acompanhantes porque havia feito aquilo, Gargantua responde que foi somente "par ris", em francês arcaico. Pra rir. Por troça. Daí veio o nome de Paris.

A própria história é uma grande piada, como de resto é toda a literatura rabelaisiana. Por razões que não me cabe explicar no momento, sou um francófilo e um estudante apaixonado de história e literatura francesa, e há dois anos li pela primeira fez o Gargantua, que junto a Pantagruel (que é o pai de Gargantua), são as duas obras-primas de François Rabelais, cujo papel na história da cultura gálica é similar ao de Dante na Itália, Shakespeare na Inglaterra, e Camões em Portugal.

Mas Rabelais é, sobretudo, um magnífico sacana, o que foi uma surpresa para mim, que sempre ouvira falar nele apenas como um clássico tradicional. É uma leitura divertida, despretensiosa, onde topamos com todo tipo de pornografia, escatologia, guerras absurdas, comilança excessiva e, sobretudo, uma defesa incondicional do uso imoderado do vinho.

É realmente divertido pensar no que significou este livro numa época terrivelmente conservadora (século XVI). A obra, claro, foi rechaçada por boa parte do stablishment, em especial os religiosos. Mas outros defenderam Rabelais, inclusive alguns representantes mais esclarecidos do clero. Também me diverte pensar que a Igreja Católica já teve uma ala progressista em termos de cultura, como se pode constatar visitando a Capela Sistina.

Como uma obra assim passou a representar o marco inaugural do renascimento francês, um dos pilares deste humanismo alegre e irônico - e talvez por isso mesmo tão poderoso - que iria caracterizar a literatura francesa a partir de então?

Mas eu não vim aqui falar apenas de Rabelais, e sim procurar estabelecer uma ponte entre seu humor libertário, corrosivo, quase diabólico; seu entusiasmo transbordante pela vida; sua verve incendiária, que era ao mesmo tempo maligna, esperançosa, sarcástica e humanista; uma ponte entre Rabelais e o mau humor da literatura política contemporânea.

Claro, é uma comparação puramente retórica. Os contextos são outros. No tempo de Rabelais, havia uma elite escrevendo para elite. O próprio Rabelais pertencia naturalmente a um estrato social superior. Mas os historiadores atestam, por outro lado, a enorme popularidade de Rabelais junto aos leitores mais humildes, ou mesmo entre analfabetos, que apenas ouviam falar de suas histórias. Ele era engraçado. Zombava dos grandes. Inventava causos incríveis e mágicos. Aliás, Rabelais baseia-se, para escrever suas obras, em folhetins extremamente populares na época, que narravam peripécias e trapalhadas de seres gigantes.

Na verdade não pretendo fazer nenhuma comparação, apenas iluminar um contraste. No tempo de Rabelais, havia uma censura drástica a qualquer crítica abertamente política. Com sua literatura quase desesperadamente hilária, Rabelais expressa, a seu jeito, as dores e misérias de seu tempo. O que me impressionou foi que o mundo levou a sério, muito à sério, a ponto de serem escritos volumes e volumes de "estudos rabelaisianos", todas aquelas histórias sobre intermináveis bebedeiras, comilanças, sonecas vespertinas, sexo e procedimentos fisiológicos.

A leitura de Rabelais me chocou profundamente porque me pôs diante do contraste avassalador com a seriedade, correção política e convencionalismo dos dias atuais. Em nossos TV, rádio, imprensa escrita, cinema e literatura, mesmo em seus programas, seções e vertentes mais ousados e picantes, e mesmo com toda a falação contra censura, não vejo uma grama da liberdade de expressão (com raríssimas exceções na literatura) que encontro numa obra publicada no século XVI!

Bem, ninguém tem culpa disso. É um fato cultural ou sociológico, e a equiparação, eu admito, entre século XVI e hoje é um tanto absurda, mas eu não consigo deixar de pensar nesse contraste enquanto navego pela blogosfera.

Neste sentido, o romance de Reinaldo Moraes, Pornopopéia, é um oásis no deserto. Reinaldo é nosso Rabelais, tanto no conteúdo, focado no lado carnal e demasiadamente humano, quanto na forma, onde o sarcasmo, o humor, a ironia invadem e dominam a sintaxe. Toda a complexidade que outros escritores procuram dar à trama, ou à psique dos personagens, Moraes confere à relação entre os seres linguísticos. O protagonista de Moraes é a frase - na sua relação com outras frases, do mesmo sexo, do sexo oposto ou consigo mesma.

O personagem principal, inclusive, é uma espécie de gigante sobrehumano, um Gargantua pós-moderno. Ele consegue, no mesmo dia, ingerir quantidades homéricas de álcool, cocaína, maconha, lsd, praticar sexo animal, repetidamente, com várias parceiras, e no dia seguinte, enquanto continua cheirando cocaína e fumando maconha, manter os nervos em forma para escrever fluidamente um romance magistral (pois o mesmo é narrado em primeiro pessoa).

A vida às vezes é mais incrível que a realidade, talvez alguém poderia fazer isso tudo, mas o personagem de Moraes não cria a empatia que permitiria ao leitor perdoar a falta de verossimilhança. O leitor sente uma inveja tão grande (não do uso de drogas, mas da vitalidade algo divina deste anti-herói) que não consegue gostar tanto do texto.

Esta convergência entre verossimilhança, originalidade e empatia é uma fórmula poderosa, que produziu os grandes clássicos, porque ela enriquece a obra estética com densidade política. Não é a tôa que, durante séculos, a leitura da Ilíada foi a base da educação da Grécia Antiga.

Verossimilhança, modernamente falando, não significa uma história "crível", ou amarrada aos fatos da realidade concreta; significa antes coerência interior, segundo os parâmetros particulares de cada obra.

No entanto, tão difícil quanto produzir um texto verossímil, e agora me refiro a literatura propriamente política (artigos, crônicas, posts) é conferir-lhe originalidade e empatia. Sem essas características, o texto, mesmo emitindo uma opinião aparentemente justa, não gera nenhuma energia nova. Não muda efetivamente nada. Ao contrário, muitas vezes um texto político aparentemente progressista, vocalizando protestos justos e mesmo urgentes, apenas ajuda a promover desânimo. Vemos isso em toda parte. Mídia e blogosfera às vezes parecem unidos no objetivo de nos fazer acreditar que o mundo é uma droga, o Brasil é uma droga, os políticos são uma droga, e que nem o Hermeto Pascoal enxerga muito bem.

À esquerda, um bando de chorões neurastênicos, a pretexto de exercerem militância ou ativismo virtual, vomitam discursos óbvios, raivosos e desesperançados. À direita, vicejam argumentos verdadeiramente apocalípticos, alguns pintados com o sarcasmo mau-humorado e histérico de membros do Antigo Regime.

Os segmentos mais engajados da juventude, com líderes assim, não vêem nada melhor do que acampar na praça, tocando violão, e repetir discursos vazios, desconexos e tristes. "A política acabou". "Os partidos acabaram". "A democracia acabou". Fala-se em falta de perspectivas... Como assim? Até entendo que um jovem iraquiano mutilado e sem instrução pense assim, mas um jovem europeu? E a aventura do conhecimento, onde foi parar?

Na academia, inaugurou-se uma nova escolástica, com gente produzindo textos cada vez mais esquizóides, incompreensíveis, herméticos, para desespero de milhões de estudantes, que precisam fingir entendê-los, mas como isso é impossível, acabam se tornando repetidores cínicos.

Enquanto isso, o planeta gira e a cada ano a economia global incorpora centenas de milhões de seres humanos que, até há pouco, não conheciam o significado de democracia, nunca haviam estado num cinema, nem jamais consumiram quantidade satisfatória de proteínas.

E acho injusto e equivocado que se atribua esses avanços sociais, que a humanidade vem experimentando, de maneira constante e firme, há séculos, à economia de mercado ou ao capitalismo. São vitórias da humanidade! Do instinto biológico ou divino que leva o homem a se organizar e a procurar instrução. O capitalismo não existe enquanto sistema econômico, ou antes, não é um regime organizado ideologicamente, mas esse é outro debate, que fica para depois.

14 de dezembro de 2010

Tia Carmela defende Zezinho

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Obama: o petróleo é nosso, e o Zezinho também

Do blog da Tia Carmela e Zezinho

O Mais Preparado dos Brasileiros, o futuro pres. Zezinho, foi novamente vitimado pelas ações do Wikileaks.

Conforme já havíamos noticiado, a participação do Presidente de Nascença na negociação do Acordo CARACU EUA-Brasil é citada em várias mensagens da diplomacia dos EUA, que foram levadas pela enxurrada moral do vazamento. O vazamento é tão grande que a casa do pres. Zezinho, que já  estava ameaçada, corre risco de cair.




Obama elogiou o pres. Zezinho em seu discurso.


A mensagem mais polêmica transcreve uma conversa do presidente Barack Obama com sua chapa Hillary Clinton. Em uma reunião sobre os interesses dos EUA no Brasil, o  grande líder pacifista mundial comentou: “o petróleo é nosso, e o Zezinho também”.

Wikileaks vazou também  uma informação sobre uma discreta reunião do Maior dos Economistas com a representante de uma empresa petrolífera do grande irmão do norte. O convescote privado fez parte da longa série de negociações para o Acordo CARACU EUA-Brasil, no qual os EUA entrarão com a primeira parte.




A ciclonudista Soninha Copélia é de uma linha mais natureba, mas também trabalha com entregas.


Pelo diálogo, pode-se ver a serenidade do grande estadista. Ele recomenda calma a sua aliada, dizendo que, quando assumisse o lugar que é seu por direito divino,mudaria as regras de exploração do petróleo do pré-sal para facilitar os negócios das irmãs do ouro negro: “Deixa esses caras (do PT) fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava… E nós mudaremos de volta”

Tiro pela culatra

O interesse do Wikileaks era desestabilizar a  liderança inconteste do Maior dos Patriotas no cenário brasileiro e mundial.

Mas o feitiço virou contra o feiticeiro. Wikileaks  só conseguiu que o Maior dos Filhos da Mooca fosse mais admirado ainda. Agora, o mundo conhece melhor os grandes esforços do pres. Zezinho para fazer com que as grandes companhias de petróleo dos EUA explorem o pré-sal em lugar da obsoleta, incompetente e anti-brasileira Petrobrás.

O pres. Zezinho planeja, ao dar uma mão a  essas que são as mais  éticas e ambientalmente responsáveis empresas do mundo, fazer com que nossa Pátria entre em um novo período de paz, progresso, prosperidade e justiça social, como em outros países onde essas benévolas companhias operam.

Comentário da tia Carmela






QUADRILHA: UDN organizou uma bela festa junina em Miami para comemorar a elogiosa referência do pres. Obama ao pres. Zezinho.


Quando era menino, às vezes o Zezinho ia ajudar o pai no Mercadão. Ele não gostava muito de ficar na banca. O que ele gostava mesmo era de ir fazer entregas. Ele sempre pedia pro seu Francesco: “pai, não tem nenhuma entrega para eu fazer?”. Quando tinha alguma coisa para ele entregar, precisa ver como ele saía todo feliz. Na maioria das vezes, as entregas eram muito grandes para ele carregar, mas ele fazia questão de ir com o empregado da banca, só para sentir o gostinho de entregar. E quando tinha entrega nas Lojas Americanas, na Rua Direita, então? Ele ia todo serelepe…

15 de novembro de 2010

Marcelo Adnet ironiza golpistas

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(Via andre quimico, do #Rioblogprog )

11 de maio de 2010

Atenção Dr.Hariovaldo! PT faz atentado terrorista contra Serra

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A foto, publicada na capa do Globo desta terça-feira, mostra o candidato José Serra, que visitava a Expo Centro Norte, apavorado diante do ataque terrorista do PT à sua comitiva. Um assessor do PT, que estudou nas escolas da Al Qaeda em Caracas, Venezuela, conseguiu parar a escada rolante. Planejava-se lançar sobre o grupo, neste momento, santinhos com propaganda do Mercosul e do site Conversa Afiada, com objetivo de matá-los de ódio. Mas os anjos da guarda que protegem os homens bons da nação fizeram o petista demoníaco ter um problema intestinal um pouco antes de consumar o ato, obrigando-o a correr para o banheiro. Serra passa bem. Parece que teve apenas uma ou duas gengivas levemente machucadas.

Dr.Hariovaldo publica cartinha no Globo!

5 comentarios

Sob pseudônimo, porém. Mas o estilo é dele, inconfundível. Confiram o vocabulário caprichado, o tom solene, a força moral de uma sintaxe culta e vigorosa. Clique na imagem para ampliar.

5 de março de 2010

Reunião na cúpula da Veja

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Esse vídeo aí eu peguei no blog do Altamiro Borges. Não sei se é do chapa Joel Bueno, que aliás está com um blog super engraçado.

15 de janeiro de 2010

Os reaças da semana

13 comentarios

O blog Esquerdopata, linkado ao lado, tem uma série muito engraçada sobre manifestações reacionárias na internet. Quero fazer uma contribuição ao trabalho dele. Fuçando a internet, topei com uma comunidade no orkut intitulada: Dilma Roussef em 2010, não. Aí encontrei o seguinte tópico, que realmente... não merece sequer comentários... Basta reproduzi-lo.

É autodesmoralizante. Só gostaria de observar uma coisa: depois de nos aterrorizar com a possibilidade da "comunista" Dilma ganhar eleições e tomar o apartamento de todos, eles citam o poeta russo Maiakósvki, um dos mais entusiastas pela revolução bolchevique de 1917. É ou não engraçado demais?


Lei de Gérson
Sua residência será invadida, graças ao Lula!!!
.
Todas os brasileiros trabalhadores e honestos precisam saber que o decreto comunista e golpista que Lula assinou dá direito que qualquer residência ou propriedade seja invadida, em nome daquele conceito aloprado de "justiça social".

A revolução comunista/socialista está em marcha e irá trazer milhões de mortes se não for contida a tempo.

É hora da gente de bem se movimentar contra esses anormais comunistas.
Comunismo/socialismo é um crime hediondo contra a humanidade e não pode ter mais vez no mundo atual.

“Hoje, eles nos insultam e agridem com palavras
E nós não dizemos nada!
Amanhã, eles invadem nosso jardim e pisam nossas flores
E nós não dizemos nada!
Finalmente, arrombam a porta, invadem nossa casa e nos arrancam a língua
E nós... já não podemos dizer nada!”
Maiakovsky


15 de maio de 2009

Comédia

2 comentarios

Ah, essa internet... Só assim mesmo pra dar umas boas risadas. Essa eu peguei no site do PHA, que vem conseguindo combinar de forma genial jornalismo e humor.

Confiram aqui o Orkut do Gilmar Mendes. Leiam os Scraps que ele recebeu. Confiram os amigos e os capangas!

11 de dezembro de 2008

Pra dar risada

4 comentarios



Neguinho faz cada coisa... Olha esse vídeo de um reaciónário tucano fazendo oposição pela internet...

4 de julho de 2008

A piada mais engraçada do mundo

1 comentário




Fonte: http://emerluis.wordpress.com/2008/07/01/a-piada-mais-engracada-do-mundo/