Mostrando postagens com marcador Estatisticas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Estatisticas. Mostrar todas as postagens

7 de outubro de 2011

Desindustrialização, onde?

9 comentarios


Continuo monitorando os índices da indústria brasileira. A acusação de que o Brasil estaria se desindustrializando me preocupou muito, porque, se fosse verdade, então seria um problema sério, que me obrigaria inclusive a rever minha simpatia pelo governo do PT.

Outro dia mesmo li no jornal uma notícia de que a produção industrial havia caído em agosto ou setembro. Essas matérias informam muito pouco, e sempre distorcidamente, porque nunca nos proporcionam uma visão mais abrangente. Até os fatores sazonais são omitidos do leitor. Há meses em que a produção industrial declina, todos os anos, outros em que sobe, por isso é importante sempre você ter em mente um prazo mais longo, para enxergar mais claramente.

Então eu voltei ao IBGE, onde já temos dados históricos consolidados, com atualização até agosto de 2011, para a produção industrial brasileira. Preparei uma tabela cujos dados completos podem ser vistos aqui.

Eis que me deparo com um quadro curioso, mas não surpreendente. Ele é muito bem vindo neste momento, em que os tucanos parecem decididos a fazer um trabalho melhor de "comunicação", tentando provar aos brasileiros como o governo FHC foi bom. Pois bem, ofereço-lhes - aos tucanos - uma estatística que vai ajudá-los a esclarecer melhor o povo.

Em janeiro de 1995, o índice mensal da produção industrial brasileira de bens de capital ficou em 111,56. A base deste índice, que é igual a 100, é a média de todo ano 2000. Pois bem, repetindo, em janeiro de 1995, este índice estava em 111,56. Passam-se oito anos de governo, e em dezembro de 2002, o índice despencou para 84,47!

Vocês se lembram da imprensa fazendo estardalhaço com esses números à época? Pois deveria ter feito, porque o setor de bens de capital é sempre o mais importante de um país. É a base da indústria. É o setor que produz as máquinas. Tipo: uma fábrica que produz máquinas que serão usadas na indústria de alimentos, ou tecidos, ou automóveis. Quando um governo quer investir na industrialização, ele começa sempre investindo no setor de bens de capital.

Deve-se olhar portanto sempre a evolução do setor de bens de capital para se ter uma ideia clara da situação da indústria brasileira. Problemas pontuais, como os enfrentados pelos setores têxtil e calçadista, sempre vão acontecer, sobretudo enquanto houver anomalias cambiais no mundo, como é o caso da China. É muito difícil para uma indústria brasileira produzir uma roupa a um custo mais baixo que uma chinesa. No longo prazo, porém, com uma economia internacional regulada com inteligência, e corrigidas as anomalias cambiais, esses desequilíbrios vão se resolvendo. Por enquanto, a solução é fazer o que o governo já começou a fazer, embora talvez com excessivo atraso, que é identificar os setores mais prejudicados pela concorrência desleal estrangeira e adotar políticas específicas de fomento.

Fala-se muito do câmbio forte como um fator que estimula a desindustrialização. No entanto, as economias mais industrializadas do mundo há décadas possuem os câmbios mais fortes: Japão, EUA, Inglaterra, Alemanha.

O papo de desindustrialização, aventado inclusive por alguns sindicalistas do ABC paulista, é muitas vezes uma demanda apenas corporativa. Um lobby, melhor dizendo. E o governo muitas vezes se sensibiliza. Há momentos, todavia, em que é preciso deixar que a livre concorrência faça a sua parte. Não se pode culpar o câmbio ou a política industrial do governo em casos em que há simplesmente a incompetência do proprietário de uma fábrica. Não se trata de defender o capitalismo cruel, mas de respeitar um mínimo e necessário darwinismo econômico. Até porque o governo tem recursos limitados, e seria injusto aplicar verba numa empresa falida por incompetência em vez de construir um hospital.

O que o governo pode e deve fazer é gerir uma boa política social, proporcionando aos trabalhadores prejudicados pelo fechamento de uma fábrica um seguro-desemprego com valor digno e cursos de recapacitação, em todo o período que estiver sem trabalho. O absurdo fundamental de um Estado moderno é permitir que uma família não tenha renda. Isso prejudica o próprio capitalismo, porque essas pessoas também não vão consumir nada. Por isso as principais economias capitalistas do planeta são as que possuem os maiores programas sociais. Os EUA, a fortaleza global do capitalismo, tem um programa de Fome Zero desde o final da segunda guerra, com distribuição de tickets de alimentação para dezenas de milhões de americanos.

Voltando aos índices industriais, repare que estes cresceram de 88,41 em dezembro de 2001, para 209,45 em agosto de 2011. Ou seja, enquanto na gestão tucana o setor de bens de capital sofreu um acentuado declínio, nos quase dez anos de governo petista, o mesmo setor mais que duplicou no Brasil (cresceu 140% para ser preciso)! E pode-se constatar facilmente que avançaria ainda mais não fosse o recuo em 2009, provocado pela profunda crise financeira que abalou o mundo.

Nos outros setores da indústria, temos números parecidos: estagnação durante o governo FHC, e forte expansão na era Lula. E o que é melhor: a indústria continua crescendo este ano, com destaque para o setor de bens de capital, que é, como eu já disse, a menina dos olhos quando se trata de industrialização.






PS: Esse post foi publicado no blog do Nassif, e alguns comentaristas contestaram-no dizendo que esse aumento na produção de bens de capital teria se dado apenas por crescimento de encomendas de empresas como Vale. Bem, a Vale é a maior empresa privada do país, e se ela está encomendando máquinas, isso é ótimo. É óbvio que a industrialização brasileira é liderada por suas principais empresas. A Vale decidiu, após muita pressão do governo, e talvez mais ainda em função do interesse de suas concorrentes em montar siderurgias por aqui, investir na transformação do ferro em aço. Enfim, a pior coisa que pode acontecer é a gente transformar um assunto desse em papo de botequim, como sempre acontece quando as pessoas se limitam a fazer observações tais como: lá em Pindamonganba, fecharam 3 fábricas no ano passado! A atividade industrial hoje é muito dinâmica e concorrida, em vista do alto nível de especialização em que se encontra o capitalismo mundial. É normal, infelizmente, o fechamento de fábricas. O que deve nos preocupar, porém, é o nível geral da indústria no Brasil, e sobretudo, reitero, com o setor de bens de capital, que é a base da indústria.

Então eu retornei outra vez ao IBGE e achei a tabela abaixo (dados completos aqui), com a evolução dos diferentes segmentos do setor de bens de capital nos últimos anos.


Por ela, pode-se ver que um setor de bens de capital que vem sofrendo queda nos últimos anos é o do aparelhos de comunicação (celulares, etc). É lamentável, mas visto que o Brasil sempre produziu quantidades insignificantes destes equipamentos, não é nada que provoque nenhuma mudança drástica em nossa economia ou nas taxas de emprego. O mais grave mesmo é a queda no setor de materiais elétricos, que vinha apresentando um crescimento substancial até o fim de 2008; no longo prazo, porém, este setor também vem crescendo, já que o índice passou de 96 em dezembro de 2002 para 150 em agosto deste ano.

Eu não quero tapar o sol com a peneira. Tenho consciência que deve ter fábrica fechando em algumas partes do Brasil. A concorrência global é feroz. Estou questionando (questionando, não negando) a tese da desindustrialização, que ainda não vi refletida em nenhuma estatística. A pior coisa que pode acontecer com um país é sofrer um processo de desindustrialização, mas isso é diferente de haver mudanças, até mesmo estruturais, na realidade industrial de um país, com declínio de um setor e aumento em outros. Isso faz parte do capitalismo e reflete esse darwinismo econômico que é inevitável e cujos efeitos sociais devem ser tratados atentamente pelo Estado em questão, através de uma política trabalhista voltada a amortecer seus danos.

4 de outubro de 2011

Exportações brasileiras de manufaturados crescem 18%

2 comentarios

estão no ar as informações sobre a balança comercial de setembro.

Eu poderia escolher o viés negativo, e dizer que a participação dos manufaturados no total exportado pelo Brasil em Jan/Set de 2011 caiu, como de fato caiu, de 39,5% para 36%. No entanto, essa informação, dada assim, sem mais explicações, incita à confusão que já vimos, sobre a primarização da economia brasileira. Para identificar se a informação distorce ou não, basta perguntar ao leitor, após ler uma matéria no jornal, se as exportações brasileiras de manufaturados estão crescendo. Se ele disser que não com voz chorosa, triste por ver seu país se desindustrializando, então confirmaremos que foi enganado. É como já disse antes. O país pode até estar se desindustrializando, mas seria muito bom que alguém apresentasse algum dado consistente que mostrasse isso. As exportações brasileiras de manufaturados cresceram 18% em Jan/Set 2011, atingindo 68 bilhões de dólares; e as de semi-manufaturados subiram 35%, rendendo 27 bilhões de dólares.

A queda na participação dos industrializados no total exportado acontece não porque a exportação de manufaturados tenha caído, mas porque as vendas de básicos explodiram.





Clique nas tabelas para ampliar.

Na segunda tabela, vemos que América Latina é o segundo principal mercado consumidor de produtos brasileiros. Em primeiro vem a Ásia, mas esta importa somente ferro e soja.


Observe bem os gráficos acima, e entenda bem o que está acontecendo no Brasil. Você pode não se interessar por economia, mas a economia certamente vai afetar a sua vida. De janeiro a setembro, entraram 190 bilhões de dólares em exportações, valor que constitui um recorde histórico. Diferentemente de outros momentos históricos, porém, nossa exportação é variada em itens e em destinos. Exportamos muitos produtos e para o mundo inteiro, o que hoje em dia é um grande trunfo nosso. Fôssemos mais dependentes dos EUA ou da União Européia, estaríamos lascados.

24 de julho de 2011

Exportações brasileiras até junho de 2011

4 comentarios

Publico aqui uma estatística importante, porque muito pouco conhecida. Segundo dados colhidos no sistema Alice, banco de dados online do Ministério do Desenvolvimento, o Brasil exportou um total de 231 bilhões de dólares nos últimos 12 meses, até junho último.

Um dos principais blocos econômicos comprador de produtos brasileiros foi a América Latina e Caribe, que importou 53,2 bilhões de dólares em 2010/11. Este valor foi maior do que o total exportado para União Européia ($49 bilhões), China ($ 39 bilhões) e EUA ($22 bi).

O mais impressionante, no entanto, não é isso, e sim o valor médio que nossos hermanos pagaram por nossos produtos: 1.248 dólares a tonelada. Contra 468 dólares a tonelada pagos pela Europa e 202 dólares pela China.

A razão disso é que a maior parte de nossas exportações de produtos industrializados, que tem valor agregado mais alto, destinam-se à América Latina.

Clique nas tabelas para vê-las sem cortes.


A tabela abaixo mostra que tipos de produtos são exportados para a América Latina. Repare que, entre os 10 mais importantes, todos (com exceção do petróleo) são manufaturados, como autopeças, maquinários, aparelhos elétricos, aço, plásticos e papel. Também exportamos aviões, produtos químicos e instrumentos óticos.


A conclusão é que a América Latina e Caribe tornou-se o bloco estratégico para escoar e ampliar a nossa exportação de produtos industrializados.

19 de maio de 2011

Produção agrícola vai gerar R$ 195 bilhões este ano

2 comentarios

Publico a tabela abaixo para vocês terem uma ideia da importancia da agricultura para a economia brasileira. O valor bruto da produção agrícola brasileira este ano será de R$ 196 bilhões, alta de 8% sobre o ano anterior. Apenas a produção de soja deve gerar R$ 54,39 bilhões; a soja é o produto agrícola que mais gera valor no Brasil. É dinheiro que entra no país e transforma-se em investimento, comércio e impostos. Se todos, à direita e à esquerda, concordamos que a melhor maneira de resolvermos nossos problemas é fazer a economia crescer, com a esquerda forçando políticas públicas de distribuição de renda e a direita pressionando por menos impostos, então precisamos olhar a agricultura como uma de nossas galinhas dos ovos de ouro. Na primeira metade do século XX, os EUA consolidaram-se como potência econômica mundial exportando produtos agrícolas. Até a década de 60, os EUA respondiam por quase 90% das exportações mundiais de soja! Hoje o Brasil lidera o ranking.

O Brasil precisa construir escolas, hospitais, estradas, pontes, portos e aeroportos. Tudo isso custa dinheiro. E dinheiro não cai do céu. Dinheiro vem da terra, com dificuldade. O fato do cultivo de soja ser mecanizado não o torna fácil. É preciso fazer a terraplanagem e controlar constantemente a acidez do solo. Dar a medida certa de fertilizante. Fazer a manutenção de tratores, colheitadoras, secadores. Limpar os silos. Controlar as finanças e estar sempre atento a novas tecnologias de produção. Aprimorar o gerenciamento e estudar as diferentes maneiras de comercializar o produto, usando as bolsas de mercadorias com prudência e sagacidade.

Uma boa notícia é que os fazendeiros descobriram que manter uma reserva natural em suas propriedades ajuda a controlar as pragas, já que os insetos sempre vão preferir seu habitat natural a uma lavoura de soja seca e sem graça.

Entretanto, o governo precisa fiscalizar rigorosamente o uso de pesticidas e agrotóxicos, porque pode haver contaminação de lençóis de água. Há relatos de que alguns deles já estariam corrompidos. O Ministério Público, o governo federal e a sociedade civil organizada devem se unir para resolver esse problema, que só tende a aumentar, ainda mais considerando-se que o Brasil é um único lugar no mundo com disponibilidade de terra suficiente para dar conta do aumento da demanda global, que está acontecendo de maneira muito acelerada.

Os países em desenvolvimento tem conseguido vencer desafios sociais e melhorar o poder aquisitivo de seus povos. Resultado: a humanidade está comendo mais, muito mais. O processo de migração do campo para as cidades continua acontecendo na China e em outras economias emergentes; essas pessoas, que antes viviam de uma agricultura de subsistência, agora trabalham com serviços e indústria, e compram seu alimento no mercado, pressionando a demanda.

Esses números, porém, não incluem outra grande fonte de recursos para a economia nacional: a pecuária. O Brasil é hoje o maior exportador de carne do planeta, dominando especialmente o mercado de carnes de frango. Depois eu pego alguns dados sobre isso também e publico por aqui.

A tabela (clique nela para ampliar):




PS: Segundo a CNA (Confederação Nacional de Agricultura), o valor bruto da produção agropecuária deve chegar a quase 272 bilhões de reais este ano, o que representaria um crescimento superior a 7% sobre 2010.

16 de maio de 2011

Brasil, exportador de produtos básicos

1 comentário


(clique na tabela para ver a coluna de variação sobre o ano anterior).

Taí uma tabela que muitos leitores gostam de ver. Esse tipo de informação é difícil de achar. É a relação dos principais produtos brasileiros exportados nos últimos 12 meses, até abril, e a comparação com o mesmo período do ano anterior. Observe que, de fato, o Brasil exporta apenas matéria-prima. A única exceção é o setor de autopeças, embora na verdade o país também seja deficitário nesse segmento. Quer dizer, o Brasil exporta muito autopeças, mas importa ainda mais. (PS: exportamos aviões também, 3 bilhões de dólares em 12 meses).

Se alguém quiser um consolo, pode ler Adam Smith. O velho economista do século XVIII afirmava que a riqueza de uma nação sempre começa por sua agricultura, apesar dele ressaltar que algumas das economias européias não tenham passado por esse processo em virtude do surgimento meio brusco do mercantilismo.

Pelo curso natural das coisas, portanto, a maior parte do capital de toda sociedade em crescimento é primeiramente canalizada para a agricultura, em segundo lugar para as manufaturas, e só em último lugar para o comércio exterior. Essa ordem de prioridade é tão natural que, segundo creio, sempre foi observada, até certo ponto, em todo país que disponha de algum território. Adam Smith, A Riqueza das Nações, Livro III, capítulo 1.

Eu poderia acrescentar, ainda à guisa de consolo moral, que o Brasil tem uma boa base industrial voltada para o consumo doméstico. O que tem lhe faltado é uma base industrial de exportação. Mas é assim mesmo que tem de ser: em primeiro lugar, abastecemos nossas necessidades, consolidamos uma boa infra-estrutura industrial voltada para dentro; depois investe-se para produzir excedente e exportá-lo.

No caso da agricultura, também não podemos nos deixar enganar pela simplificação dos termos. Trata-se de matéria-prima, mas não como era há cinquenta anos. Os preparos para deixar os produtos básicos prontos para exportação têm hoje uma complexidade tal que, em vários casos, é injusto chamá-los simplesmente de "básicos". A exportação de carnes é um bom exemplo. A carne é cortada, tratada, congelada, ensacada, passando portanto por um processo de semi-industrialização. Resultado: O Brasil vende sua carne a preços altos. Não custa tão caro quanto um relógio de ouro suíço, mas o suficiente para bancar uma indústria sofisticada e ainda em crescimento.

E isso sem contar o trabalho anterior da carne: cuidados com a reprodução, tratamento veterinário, alimentação especial, instalações modernas. Uma indústria agropecuária certamente é bem mais sofisticada do que uma fábrica de chinelos havaiana ou de guarda-chuvas. No entanto, a exportação é contada como "produto básico", enquanto as havaianas são classificadas como "produto industrializado".

O caso do minério de ferro, que era o mais triste, pois o Brasil durante décadas vendeu o produto a quinze dólares a tonelada, hoje tem uma situação melhor: o ferro é vendido por 100 dólares a tonelada. Ainda é pouco, mas muito melhor que antes.

Na verdade, todos os produtos básicos vendidos pelo Brasil estão, no momento, com preços históricos nas alturas, e como a causa desta vez não é apenas especulação nas bolsas mas uma demanda mundial muito elevada e em crescimento, não há perspectiva deles caírem substancialmente no curto e médio prazo. Com isso, delineia-se, para o Brasil, um longo período de prosperidade econômica, que devemos aproveitar justamente para ampliar nossa base industrial, investir em educação, e consolidar o nosso tão sonhado Estado de bem estar social.

22 de junho de 2010

Dados atualizados sobre as exportações brasileiras

Seja o primeiro a comentar!

Há tempos que não publicava por aqui dados do comércio exterior. Aproveitando que o sistema Alice, o banco de dados público do Ministério do Desenvolvimento, foi atualizado recentemente com números de maio, elaborei algumas tabelas. Depois trago mais coisas.

A América Latina e Caribe continua sendo o destino mais importante das exportações brasileiras, tanto em receita absoluta quanto no quesito preços. É a parte do mundo que paga melhor por nossos produtos e compram a maior parte de nossos itens industrializados.

O preço médio das exportações brasileiras para a América Latina e Caribe, nos últimos 12 meses, atingiu US$ 1.063 por tonelada, contra US$ 398 da União Européia, e US$ 133 da China.






Na tabela abaixo (clique na imagem para ampliar), temos a lista dos 15 principais grupos de produtos exportados pelo Brasil no acumulado de 12 meses até maio. O Brasil, de fato, é grande exportador de matérias-primas, mas alguns desses itens, como carne e café, possuem um razoável valor agregado. 

A exportação de veículos, máquinas, aço e aeronaves também merece destaque; a maior parte caiu em relação ao período anterior, em função da crise, mas já estão se recuperando nos últimos meses e devem voltar a crescer em breve.



Lista completa dos produtos brasileiros exportados em Jun/Mai 2010.

8 de junho de 2010

América Latina compra 47% dos maquinários brasileiros; EUA, 16%

3 comentarios

Há tempos que eu não publicava algo sobre o comércio exterior brasileiro. Aproveitando que a imprensa desta terça-feira está bem generosa na divulgação dos números do PIB, eu faço uma visita surpresa ao banco de dados Alice, para ver como andam as exportações.

Editei abaixo três tabelas. Na primeira, uma lista dos 15 principais grupos de produtos exportados pelo Brasil. Eu falo "grupo" de produtos, e não apenas "produtos", porque cada um dos itens comporta imensa gama de artigos variados. 

Do primeiro item de exportação, o petróleo, não tem graça falar. Não por enquanto. Ele merecerá um estudo à parte. Os minérios, segundo item mais exportado, são aquilo: mesmo com aumento dos preços do ferro, o Brasil vende uma tonelada por 58 dólares. O Brasil privatizou a Vale para reduzir o "peso do Estado", e agora, por ironia da história, vendemos ferro bruto para estatais chinesas a preço de banana, e essas mesmas estatais agora estão comprando ações da Vale e construindo refinarias no Brasil para aumentar os seus lucros. Estatal brasileira não serve; estatal chinesa póóóde.

No fundo, tudo foi uma grande estupidez. Setores que necessitam de aportes gigantescos de capital, como siderurgia, sempre tiveram forte participação estatal. O radicalismo ideológico do governo FHC, aliados a motivos menos transparentes, não os permitiu ver isso e o Brasil lançou ao mar um de seus maiores tesouros, de importância estratégica para qualquer país. Alemanha e França perderam trilhões de dólares e milhões de vidas humanas na luta pelo controle de jazidas de ferro. O Brasil entregou suas minas, as maiores do planeta, por 1 bilhão de dólares em moedas podres, e tudo financiado pelo BNDES.

Em seguida, no ranking de nossas exportações, vem o grupo carnes, onde temos um grande mercado no oriente médio, que importa sobretudo o frango brasileiro. Quando alguém perguntar, portanto, qual o interesse econômico do Brasil nos imbróglios nucleares & políticos daquela região, você pode responder com a singeleza de um matuto esperto e prático: é o frango, uai!

O quarto item na lista dos produtos mais importantes exportados pelo Brasil são autopeças, vendidas majoritariamente para América Latina e Caribe, com destaque para Argentina.

Depois temos a soja, exportada principalmente para China e Europa.

No seu devido tempo, iremos analisar cada um desses produtos e cada um desses mercados. Hoje eu trago um breve estudo sobre o sexto item mais importante de nossa pauta de exportações: maquinários. Trata-se do grupo de número 54, que inclui todo o tipo de maquinário, desde ventiladores até reatores nucleares. O Brasil também exporta eletrônicos (celulares, vídeo-cassetes, dvds, tvs, computadores). A diferença entre maquinários e eletrônicos é que os primeiros são produtos com motor.

O Brasil exportou 3,11 bilhões de maquinários em Jan/Abr deste ano, aumento de 26% sobre igual período do ano anterior. É interessante observar que a exportação brasileira de maquinários já superou a de açúcar, café e madeira. A participação dos manufaturados na exportação brasileira vem crescendo, ao contrário do que dizem setores da imprensa. Entretanto, como as exportações de petróleo, sobretudo, e minério de ferro, em segundo plano, cresceram em ritmo alucinante, na esteira da demanda explosiva da China, o crescimento das vendas de manufaturados ficou abafado.

Pois bem, agora observem a terceira tabela publicada nesse post. Quem é o principal comprador dos maquinários brasileiros?

Ela mesma, aquela que deveria ser considerada nossa maior amiga: Argentina. A maior compradora de nossos manufaturados. E não é só isso. Dentre o extenso grupo de manufaturados vendidos pelo Brasil, a Argentina compra os mais caros, o que tem maior valor agregado.

Enquanto os EUA pagaram 5,6 mil dólares, em média, pela tonelada de maquinário brasileiro, a Argentina pagou mais de 11 mil dólares.

Enquanto as exportações brasileiras de maquinários para os EUA cresceram apenas 8,7%, no primeiro quadrimestre do ano, o crescimento nas vendas para Argentina saltaram 58% no mesmo período.

Na segunda tabela, repare que a América Latina & Caribe importou 47% de todos os maquinários exportados pelo Brasil. Apenas o Mercosul comprou 22%, contra uma participação de 20% da União Européia, e 16% dos EUA. A poderosa China importou somente 2,4% de nosso maquinário.

E agora, senhores editorialistas do Estadão, ainda querem declarar guerra à Argentina só porque um funcionário de lá impôs restrições a importação de meia dúzia de biscoitinhos brasileiros?










Lista completa dos produtos exportados pelo Brasil no primeiro quadrimestre (Jan/Abr) de 2010.

1 de junho de 2010

Exportações brasileiras para o oriente médio

1 comentário



Clique na imagem para ampliar.

28 de maio de 2010

Exportações brasileiras para Argentina crescem 290% desde 2002

6 comentarios

Já faz tempo que eu não publico nada sobre comércio exterior. O blog recebe muitas visitas em busca desse tipo de informação, que é ainda muito difícil de obter. Então eu fiz uma tabela com as exportações brasileiras para a Argentina. Lembram que há pouco tempo, o Estadão pregou que o Brasil reagisse violentamente à uma medida argentina que dificultava a entrada de alguns produtos alimentícios brasileiros? Eu lembrei, na ocasião, que a Argentina é nossa maior compradora de autopeças, eletrônicos, máquinas, e brinquei dizendo que o Estadão queria destruir o Mercosul por causa da importação de biscoitinhos.

Era brincadeira mas é verdade. Clique na tabela abaixo para ampliar. Alimentos constituem um item insignificante dentre os produtos brasileiros exportados para a Argentina. Mesmo assim, o Brasil deve lutar por justiça e equidade nas relações comerciais, claro; mas daí fazer um editorial ameaçando o Mercosul, sem mostrar que o país é o maior mercado de nossos manufaturados, eu acho desonesto.

O Serra já andou falando que o Brasil não pode se tornar apenas um exportador de produtos básicos. Então olha essa tabela, Serra, e veja se a Argentina compra produtos básicos do Brasil. Nos últimos 12 meses até abril, a Argentina importou o equivalente a 14,6 bilhões de dólares em produtos brasileiros, a maioria manufaturados de alto valor agregado.

Confira abaixo.

27 de abril de 2010

Rubens Barbosa e os 10% de verdade

5 comentarios

Hoje, no Globo, me deparei com um artigo de Rubens Barbosa falando mal do Mercosul. Até aí tudo bem, ele é tucano, foi embaixador no tempo de Fernando Henrique, e essa turma gosta mesmo é de tirar o sapato para os EUA. O artigo também foi publicado no Estadão.

Acontece que me intrigou o seguinte trecho do texto:

Com as sucessivas medidas restritivas e contrárias à tarifa externa comum (TEC), desapareceu a agenda de liberalização comercial, principal característica da fase atual do Mercosul, a união aduaneira. A perda de relevância comercial para os países membros (o Mercosul representou cerca de 16% do comércio exterior brasileiro em 1998, contra menos de 10% em 2009) não estimula maiores esforços para a superação das dificuldades.

Estranhei. Ué? Mercosul perdeu espaço na pauta das exportações brasileiras?

Os leitores desse blog sabem das minhas manhas estatísticas. Então lá fui eu fuçar o Sistema Alice, em busca de informações detalhadas sobre a informação de Barbosa.

E o que descobri? O que eu já suspeitava. Não se trata exatamente de uma mentira, mas de uma distorção malandra. Em 1998, o Mercosul, de fato, representou até mais do que o apurado por Barbosa, 17%, contra 10,3% em 2009.

Ocorre que, em 1998, as exportações brasileiras totalizaram 51 bilhões de dólares, contra 153 bilhões em 2009. Em 2008, antes da crise internacional, as exportações brasileiras haviam atingido 198 bilhões de dólares.

Ou seja, Barbosa usa um percentualzinho chulé para distorcer a realidade, dando a entender que estávamos melhor antes do que agora. Em 1998, o Brasil registrou déficit na balança comercial de 6 bilhões de dólares, ou seja, importou mais do que exportou. Em 2009, houve saldo de 25 bilhões de dólares.

Mais uma: em 1998, o Brasil registrou déficit no comércio com o Mercosul de 538 milhões de dólares. Em 2009, ano ruim, teve saldo positivo de 2,7 bilhões, após registrar saldo de 6,8 bilhões em 2008.

Ou seja, o Mercosul gerou imensa quantidade de divisas para o país e o tucanão de cabelos lambidos vem com esse chororô de crocodilo. Quer enganar quem?

De 1998 para 2009, as exportações brasileiras para o Mercosul cresceram 78%. A queda na participação do Mercosul no bolo total aconteceu porque as vendas brasileiras para outros destinos cresceram muito mais. Só para a China, as exportações brasileiras cresceram 1580% no período, puxando os percentuais para si. Em se tratando de estatísticas de percentual, se um ganha pontos, outro perde.

Além disso, a qualidade das exportações brasileiras para o Mercosul também cresceu, com o preço médio subindo de 774 dólares a tonelada em 1998 para 1.494 dólares a tonelada em 2009.

Entretanto, um raciocínio se impõe. Segundo Rubens Barbosa, o Mercosul é ruim e estaria engessando as exportações brasileiras. Ora, em vista do aumento espetacular das exportações nos últimos anos, eu gostaria de saber onde é que o Mercosul atrapalhou?

Se o Mercosul corresponde a 10% das exportações brasileiras, contra 17% no passado, é porque o país ampliou substancialmente o leque dos destinos de seus produtos, e não porque o Mercosul deu errado. Parece-me que esses 10% deveriam ser aplicados, isso sim, ao percentual de verdade no texto do embaixador.

Clique nas tabelas para vê-las por inteiro.



6 de abril de 2010

Lembrando: Raio-X do comércio exterior

1 comentário

Vou repetir um post porque as pessoas, ao que parece, ainda não entenderam a validade deste material. Trata-se de um estudo que fiz há poucas semanas, um Raio-X completo do comércio exterior brasileiro até 2009. Além de um artigo longo acompanhado de tabelas e gráficos, o estudo conta com dezenas de tabelas detalhadas contendo:

- Todos os destinos das exportações brasileiras, em 2009 e anos anteriores.
- Todos os produtos exportados pelo Brasil.
- Lista completa dos destinos dos principais produtos: minérios, soja, carnes, etc.
- Lista completa dos principais países que exportam para o Brasil.
- Lista completa dos principais produtos importados pelo Brasil.
- Balança comercial brasileira com seus principais parceiros, seja país ou bloco.

Enfim, é um estudo realmente completo.

Estou vendendo esse estudo por R$ 30,00. Se você fizer uma assinatura da Carta Diária, que custa R$ 50, ganha de brinde.

Quem se interessar, favor depositar o valor em forma de doação ao blog usando os dados abaixo. Em seguida, envie um email para oleodiario@gmail.com informando hora e dia da transferência. O estudo será enviado por email no mesmo dia.

Caixa
 agencia: 0995
 Conta: 00010392-9
 Digito de Conta Poupança: 013


Ou no Banco do Brasil
agencia 0087-6
Conta 25018-x

Use o botão abaixo para acessar outras formas de transferência:


22 de março de 2010

Raio-X completo do comércio exterior brasileiro

3 comentarios

Lembrei de um material que tenho por aqui que é extremamente valioso e pelo qual alguém pode se interessar. Trata-se de um estudo que fiz há poucas semanas, para uma revista, e que eles liberaram agora para que eu possa comercializá-lo. É um Raio-X completo do comércio exterior brasileiro até 2009. Além de um artigo longo acompanhado de tabelas e gráficos, o estudo conta com dezenas de tabelas detalhadas contendo:


- Todos os destinos das exportações brasileiras, em 2009 e anos anteriores.
- Todos os produtos exportados pelo Brasil.
- Lista completa dos destinos dos principais produtos: minérios, soja, carnes, etc.
- Lista completa dos principais países que exportam para o Brasil.
- Lista completa dos principais produtos importados pelo Brasil.
- Balança comercial brasileira com seus principais parceiros, seja país ou bloco.

Enfim, é um estudo realmente completo.

Estou vendendo esse estudo por R$ 30,00. Se você fizer uma assinatura da Carta Diária, que custa R$ 50, ganha de brinde.

Quem se interessar, favor depositar o valor em forma de doação ao blog usando os dados abaixo. Em seguida, envie um email para oleodiario@gmail.com informando hora e dia da transferência. O estudo será enviado por email no mesmo dia.

Caixa
 agencia: 0995
 Conta: 00010392-9
 Digito de Conta Poupança: 013


Ou no Banco do Brasil
agencia 0087-6
Conta 25018-x

Use o botão abaixo para acessar outras formas de transferência:


7 de janeiro de 2010

Estudando a economia brasileira

6 comentarios

Eu acho que todos devem tentar entender um pouco a economia brasileira. Estamos em vias de nos tornar uma importante potência econômica e os brasileiros podem trazer celeridade a esse processo se aplicarem um mínimo de inteligência e tempo a ele. Em caso contrário, a riqueza da nação continuará, como aconteceu nos últimos 500 anos, usurpada por meia dúzia de espertalhões. Li algumas análises sérias que falam da possibilidade do fundo nacional de petróleo atingir a marca de alguns trilhões de dólares. Eu falei TRILHÕES. Parece loucura, né. Mas é isso mesmo, porque esse tipo de fundo recebe dinheiro do petróleo, mas cresce por outras vias, através de investimentos e aplicações lucrativas. Não se esqueçam que o pré-sal não é apenas tirar petróleo do mar, mas também oferecer, mediante pagamento, a tecnologia de exploração para o resto do mundo. O Brasil irá ganhar bilhões de dólares explorando petróleo no pré-sal de todos os continentes.

Não é pela imprensa, todavia, que os brasileiros irão compreender a economia de seu país. Por razões que ainda fogem ao meu entendimento, a imprensa vem boicotando sistematicamente o acesso dos brasileiros à sua própria realidade. Até agora não nos informou corretamente sobre as perspectivas do pré-sal. Primeiro lançou descrédito, dizendo que se tratava de propaganda do governo. Depois passou a esnobá-lo. Quando Haroldo Lima citou um número que corria solto na boca de segmentos especializados, de que o pré-sal não teria apenas os 20 bilhões de barris estimados inicialmente, mas poderia chegar a mais de 80 bilhões de barris, chegando até a 200 bilhões se confirmada a existência de petróleo no pré-sal em outras partes da costa brasileira, os jornalistas quiseram crucificá-lo. Como é possível informar aos brasileiros sobre algo assim? Não pode! Os brasileiros não podem saber das possibilidades de riqueza em seu próprio território! Isso ameaça gravemente o complexo de vira-lata!

Até hoje, muita gente não acredita no pré-sal. Dizem que está muito lá no fundo e que será muito caro explorar. Outros esnobam dizendo que somente daqui a 15 ou 20 anos começará a jorrar quantidades substanciais de combustível. Até a Marina Silva, que vem se esforçando para mostrar que é de fato uma tremenda traíra, pronunciou a colossal estupidez de que o pré-sal fará diferença apenas daqui a 20 anos. Esquece-se, por estupidez ou má fé, que bilhões, quiçá trilhões de dólares entrarão na economia brasileira por conta da montagem da infra-estrutura necessária para receber o petróleo tirado do fundo do mar. Equipamentos, plataformas, navios, refinarias, mão-de-obra, tudo isso significa empregos e investimentos. E não só do governo federal e da Petrobrás. Muito dinheiro já está chegando via agentes internacionais interessados em morder uma lasquinha desta nova riqueza nacional.

Como eu ia falando, todos deveriam deixar de lado esse aristocratismo ibérico, efeminado (desculpe feministas, mas ainda não encontrei outro termo. Adoro as mulheres.), pedante, que todos nós temos, de só gostar de abstrações genéricas e poéticas da realidade. Esse aventureirismo atávico, quixotesco. Esse heroísmo ingênuo, que produz uma consciência política deformada, insípida, irritadiça e que tão facilmente manipulável por quem detêm o poder midiático.

Nós temos que botar a mão na massa sem intermediários. Nós mesmos. A internet possibilita que o cidadão acesse diretamente as fontes de informação. O Brasil tem sites oficiais extraordinariamente bem feitos e atualizados, melhores do que muitos do primeiro mundo. Sigam as minhas dicas e familiarizem-se com eles. Saibam mais sobre o Brasil e suas riquezas. Só assim os cidadãos brasileiros irão ganhar dinheiro de verdade, e só ganhando dinheiro poderemos combater os barões da mídia. Todas as grandes crises dos últimos 20 anos originaram-se na ignorância econômica dos cidadãos.

Então vamos lá. Citarei as principais fontes de informação disponíveis no Brasil, discorrendo sucintamente sobre cada um. Todos são gratuitos. Em geral demandam apenas um cadastro bem simples.

Sistema Alice
http://aliceweb.desenvolvimento.gov.br/

É o site alimentado pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), órgão subordinado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). Traz dados completos sobre que produtos o Brasil exporta ou importa, para onde, de onde, por país, bloco econômico, porto, estado, etc. É um dos mais simples do gênero, então vale a pena começar por este. Todos os sites estatísticos são mais ou menos parecidos. Depois que se entende o funcioamento de um, fica bem mais fácil entender o de qualquer outro. Atualização mensal, por volta do dia 10 de cada mês. Por exemplo, os dados de dezembro de 2009 deverão entrar no próximo dia 10 de janeiro.

IPEA Data
Tem séries históricas muito interessantes, além de atualizadas. Usei uma delas para fazer o gráfico ao final desse post. É o melhor para dados de macro-economia.

IBGE
http://ibge.gov.br
É talvez o melhor site do gênero no mundo, e isso não é ufanismo bobo. Traz tudo sobre a economia brasileira, em detalhes.


UN Comtrade
http://comtrade.un.org/db/

É o site estatístico da ONU. Ainda deixa muito a desejar. Nunca está satisfatoriamente atualizado. Mas é um site importante. Pode-se obter hoje, por exemplo, dados completos até 2007, sobre o comércio exterior mundial. Qual os maiores exportadores de petróleo? Qual os maiores exportadores mundiais de soja, de autopeças, etc.

Além disso, todos os governos do mundo criaram ou estão em vias de criar sites estatísticos, com dados de comércio exterior e economia doméstica.

*

Abaixo um gráfico que mostra o bom momento do salário mínimo no Brasil. Com base em dados do IPEA, traz a evolução do salário em termos reais e atualizados. Clique para ampliar.


11 de dezembro de 2009

Comentando as estatísticas de exportação

4 comentarios

No post anterior, publiquei três tabelas essenciais para se entender o comércio exterior brasileiro. A primeira traz a lista dos principais produtos exportados pelo Brasil nos últimos 12 meses (Dez/Nov), segundo números atualizados ontem mesmo pelo Sistema Alice, banco de dados online e gratuito do Ministério do Desenvolvimento. A segunda tabela mostra os produtos IMPORTADOS pelo Brasil no mesmo período. Por fim, temos a relação dos blocos econômicos mais importantes que compram nossos produtos. Uma quarta tabela, listando os blocos que exportam para o Brasil, publico aqui mesmo nesse post. Aliás, publico várias outras tabelas por aqui.

Antes, contudo, algumas informações genéricas sobre as exportações brasileiras. Nos últimos 12 meses, o Brasil exportou 152,35 bilhões de dólares, o que representou uma queda de 23% sobre igual período do ano anterior. Mesmo com essa queda, porém, o aumento nos últimos 10 anos continua impressionante, da ordem de 222%.

A importação brasileira também caiu bastante este ano, em relação ao ano passado. O Brasil importou 126,85 bilhões de dólares nos 12 meses até novembro último, queda de 26% sobre igual período de 2007/08. Na comparação com 1998/99, todavia, registrou-se alta de 116%.


Importações brasileiras nos últimos 2 anos e 1998/99 (Dez/Nov)
Período
US$ FOB
Peso Líquido(Kg)
12/2008 até 11/2009
126.853.122.584
103.572.640.188
12/2007 até 11/2008
172.076.606.892
124.544.143.688
12/1997 até 11/1998
58.607.822.302
93.502.481.823

Os números mostram que a exportação caiu, mas a importação caiu também, evitando a criação de déficit cambial. Nos primeiros 11 meses deste ano, o Brasil obteve um saldo comercial (exportação menos importação) de 23 bilhões de dólares. Considerando que nossas reservas internacionais atingiram mais de 200 bilhões de dólares, nossas contas externas ainda apresentam uma situação muito favorável.


Balança Comercial Brasileira em 2009 - Valores em US$ FOB
Mês
Exportação
Importação
Saldo
Corrente de Comércio
JAN
9.781.920.008
10.311.387.490
-.529.467.482
20.093.307.498
FEV
9.586.405.593
7.823.414.734
1.762.990.859
17.409.820.327
MAR
11.809.225.427
10.052.502.148
1.756.723.279
21.861.727.575
ABR
12.321.617.241
8.626.903.366
3.694.713.875
20.948.520.607
MAI
11.984.585.301
9.348.082.866
2.636.502.435
21.332.668.167
JUN
14.467.784.664
9.861.924.387
4.605.860.277
24.329.709.051
JUL
14.141.930.086
11.229.088.652
2.912.841.434
25.371.018.738
AGO
13.840.850.343
10.770.599.653
3.070.250.690
24.611.449.996
SET
13.863.221.927
12.535.939.246
1.327.282.681
26.399.161.173
OUT
14.081.686.044
12.753.586.660
1.328.099.384
26.835.272.704
NOV
12.652.892.311
12.038.263.683
614.628.628
24.691.155.994
DEZ
-
-
-
-
Acumulado
138.532.118.945
115.351.692.885
23.180.426.060
253.883.811.830


Vamos comentar agora a primeira tabela do post anterior, que trata dos produtos exportados pelo Brasil.

Vocês mesmo podem ver que o item Minérios, Escórias e Cinzas é o principal produto brasileiro de exportação. Nos últimos 12 meses, o Brasil exportou 14,25 bilhões de dólares em minérios, escórias e cinzas. Lá embaixo, eu publico uma tabela com o detalhamento de quais produtos estão incluídos nessa classificação. Adianto que o minério de ferro representa mais de 90% deste grupo, pois o Brasil possui as maiores jazidas do planeta; uma situada no chamado "quadrilátero ferrífero", em Minas Gerais, não muito distante de Belo Horizonte; outra na Ilha de Marajó, de exploração recente, mais que é ainda maior. A Vale explora esse ferro. Há dez anos, o Brasil exportava minério de ferro a 16 dólares a tonelada, o que significa que o ferro valia bem menos do que o próprio frete. Se considerarmos que 1 contêiner vazio de 20 pés, com capacidade para transportar 20 toneladas, custa de 10 a 15 mil dólares, chega a ser engraçado imaginar o quanto dinheiro perdemos vendendo ferro em estado bruto.

Ironicamente, logo após a privatização da Vale, a cotação internacional do ferro explodiu. Hoje o Brasil vende ferro a 46 dólares a tonelada. A quantidade exportada também registrou um crescimento nada modesto de 381% em 10 anos. Ou seja, o homem que comprou a Vale, o senhor Benjamin Steinbruch, numa ação entre amigos que contou com a prestigiosa ajuda do presidente da república Fernando Henrique Cardoso, onde o empresário não desembolsou um tostão do próprio bolso, recebendo emprestado os 3,3 bilhões de dólares de que necessitava, e ainda a juros subsidiados, o senhor Steinbruch deve ter ficado muito satisfeito com o negócio. Um dos maiores patrimônios do povo brasileiro foi transferido para o controle de uma só pessoa, com dinheiro emprestado pelos próprios brasileiros, mas a indignação da Cora Ronai é com o fato do ministro dos Esportes, Orlando Silva, ter comprado uma tapioca com cartão corporativo. A Vale hoje é estimada em mais de 300 bilhões de dólares, embora o seu valor, em verdade, seja incalculável, em virtude dos conhecimentos geológicos que ela detêm sobre o subsolo nacional. FHC, se tivesse uma gota de compromisso com o desenvolvimento nacional, poderia ter aberto o capital da Vale, para capitalizá-la e modernizá-la, mas mantendo o controle sob a União. O mais irônico de tudo é que, vendendo ferro barato principalmente para a China, que o transforma em aço e assim financia o seu próprio desenvolvimento, o neoliberalismo privatizante de FHC, com a pretensão de ser o supra-sumo do capitalismo pós-moderno, apenas ajudou a fortalecer o Estado comunista chinês!

*

A segunda tabela do post anterior, que trata dos principais produtos importados pelo Brasil, mostra que estamos comprando artigos importantes para o nosso desenvolvimento. Em primeiro lugar, reatores nuclares, o que deve refletir a construção de Angra 3. O petróleo vem sem segundo lugar, mas esse não conta muito, porque reflete o compra e vende: o Brasil vende petróleo pesado e compra petróleo leve. De qualquer forma estamos autosuficientes, compramos quase a mesma coisa que vendemos e a perspectiva é nos tornamos exportadores em pouco tempo.

*

A terceira tabela do post anterior, com a exportação brasileira por bloco econômico, confirma o que já vemos dizendo há tempos por aqui. Nos últimos 12 meses, os países em desenvolvimento responderam por 55% das exportações nacionais, contra 43% das nações desenvolvidas. Há 10 anos, a situação era invertida: os desenvolvidos respondiam por 61% das nossas exportações, contra 37% dos não-desenvolvidos. Esses dados explicam em parte a defasagem ideológica de alguns de nossos diplomatas e comentaristas de política externa, que não entenderam a forte mudança verificada na economia mundial, e seus reflexos sobre o comércio exterior brasileiro. Ainda querem puxar o saco de Europa e Estados Unidos, sem levar em conta que estes países não são mais tão essenciais para a economia brasileira como eram no passado.

O dado que eu gosto é esse: o bloco geográfico mais relevante para as exportações brasileiras, nos últimos 12 meses, é América Latina e Caribe, que importou 35 bilhões de dólares em produtos brasileiros, com aumento de 210% em 10 anos.

Outro que eu gosto é a coluna do preço médio. Nossos queridos hermanitos são os que pagam, de longe, os melhores preços pelos produtos brasileiros. Enquanto a União Européia pagou 458 dólares por tonelada, o Mercosul pagou 1.428 dólares e a Comunidade Andina das Nações (Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela) foi ainda mais generosa: 1.478 dólares. EUA pagou 808 dólares por tonelada e China, 127 dólares.

Fiz ainda uma tabela mostrando os principais produtos brasileiros exportados para América Latina e Caribe. Confiram como esse bloco importa, na maioria, produtos de alto valor agregado, como autopeças, reatores nucleares e aparelhos elétricos. Isso reforça a minha tese de que esse bloco adquiriu uma importância geopolítica estratégica, para o Brasil. Na contramão do que nos informa a mídia, presa a preconceitos terceiro-mundistas ultrapassados, é na América Latina que iremos encontrar o passaporte para nosso desenvolvimento industrial.

*

Abaixo, três tabelas mencionadas no post. Clique nelas para ampliar.





10 de dezembro de 2009

Exportações e importações brasileiras, até novembro de 2009

3 comentarios

Meus caros, os números do comércio exterior brasileiro até novembro acabaram de ser divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, através do Sistema Alice, um banco de dados online atualizado mensalmente. Estou de saída agora, mas tive tempo de preparar algumas tabelas mais importantes para vocês. Depois eu volto aqui para fazer algum comentário sobre elas.

Para ampliar, basta clicar sobre elas.









*

Tabela no Google Docs, com lista completa dos blocos econômicos que compram do Brasil.

Lista completa dos produtos exportados pelo Brasil, no acumulado Dez/Nov 2009.

Lista completa dos produtos importados pelo Brasil, no acumulado 12 meses Dez/Nov 2009.

7 de dezembro de 2009

Los hermanitos y las verditas

1 comentário

Pois é, Miguel, hora de voltar ao batente. O Bortolotto já está consciente e vai se recuperar, ao que parece, sem grandes sequelas, pois a coluna não foi atingida. Agora é sua vez de trabalhar. Pode continuar a fazer seu folhetim, mas vamos publicar alguma coisa de útil para não matar de tédio a sua meia dúzia de leitores. Vamos lá. Segundo o banco de dados online Alice, alimentado pelo Ministério do Desenvolvimento (Mdic), o Brasil exportou 154,44 bilhões de dólares em 2008/09, no período de 12 meses Nov/Out, o que representou um crescimento de 229% sobre 10 anos atrás.

Os principais produtos exportados pelo Brasil são matérias-primas, como ferro, petróleo, soja e carne, por ordem de importância. Em quinto lugar, todavia, vem um produto manufaturado de alto valor agregado: autopeças. A exportação brasileira de veículos e suas peças gerou 8,9 bilhões de dólares para a balança cambial nos últimos 12 meses, um valor que representa mais que o dobro da receita da exportação de café no mesmo período.

O importante a observar aqui, porém, é para onde se destinam essas exportações de autopeças. Nosso maior comprador é, de longe, a Argentina, que importou 3,43 bilhões de dólares em autopeças brasileiras, em Nov/Out 2009.

México, Alemanha, Venezuela, Chile e África do Sul, além da já citada Argentina, foram os principais compradores das autopeças brasileiras. Atentem para os desdobramentos diplomáticos, comerciais e políticos dessa realidade.

É verdade que os principais produtos exportados pelo Brasil são matérias-primas de baixo valor agregado. Mas não devemos ter vergonha por isso. A quantidade imensa de recursos naturais que existem em nosso território fazem com que, mesmo que exportemos grandes quantidades de produtos industrializados, as matérias-primas sempre serão um componente importante em nossa balança comercial. O que importa é verificar que as exportações de manufaturados estão crescendo, e de forma rápida, e que os mercados mais abertos e promissores estão no chamado mundo em desenvolvimento, a começar por nossos vizinhos. Clique nas tabelas para ampliá-las.








17 de novembro de 2009

Exportações agrícolas em Jan/Out 2009

Seja o primeiro a comentar!

Por conta do trabalho que eu tinha, ainda recebo estatísticas do Ministério da Agricultura. Talvez vocês se interessem por esses dados. Abaixo vai uma tabela com a exportação dos principais produtos agrícolas no acumulado dos dez primeiros meses do ano. Clique na tabela para ampliar:


13 de novembro de 2009

Exportações brasileiras: a importância da Argentina e da Venezuela

1 comentário

Já escrevi por aqui sobre a importância da América Latina e Caribe para o comércio exterior brasileiro. Esse grupo superou, de longe, China, EUA, Europa e Japão como principal parceiro comercial do Brasil, não apenas registrando um volume de comércio, em dólares, muito maior, mas, sobretudo, pela qualidade destas transações, visto que esses países importam produtos brasileiros manufaturados, enquanto as nações "desenvolvidas" continuam a comprar matérias-primas de baixo valor agregado.

Dou sequência, portanto, a meus estudos por aqui sobre o comércio exterior brasileiro, com dados atualizados até outubro, colhidos no banco de dados Alice, do Ministério do Desenvolvimento. É um assunto que, por incrível que pareça, me proporciona um enorme descanso mental, pois não preciso pensar muito. No entanto, tenho consciência de sua importância, porque eles não chegam aos brasileiros. Ninguém na mídia corporativa nem na blogosfera realiza esse trabalho, que tem consequências relevantes para a formação de um pensamento geopolítico no Brasil. Esses posts, apesar de receberem poucos comentários, são, de longe, os mais acessados através do Google, ocupando o primeiro lugar na lista de busca com a expressão "Exportações Brasileiras".

Em virtude do peso da América Latina para a economia brasileira, creio que esses números desmoralizam todas as opiniões correntes na mídia que depreciam nossos hermanos. Leio, por exemplo, com frequência, artigos jornalísticos negativos sobre a Argentina. O que os jornais não falam é que a Argentina consolidou-se como a terceira maior parceira comercial do país, atrás apenas da China e EUA, mas com enorme vantagem comparativa em relação a esses dois, porque importa produtos manufaturados do Brasil. China só compra ferro e soja em forma bruta, de maneira que o preço médio dos produtos brasileiros exportados para a China ficaram, nos últimos 12 meses (nov/out 09) em 121 dólares por tonelada. As compras estadunidenses tem um perfil um pouco melhor; o preço médio das exportações nacionais para os americanos atingiu 800 dólares a tonelada em 2008/09. Mas é a parceria com a Argentina que merece destaque, pois o preço médio dos produtos brasileiros exportados para lá atingiu 1.585 dólares a tonelada!

A Argentina é o maior parceiro do Brasil no Mercosul e na América Latina. No acumulado de 12 meses Nov/Out 2009, as exportações brasileiras para a Argentina totalizaram 11,77 bilhões de dólares, o equivalente a um terço das exportações brasileiras para toda América Latina e Caribe.

Outro país que merece muito destaque, e que vem sendo tremendamente injustiçado pela falta de informações que a mídia fornece aos brasileiros, é a Venezuela. Em virtude da rixa da mídia brasileira com Hugo Chávez, os brasileiros não foram informados de que a Venezuela tornou-se o segundo maior destino dos produtos brasileiros na América Latina e Caribe, superando México, Chile e Colômbia, e o sétimo no ranking mundial, acima de Inglaterra, Itália, França, Índia, Rússia... Em 2008/09, o Brasil exportou um total de 3,87 bilhões de dólares para a Venezuela, o que representou um aumento de 647% em 10 anos.

Entretanto, é quando olhamos para o quesito preço que constatamos o tamanho da injustiça que a Venezuela sofre entre os meios de comunicação brasileiros. A Venezuela é o país que, dentre os 40 maiores destinos das exportações brasileiras, pagou os preços mais altos por nossos produtos, significando que adquire os produtos brasileiros de altíssimo valor agregado. Em 2008/09, o preço médio das exportações brasileiras para a Venezuela alcançaram 2.165 dólares a tonelada. Compare o preço médio das exportações brasileiras para seus 10 principais destinos:

Período Out/Nov ----- 2008/09
Países ----- US$/ton
VENEZUELA ----- 2.165
ARGENTINA ----- 1.585
ESTADOS UNIDOS ----- 800
BELGICA ----- 667
HOLANDA ----- 559
ITALIA ----- 410
ALEMANHA ----- 393
FRANCA ----- 360
REINO UNIDO ----- 356
JAPAO ----- 161
CHINA ----- 121

De resto, antes de mostrarmos as tabelas, vale alguns esclarecimentos. A ilha de Santa Lucia, que aparece em terceiro lugar no ranking dos principais destinos das exportações brasileiras para América Latina e Caribe tem essa posição porque é grande compradora de petróleo.

Abaixo, as duas tabelas mencionadas. A primeira traz os 40 maiores destinos das exportações brasileiras, indexados pela coluna preço médio. Uma tabela com a lista completa dos destinos (+ 240 países), pode ser encontrada neste link.

A segunda vem com uma lista dos destinos das exportações brasileiras na América Latina, indexada pela coluna de receita. Reparem, como já disse, no peso da Argentina e no preço médio das vendas para a Venezuela.

Clique nas tabelas para ampliá-las.