25 de abril de 2007

Franklin Martins no YouTube

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Vejam isso. Vejam todos.

21 de abril de 2007

Isso também

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http://www.youtube.com/watch?v=z8rD1GpIgpo

Tem que ver isso

Seja o primeiro a comentar!


http://www.youtube.com/watch?v=AUp2E4rtzck

17 de abril de 2007

Informe-se!

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Desaliene-se! Leia esses artigos: aqui, aqui e aqui.

Essas entrevistas do Nassif (clique no segundo e terceiro links acima), jornalista respeitado à esquerda e à direita, veterano da Folha que saiu deste jornal, depois de muitos anos de serviço, por não se alinhar ao súbito comportamento golpista e sectário do jornalão paulistano, são uma bomba nuclear no ninho tucano. Isso sim merecia uma CPI! Isso sim merecia o destaque de todos os colunistas políticos, sobretudo dos campeões da ética. Nassif afirma que, em suas pesquisas, verificou que o Plano Real foi concebido para enriquecer a elite no poder. O jornalista explica que o fracasso retumbante do plano econômico do governo FHC não poderia ser casual e que grupos ligados ao governo federal enriqueceram-se enormemente. Quero ver o imprensalão comentando isso. Aqui não se trata de fulaninho que pagou cirurgia da filha de Lula ou coisa parecida. Aqui falamos de bilhões de dólares, de centenas de estatais privatizadas, de aumento súbito do déficit comercial. Não esqueçamos nunca que foi no governo FHC que a carga tributária aumentou exponencialmente, que a dívida pública, interna e externa, cresceu barbaramente, esta última quase toda acoplada ao dólar, o que deixou o país extremamente vulnerável a qualquer espirro lá fora. Em outros termos, os tucanos foram incompetentes. Pior: foram ladrões. A crise cambial de 1999 foi o mais degenerado golpe político da história brasileira, visto que FHC se reelegeu com promessas de estabilidade, mas segurava artificialmente o câmbio para ganhar as eleições, com ajuda da Miriam Leitão, que afirmava categoricamente na época que o Real não iria se desvalorizar. Agora, com este novo livro do Nassif, Cabeça de Planilha, sabemos que a podridão dos tucanos no poder foi algo muito acima do imaginável. Quero ver a repercussão disso na grande imprensa! Vamos ver!

16 de abril de 2007

Sobre o etanol & genocidios

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Minha sugestão é dar uma olhada nesse comentário do PHA.

*

Outra do PHA, sobre Daniel Dantas, tucanos, Rede Globo, e alguns mistérios.

*

País estranho, não?

14 de abril de 2007

Os colunistas e a realidade brasileira

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Eu fico impressionado com a cara de pau da Miriam Leitão. No dia seguinte em que o IBGE divulga dados que mostram o extraordinário avanço social registrado no Brasil nos últimos anos, ela vem com uma coluna reclamando de declarações intempestivas do diretor da Anac sobre a chamada crise aérea. Ou seja, uma colunista econômica prefere centrar suas baterias numa entrevista apócrifa, sem consequências políticas maiores aos números que revelam mudanças estruturais profundas na realidade sócio-econômica nacional. Indignou-me, como sempre, mas não me surpreendeu, é claro. Mesmo que o Financial Times ou o The Economist (como já fizeram, aliás) tecessem rasgados elogios ao governo Lula, Leitão usaria sua coluna para falar do atraso de duas horas em seu vôo para Manaus. Fui no blog dela e vejo que, la, que tem menos impacto, ela fala sobre o assunto, mas de forma absolutamente informativa fria, sem a necessaria e obvia inferiçao de que um tal avanço sinaliza tempos melhores, e mais justos, para a economia brasileira.

Enfim, reproduzo aqui um comentario de um leitor ao post da Miriam. Ele revela como esses jornalistas estao cometendo, de fato, um triste suicidio de credibilidade nesta sua guerrinha aberta contra o Lula:

"Nome: LUCIANO ALBERTO FREIRE PRADO - Email - 13/4/2007 - 15:44

Este gráfico ficaria melhor explicitado, se viesse o complemento anterior a 2002, época do governo FHC. Repara-se que só após 2002 é que começa a queda da desigualdade, quando inicia-se o governo Lula. Portanto, seria interessante a jornalista fazer um comparativo. A constatação do conteúdo seria mais jornalístico e menos escamoteador. "


O Globo continua sua cruzada contra o Lula, o que, como já disse, tem o aspecto positivo de manter a blogofera lulista com as armas afiadas, sem descansar.

Acho que vou usar este espaço para fazer também comentários sobre blogs amigos. No blog do Eduardo Guimarães, ele comenta uma coisa que venho dizendo há um tempo. O crescimento do Brasil, embora menor que de outros países latinos, é mais sustentável, porque possui fatores estruturais importantes como inflação baixa e um crescimento focado nas camadas mais humildes, promovendo a distribuição de renda. Ou seja, o Brasil cresceu menos que Argentina e Venezuela, mas estes países estão com sérios problemas de inflação e por aqui a gente sabe muito bem a esparrela que è crescer desse jeito: o resultado acaba sendo o aumento da desiguldade, visto que os ricos lucram com a inflação e os pobres pagam a conta.

Outro tema importantíssimo a ser comentado é a aprovação do Fundeb, que irá injetar muito dinheiro na educação brasileira. O governo recentemente propôs outra medida extremamente positiva que é a criação de um piso nacional para o professor. Caso aprovado e posto em prática, será um grande passo à frente para melhorar o ensino público. Há tempos que venho desenvolvendo uma teoria segundo a qual a educação pública melhora na proporção do incremento da renda do professor. Tenho muitos parentes, inclusive minha mãe, que são professores e, além disso, pelo pouco que conheço do gênero humano, entendo que uma renda estável constitui estimulo fundamental para qualquer profissional.

12 de abril de 2007

Dines promove debate insosso sobre Collor

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Bem, enfim um assunto que sacode um pouco o torpor do meu cérebro adormecido pela mesmice política brasileira, ainda acossada pela guerrinha entre Lula e mídia corporativa, fator negativo mas que serve para manter acesa a chama rebelde da blogosfera tupi. O assunto é o senador Fernando Collor de Mello, eleito pelo estado do Alagoas.

Primeiramente, lembro que a eleição de Collor representou um fracasso político fundamentalmente da ex-senadora por Alagoas, Heloísa Helena, que não contente de gastar os últimos anos de seu mandato literalmente enchendo o saco de Lula e de todo o povo brasileiro com sua ladainha lacerdista e oportunista, ainda nos legou esse presente de grego: a volta de Collor.

A imprensa me pareceu um tanto amedrontada e hesitante com essa intrigante volta do demônio alagoano (nascido, em verdade, no Rio). Recentemente, Alberto Dines colocou lenha na fogueira dedicando um de seus programas televisivos ao tema. Infelizmente, e previsivelmente, convidou Marcos Antonio Villa, historiador xodó da mídia. Nos últimos tempos, parece que Villa é o único historiador brasileiro, visto que seu nome aparece religiosamente nas páginas da mídia corporativa sempre que o assunto é política. A razão é óbvia: Villa fala sempre o que a mídia quer, ou seja, mete o cacete em Lula.

No caso do Collor, por alguma razão (talvez pela reverbaração recente da impressionante popularidade de Lula), deixaram o presidente de fora da pauta. Ou quase, o fato de Lula ter recebido Collor no Planalto tem sido explorado com o maquiavelismo típico. Lula não apenas recebeu Collor: recebeu-o com “honras”, como se a primeira visita de um senador recém-eleito ao presidente da República não fosse uma obrigação de todo presidente responsável e preocupado com uma boa relação com o Legislativo. Ainda mais considerando que um senador no Brasil é eleito por oito anos.

No debate promovido por Dines, que contou com a presença ainda de Ricardo Noblat, blogueiro do Globo, houve uma grande vácuo: ninguém citou o papel preponderante do jornal O Globo e das elites na eleição de Collor. O homem agora foi eleito senador, paciência, mas é preciso lembrar que ele foi absolvido de todas as suas acusações.

Lembro que, na época dos protestos contra Collor, eu era um dos cara-pintadas na rua. Quer dizer, não cheguei a pintar a cara, mas estava lá na rua, bebendo latinhas de cerveja, paquerando as garotas e participando do meu primeiro protesto político. Era uma festa. Tempos depois, a beleza daqueles momentos foi ofuscada, é verdade, pela percepção de que os estudantes foram um tanto manipulados pela Globo, que exibiu aquela série Anos Rebeldes num momento bem conveniente e ajudou a produzir todo o clima de indignação que inflamou o país. Mas, naquele momento, se bem me lembro, a situação econômica era terrível, com inflação, juros, dívidas, desemprego, todos os demônios soltos e ganhando espaço.

Hoje, as coisas estão diferentes. Mas o que eu queria que Dines tivesse lembrado era isso: o apoio das elites e a participação da Veja e do Globo, sobretudo, na eleição de Collor. A edição do debate entre Collor e Lula foi um dos maiores crimes políticos da história do audivisual brasileiro. Por que Dines não lembrou isso? Por que convidou Noblat e Villa e não outros? Eu sei por que. Porque a a interpretação da história é uma importante ferramenta política e, a partir do momento em que assistimos o jornalista Alberto Dines alinhar-se sectariamente ao lado dos golpistas da mídia corporativa, nada mais natural que um debate sobre Collor resultasse tão insosso, tão falso. Como diria um amigo meu lá da roça, ê ê Dines, ê ê.

Brasil um pouco melhor


Eu participo de fóruns na internet, recebendo artigos e textos extremamente interessantes para se compreender a realidade brasileira acima da visão elitista e golpista de nossa mídia corporativa. Convido vocês a participarem, enviando mensagem para o email abaixo:

Fernando Rossas Freire - forop086@terra.com.br

Aproveito para reproduzir um artigo que recebi hoje (referente ao gráfico acima), que informa um avanço social extraordinário no Brasil, usando dados e números do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas, ligado ao Ministério do Planejamento, uma fonte antiga e respeitada pelas correntes políticas mais diversas. Para a turma cultural que frequenta o blog, lembro que as crises de leitores, de espectadores de filme, enfim de consumidores de cultura (se é que se pode usar o termo consumidor neste caso), somente será contornada com a diminuição da pobreza no país. Não tem jeito, quem faz cultura no Brasil vai continuar dependendo da política por um bom tempo, até que tenhamos uma massa crítica mínima, um mercado consumidor mínimo, ponto a partir do qual o Brasil poderá vivenciar um grande ciclo de produção cultural, artística, científica.

5 milhões de brasileiros sairam da pobreza extrema em 4 anos

Os 10% mais pobres da população brasileira tiveram um aumento de 36% na renda entre 2001 e 2005. A única faixa que teve queda no período foi a dos 10% mais ricos, que recuaram 1,2%. Com isso, o Brasil passou a ter a sua menor desigualdade de renda nos últimos 30 anos, informa um estudo do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea, ligado ao Ministério do Planejamento), a ser divulgado nesta quinta-feira (12). No entanto, a concentração de renda brasileira ainda é a 11ª pior do mundo, muito mais grave que a de outros países com nível semelhante de desenvolvimento.

O estudo Desigualdade de Renda no Brasil: uma análise da queda recente toma como base principal o coeficiente de Gini (veja o gráfico ao lado), que varia de zero a um: o índice 0,000 corresponde a uma igualdade absoluta; o 1,000 a uma completa concentração.

Altos e baixos

O gráfico mostra como a desigualdade de renda evoluiu nos últimos governos. Ela recuou nos últimos anos da ditadura militar – depois de provocar um debate nacional, sobre a suposta necessidade de primeiro deixar o bolo crescer para depois distribuí-lo. Atingiu um pico com a escalada inflacionária de 1889-1990. Nos dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso, começou a ceder lentamente, mantendo-se acima da média do período. Em 2001, achava-se ligeiramente acima da média destes 30 anos. Mas no governo Lula caiu de forma mais contínua e substancial, "alcançando seu menor nível nos últimos trinta anos".

"Além de ser um resultado importante por si só, essa desconcentração levou a uma expressiva redução da pobreza e da extrema pobreza", diz o Ipea (veja o segundo gráfico). O órgão analisa que a mudança teve "diferentes fatores determinantes, o que favorece sua sustentabilidade". E cita entre eles a ampliação dos programas sociais do governo.

"Percepções" sociais diferentes

O estudo divide a população brasileira em dez fatias, conforme a sua renda, e acompanha a evolução de cada uma das fatias entre 2001 e 2004. O resultado é uma linha reta. O décimo mais pobre é o que tem o maior avanço na renda; conforme aumenta o nível de renda, diminui o ganho no período. O décimo mais rico é o único a ter queda de renda. Neste período houve uma redução de 3,2 pontos na proporção de pessoas extremamente pobres, o que representa mais de 5 milhões de brasileiros que sairam da pobreza extrema.

Apesar das taxas medíocres de crescimento econômico nos anos em exame, "a percepção dos mais pobres no Brasil foi a de estarem vivendo em um país com uma alta taxa de crescimento econômico, enquanto os 20% mais ricos tiveram a percepção de estarem vivendo em um país estagnado", observa o Ipea. A diferença no comportamento das diferentes faixas de renda (veja o gráfico 2) ajuda a explicar também os resultados eleitorais do ano passado e as pesquisas sobre a avaliação do governo Lula.

Um dos países mais desiguais

Na avaliação do instituto, "o sucesso recente deve ser encarado apenas como um primeiro passo de uma longa jornada", pois "o Brasil ainda se encontra entre os países mais desiguais do mundo". Tomando-se por base o índice de Gini, apenas alguns países africanos e latino-americanos têm concentração de renda pior que a do Brasil:

Namíbia - 0,707
Lesoto - 0,632
Botsuana - 0,630
Serra Leoa - 0,629
República Centro-Africana - 0,613
Bolívia - 0,606
Guatemala - 0,599
África do Sul - 0,593
Zimbabwe - 0,568
Paraguai - 0,568.

"A queda observada na desigualdade de renda não foi suficiente para colocar o Brasil em uma posição equiparável à dos demais países com nível de desenvolvimento semelhante". acusa o Ipea. "Para que a pobreza se reduza, a renda dos mais pobres deve aumentar e, para isso, é necessário que haja crescimento econômico ou reduções no grau de desigualdade".

"Cerca de vinte anos"...

Apesar da queda recente, a desigualdade de renda brasileira permanece extremamente elevada. A fatia da renda total apropriada pela parcela 1% mais rica da população é da mesma magnitude daquela apropriada pelos 50% mais pobres. Além disso, os 10% mais ricos detêm mais de 40% da renda, enquanto os 40% mais pobres respondem por menos de 10% da renda total.

No cenário internacional, o país continua ocupando uma posição de absoluto destaque negativo, mesmo quando a comparação se faz com países de nível de desenvolvimento semelhante. O Ipea calcula que, caso a velocidade dos últimos anos fosse mantida, "seriam necessários cerca de vinte anos para que a posição internacional do Brasil e alinhasse com sua posição relativa à renda per capita", prevê o Ipea.

"Em suma, o grau de desigualdade do país permanece extremamente elevado", diz o órgão. E mostra que, enquanto 64% dos países têm renda per capita inferior à brasileira, somente 43% têm renda per capita de seus 20% mais pobres menor que a brasileira.

Com Ipea e agências

11 de abril de 2007

Essa eu quero ver

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Outro dia vi notícia no Globo dizendo que a Justiça tinha autorizado a primeira CPI em 12 anos no governo do estado de SP. A CPI do Banestado. A matéria, é claro, não vinha na terceira página nem vinha com gráficos e fotos gigantescas do ex-governador Alckmin, principal figura política em questão. A CPI, se for realmente aprovada, o que ainda é muito duvidoso, vai investigar o tráfico de influência do governo Alckmin, que teria beneficiado, através do Banestado, revistas amigas, aí incluindo a nossa desquerida Primeira Leitura. Queria tanto ver a cara de bunda do Reinaldo Azedo frequentando as páginas policiais…

10 de abril de 2007

Dicas

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Visto que este blog nao esta num momento muito frenético, deixo aqui alguns links interessantes para meus leitores:

http://tudo-em-cima.blogspot.com/index.html
http://edu.guim.blog.uol.com.br
http://conversa-afiada.ig.com.br

6 de abril de 2007

Carta Maior volta ao ar

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Boa noticia. Creio que temos muito o que falar sobre isso. Envolve o destino da imprensa alternativa no Brasil. Envolve o significado de imprensa alternativa. Envolve discutir patrocinio cultural, democratizaçao da noticia e diversidade da opiniao.

As ultimas décadas ajudaram a consolidar no Brasil uma estrutura midiatica extremamente conservadora, golpista e homogenea ideologicamente.

Nao perdem uma oportunidade para tentarem impor sua opiniao como A OPINIAO PUBLICA BRASILEIRA, quando sabemos que se trata, na verdade, da opiniao de uma duzia de colunistas comprometidos com a opiniao de 3 ou 4 familias proprietarias dos referidos veiculos.

Por isso, é tao importante termos uma Agencia Carta Maior. Por isso, é tao importante termos uma blogosfera ativa. Alias, a importancia da blogosfera, imune a problemas de financiamento, esta doença que mata tantos sites e jornais alternativos, aumenta a cada dia.

4 de abril de 2007

Entrevista exclusiva com Ademir Assunção (arquivo)

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(essa foi feita em meados de 2005)


Arte & Política - Pode descrever, em poucas frases, sua carreira literária (bibliografia, etc).
Sou um vagabundo que gosta de ler e escrever livros e trabalha muito mais do que gostaria. Assim, publiquei centenas de entrevistas, reportagens, resenhas e artigos nos jornais e revistas que trabalhei (Folha de Londrina, Folha de São Paulo, Estado de São Paulo, Jornal da Tarde, Marie Claire, etc...), escrevi poemas musicados por Itamar Assumpção, Edvaldo Santana, Madan, etc, e publiquei cinco livros: LSD Nô, A Máquina Peluda, Cinemitologias, Zona Branca e Adorável Criatura Frankenstein.

Arte & Política - Como analisa o mercado editorial para poesia contemporânea?
Mercado editorial de poesia? Mas poesia não é mercadoria. Mercadoria é sabão em pó Omo, detergente Limpol e disco do Zezé di Camargo e Luciano, os novos ídolos de Caetano Veloso.

Arte & Política - Para você, em que a cultura do blog e da internet interfere na literatura?
Na literatura, em nada. Blogue é um suporte. Um bom espaço de guerrilha, para quem sabe manejar uma arma. Há gente que sabe manejar. Há outros que só enchem lingüiça e nunca acertam no alvo. De qualquer modo, a internet é um bom meio para furar os esquemas de controle de informação. Eu gostaria de fazer uma rádio virtual, que pudesse ser ouvida no mundo inteiro. Mas não vamos nos iludir: no momento em que a internet começar realmente a incomodar, o establishment resolve o problema rapidinho: corta a luz das residências.

Arte & Política - Você gosta de ler literatura na internet?
Não. Quando tem algum texto que me interessa, imprimo e leio no papel. Eu tenho o hábito de ler andando pela casa ou deitado no chão da sala, coçando a barriga da minha cachorra. Não dá para fazer isso e ler na tela de um computador ao mesmo tempo.

Arte & Política - Quais são seus autores contemporâneos preferidos, tirando seus amigos? E os clássicos?
São muitos: Samuel Beckett, Rodrigo Garcia Lopes, Jorge Luis Borges, Douglas Diegues, Maikovski, Claudio Daniel, Gary Snyder, Mario Bortolotto, Paulo Leminski, Nelson de Oliveira, William Burroughs, Marcelo Mirisola, Yukio Mishima, Marcia Denser, Ezra Pound, Sylvia Plath, Evandro Affonso Ferreira, Cecília Vicuña, Lourenço Mutarelli e alguns outros.

6 - Que acha do cinema contemporâneo nacional? Destacaria algum filme?
Não tenho uma visão inteira do cinema contemporâneo nacional. Não lembro de nenhum filme nacional (nem internacional) que tenha me nocauteado nos últimos tempos. Achei muito boa a porrada do “Quanto vale ou é por quilo?”, do Sérgio Bianchi, os quadrinhos do Lourenço Mutarelli no “Nina”, o ritmo e a trama do “O Invasor”, do Beto Brant. Gostei também do último filme do Carlão Reichenbah, embora “Filme, Demência”, de uns 10, 15 anos atrás seja bem melhor. Agora, o maior desastre do cinema brasileiro recente é “Carandiru”. Babenco fez filmes fantásticos, como “Pixote”, “Ironweed” e “Brincando nos Campos do Senhor”. Em “Carandiru”, enfiou o pé, a mão e a cabeça na jaca. Também não gosto de “Cidade de Deus”. Acho um filme muito bem feito, um tanto Tarantinesco, mas não acho um filme honesto. Detesto esses diretores que se formaram nos filmes publicitários e pensam que tudo está a venda, inclusive a barra pesada. Aqueles caras que raciocinam assim: “ah, precisamos de uma tomada aérea do Rio de Janeiro de 15 segundos. Quanto custa? R$ 300 mil? Só? Manda fazer.”

Arte & Política - E televisão? Algum programa que lhe chame a atenção?
Durante mais de 20 anos não tive televisão. Há um ano comprei uma e um aparelho de DVD. Por força de hábito, esqueço de ligá-la. Quando lembro, é uma desgraça. Cada vez que tento assistir televisão me convenço de que a raça humana realmente vai pro buraco.

Arte & Política - Acha que a visão política do autor influencia em seu modo de escrever?
De jeito nenhum. Um péssimo escritor pode ser fascista, comunista ou democrata. Um bom escritor, idem.

Arte & Política - Que tipo de literatura você definitivamente não gosta?
Literatura feita por caras que escrevem uns troços juvenis e andam por aí com o nariz empinado, pensando que são uma mistura de Norman Mailer com James Joyce.

Arte & Política - Pode falar um pouco de seus últimos projetos?
Acabei de lançar o CD Rebelião na Zona Fantasma. Quem quiser comprá-lo, pode pedir pelo seguinte email: zonafantasma@uol.com.br. Custa 25 pilas (já incluído frete postal).

Arte & Política - Que acha de São Paulo? Como descreveria a cidade?
Como Leminski a descreveu: um monstro com nome de santo.

Arte & Política - E o Brasil? Que acha do Brasil? Tem jeito?
Espero que sim. Não só o Brasil, o planeta. Se essa raça metida a besta (a humana, claro) continuar saqueando o planeta no ritmo em que está, acho que essa merda vai pro saco logo logo. Tem uma música no disco “Mr. Heartbreak”, de Laurie Anderson, que descreve um planeta fantasma, habitado por estranhos seres da era do gelo, sacolejando no imenso vazio. Sempre que ouço essa música tenho a nítida impressão que ela descreve a própria Terra.

Arte & Política - Se fosses obrigado a morar em outro país? Que país escolheria?
Egito. Gostaria muito de fumar um hash na tumba do faraó Ramsés III.

2 de abril de 2007

Entrevista exclusiva com Luiz Ruffato (arquivo)

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(Essa é mais uma das entrevistas feitas para o site Arte e Politica. Publico aqui para efeito de arquivo, ja que o site do AP esta fora do ar)

Arte & Política: Quais são os clássicos que você mais admira?

Luiz Ruffato: Tenho cinco autores de cabeceira, aos quais sempre volto: Machado de Assis, Guimarães Rosa, Luigi Pirandello, Anton Tchekov e William Faulkner.

A&P: Em que momento da sua vida, se é que aconteceu assim, você olhou para o espelho e disse para si mesmo: eu quero escrever ficção?

Creio que no momento em que li o primeiro livro da minha vida. Nós éramos muito pobres, meu pai pipoqueiro, minha mãe lavadeira, e não tínhamos livros em casa. Quando consegui uma vaga numa escola melhorzinha em minha cidade, Cataguases, eu me senti ainda mais deslocado, pois era uma escola onde estudava a classe média de lá. Então, eu, que já era tímido, fiquei mais ensimesmado ainda. E aí entrei na biblioteca, que era ótima, pois recebia como doação os livros que um escritor, Francisco Inácio Peixoto, ganhava de amigos e de editoras, e peguei um livro ao acaso, o primeiro da minha vida. Eu o li e fiquei uma semana com febre... Através desse livro, Babi Iár, de Kusnetzov, descobri que o mundo era maior que o bairro onde morava, maior que a minha cidade... E aí resolvi que quando crescesse eu tentaria descobri o quão grande era o mundo... Mas, para isso, eu precisava conhecer primeiro o meu bairro, a minha cidade... É o que estou fazendo ainda hoje...

A&P: Qual a importância da literatura para um país com 50 milhões de pessoas abaixo da linha de pobreza?

Eu acredito que a arte modifica o mundo, pois acredito que a arte modifica o homem. Foi assim comigo, eu estava fadado a ser no máximo um alienado operário qualificado (acabei me formando no Senai, em tornearia-mecânica) e através da literatura outras perspectivas se me abriram. Então, acho que esse fenômeno pode se repetir sempre, quando se trata de arte de qualidade.

A&P: Que sugestão você daria para a política do livro que está sendo debatida entre o Ministério da Cultura, as editoras, algumas grandes redes de livraria e, mais recentemente, com alguns grupos de escritores?

Eu daria apenas uma contribuição: a recriação do Instituto Nacional do Livro para reedição de clássicos da cultura brasileira, com consequente distribuição para as bibliotecas públicas, que deveriam ser lugares vivos, dinâmicos, interessantes, e não depósitos de livros como são hoje. Acho que todos, governo, livreiros, editores, autores, deveríamos nos engajar para impedir a tragédia que se transformou a educação no país. Se revertêssemos minimamente os caos da atual situação, teríamos cidadãos no futuro, e talvez até leitores, que é o que nos falta...

A&P: Em que o sucesso do cinema, da TV, do audivisual em geral, pode ter mudado os caminhos da literatura?

São inegáveis as mudanças provocadas pelo aparecimento do cinema, da tevê e da internet. No meu caso específico, essas mudanças, principalmente na maneira de descrever a realidade, foram incorporadas antropofagicamente à minha própria linguagem. Eu transformo tudo em linguagem.

A&P: Que filmes nacionais você gostou mais nos últimos tempos?

Estamos levando uma goleada dos argentinos, em termos de cinema. O cinema contemporâneo brasileiro está preso, literalmente. Gostaria até de iniciar uma campanha: Vamos tirar o cinema brasileiro da cadeia! Nos últimos dez anos, surgiram alguns filmes interessantes de diretores que admiro, como o Luiz Fernando Carvalho (Lavoura arcaica), Beto Brant (Os matadores), Walter Salles (O primeiro dia), Eliane Caffé (Narradores de Javé), João Batista de Andrade (O tronco), Karim Ainouz (Madama Satã), Tata Amaral (Um céu de estrelas)...

A&P: Que escritores brasileiros contemporâneos você sente afinidade ou admiração? E na poesia?

É sempre complicado isso, a gente sempre acaba cometendo injustiças. Existem os canônicos, que me são contemporâneos, mas não são meus contemporâneos , então cito só os amigos que frequentam a minha casa, Marçal Aquino, Claudio Galperin, Cíntia Moscovich, Iacyr Anderson Freitas, Fabrício Carpinejar, etc.

A&P: Que conselho daria para um escritor começando sua carreira?

Escreva, sempre, e leia, muito.

A&P: Escrever é difícil? Quanto tempo você leva em geral para escrever um romance como "Eles eram muitos cavalos"? Você faz algum tipo de pesquisa?

Escrever é difícil e não tem nenhum glamour. Doem as costas, os olhos, fica-se isolado do mundo... Eu não faço pesquisa, eu vivo.

A&P: Você acompanha alguma coisa de música ou artes plásticas? Há qq coisa nessas áreas que lhe interessam?

As artes plásticas, de uma maneira geral, me interessam, e muito. Aliás, costumo dizer que meu diálogo formal hoje se dá muito mais com as artes plásticas que com a literatura. As artes plásticas são muito mais rápidas na compreensão da realidade que a literatura. Quanto à música, vivemos um impasse meio parecido com o cinema. A geração dos "filhos" é extremamente desinteressante. O que acontece de novo hoje ocorre fora do circuito das grandes gravadoras. E citaria nomes como Vitor Ramil, no Sul, e Luisinho Lopes, em Minas, para só ficar em dois exemplos.

A&P: O que acha da televisão brasileira? Algum programa que lhe diverte ou gosta mais? E os que não gosta?

Não vejo televisão.

A&P: Tem algum best seller que você gosta de ler? Falo de um desses americanos que ganham milhões, como Jeffrey Deaver, Stephen King, John Grisham...

Tenho toda a literatura clássica me esperando para ler ou reler, não tenho tempo para essas coisas...

A&P: O que você está lendo agora?

Autores que se tornaram amigos durante minha participação no festival Ettonants Voyageurs, na França: Karla Suárez, cubana; José Manuel Fajardo, espanhol; Jean-Paul Delfino, francês; e Tabajara Ruas... brasileiro.

A&P: Qual sua filosofia de vida, em poucas frases?

Lao Tsé: "Uma longa caminhada começa com o primeiro passo".

A&P: Para você, qual o significado do carnaval?

Sempre foi uma festa popular, alegre, interessante, até ser apropriada pela burguesia brasileira, que tem o poder de um Midas escatológico, que transforma tudo em vulgaridade...

A&P: E o amor? Para você, o que é o amor? Acredita no casamento?

Amor é solidariedade. Amar é dividir com o outro. Sim, acredito no casamento, se pensarmos que casar é estabelecer uma relação honesta, fiel e construtiva.

A&P: Como você explica a ascenção das religiões evangélicas no país?

A ascensão das religiões evangélicas deve ser entendida como um fenômenos de mão dupla. De um lado, ela cresce por absoluta incompetência do Estado brasileiro. Se tivéssemos o Estado verdadeiramente preocupado com o bem-estar dos seus cidadãos, não haveria necessidade de igrejas que promovem ações sociais onde grassa a miséria. Agora, por outro lado, essa histeria da burguesia brasileira com relação às igrejas evangélicas é injustificada, porque a Igreja Católica sempre fez a mesma coisa, e ainda hoje faz, com menos competência talvez: é dona de rádios, de votos, de políticos. Os evangélicos tiveram uma excelente escola...

A&P: Qual a sua sugestão para a luta contra o terrorismo?

O respeito pela diversidade...

A&P: Se o Lula te telefonasse e pedisse uma idéia para melhorar a educação brasileira, o que falaria?

Diria: Lula, eu votei em você e sempre soube que você não faria nenhuma revolução no país. Mas eu achava que pelo menos mudanças pontuais haveriam. E uma delas seria justamente na educação. O que seu governo está fazendo, entretanto, é apenas jogar a pá de cá no cadáver da educação brasileira, que vinha doente desde que os militares tomaram o poder, piorou bastante nos últimos governos civis e infelizmente morreu justo em seus braços...