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25 de maio de 2011

Legalizar a maconha?

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(Obama smoking weed)


Não me inteirei muito sobre a tal da Marcha da Liberdade, em São Paulo. Fiquei sabendo somente que, dentre outros temas, tinha a ver com uma campanha pela legalização da maconha. A marcha foi proibida por um juiz conservador da cidade. Mas aconteceu mesmo assim.

Aproveito a deixa e declaro aqui a minha opinião. Tem que legalizar a maconha! É uma vergonha que os Estados Unidos, o país mais conservador do ocidente, já tenha legalizado o uso e plantio de maconha medicinal em vários estados, e aqui a gente continue a criminalizar uma planta que é fumada de norte a sul do país.

Em 1996, a Califórnia se tornou o primeiro estado a legalizar a venda da maconha sob prescrição médica. Os outros estados que permitem algum uso de maconha para fins medicinais são Alaska, Colorado, Havaí, Maine, Maryland, Michigan, Montana, Nevada, Novo México, Oregon, Rhode Island, Vermont e Washington.

(Extraído do site Unieuro, matéria de dezembro de 2009)

O Brasil poderia se tornar um grande produtor e exportador mundial da planta, gerando emprego para milhares de pequenos agricultores.

Legalizando, poderíamos também explicar melhor à juventude os males do vício. Conheço bem essa ervinha danada. Tenho milhares de amigos que fumam um back. Estudei letras na UERJ (antes de me formar em Comunication), frequentava a UFRJ, era tudo um fumacê só. Pra falar a verdade, aqui no Rio, entre a juventude "cult" universitária é difícil achar um elemento que não fume ou não tenha fumado. Os shows no Circo Voador antigo (mas já na Lapa), que eu assisti dos 17 aos 25 anos, mais ou menos, eram uma coisa de louco. Você mal conseguia respirar lá dentro de tanto vapor jamaicano.

Entretanto, a cannabis atrapalha a concentração, dá preguiça, engorda, confunde o cérebro, tira a energia que deveria ser canalizada para o estudo ou trabalho. E há que se cuidar, porque vicia sim. Não é um vício físico como a heróina, a cocaína e o crack, mas é um vício psicológico e cultural, que leva o cara a só se divertir depois de fumar um baseado.

E devemos proteger as crianças, naturalmente. Tive uma namorada que parou de fumar aos nove anos. Isso mesmo que você ouviu, aos nove anos! O pai dela, um hippie mucho crazy que uma vez foi andando do Rio a Porto Alegre, apresentou maconha à filha desde que ela tinha quatro ou cinco anos!

É o mesmo cuidado que temos de ter com o álcool.

Tudo bem que a legislação brasileira avançou bastante no quesito repressão. Não se prende mais usuário, e há uma lei nova segundo a qual a pessoa, se for réu primário, sequer tem que pagar cesta básica ou trabalho comunitário; simplesmente assina um documento se comprometendo a nunca mais fazer aquilo.

Temos que dar agora um passo definitivo, que é liberar e legalizar as drogas. Mas a luta pela legalização da maconha tem de ser construída de baixo, pelo convencimento gradual e progressivo da sociedade. Dando um passo de cada vez, compreendendo o momento político, não desistindo ou desanimando ao primeiro revés. Dirigindo a artilharia contra os verdadeiros adversários, não contra nossos aliados!

E todavia agindo com bravura e assertividade, claro! Também não adianta sermos cerebrais em excesso. Tem que ir para a rua e botar a boca no trombone. A criminalização das drogas só gera prejuízo, constrangimento, e incentiva o crime. As cadeias brasileiras não suportam mais receber pequenos traficantes. E boa parte dos gastos com segurança pública esvaem-se no combate ao uso de entorpecentes.

Acho que deviam primeiro legalizar a maconha e, no médio prazo, todas as drogas.

26 de fevereiro de 2010

Governo Serra promove violência contra viciados

1 comentário

Assisti estarrecido ontem na TV, em horário nobre, os âncoras da Band e da Globo, anunciarem uma espetaculosa operação da polícia paulista na famigerada Cracolândia. Não que eu seja contra a repressão ao consumo de crack, ainda mais como é em São Paulo (aqui no Rio também é assim), no meio da rua. O que houve ali, no entanto, não passou de uma brutalização imperdoável de pessoas doentes, fragilizadas psicologica e fisicamente pelo vício.

Uma operação deste tipo deveria ser feita sem alarde, sem presença de equipes de TV, com auxílio de especialistas em tratamento de viciados. Há traficantes perigosos nessas áreas, mas a maioria são viciados semi-destruídos mentalmente. Triste ver aqueles andrajos magrelas e inseguros sob a mira de metralhadoras automáticas, recebendo insultos, chutes e tapas na cara.

Para completar o quadro de incompetência e chauvinismo vulgar, os doentes foram encaminhados para um centro de tratamento que não fora previamente avisado, e que não possuía funcionários para atender a quase ninguém. Resultado: os viciados foram liberados e voltaram imediatamente à cracolândia, prontos para retornar ao consumo da droga.

Um dos maiores crimes observados nas grandes cidades brasileiras, com São Paulo em primeiro lugar, é o abandono de gerações inteiras de crianças e adolescentes, que passam os dias e noites consumindo crack nas ruas. Os governos deveriam investir pesado no tratamento desses seres humanos, que estão se convertendo em monstros terrivelmente perigosos à sociedade. Quer dizer, nem tão perigosos assim, porque o crack é tão letal que a maioria acaba morrendo muito cedo ou se tornando verdadeiros vegetais semi-vivos. Alguns, todavia, sobrevivem, mas com marcas sinistras do sofrimento vivido e sabe-se lá do que serão capazes de fazer. Seria importante que o governo de São Paulo fizesse um trabalho sério no combate ao crack, em grande escala, com apoio e participação das organizações sociais que já trabalham com o problema. Essas medidas brutalizantes, unilaterais, midiáticas, apenas agravam o problema.

7 de dezembro de 2009

Depois do susto

2 comentarios

Prezados leitores e amigos, desculpe a preguiça dos últimos dias. Teve esse episódio do Bortolotto que também não ajudou. Me deixou muito mal, para falar a verdade. Quero ficar distante, neste caso, de qualquer politização, mas eu sei que isso vai ser inevitável. Esse crime constitui uma tragédia chocante demais para não ter desdobramentos. Até porque é preciso, antes de tudo, cuidar para que ela não se repita. O mais importante é que Bortolotto, graças a Deus, já superou o risco de morte, e se recupera bem. O cara é um touro!

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Uma coisa é óbvia. São Paulo está mais violenta do que nunca. E não creio que essa política de segurança pública genocida, que atira primeiro para investigar depois, colabore para o clima de paz. Incêndios reiterados em favelas, como acontecia na época do Lacerda, no Rio dos anos 60, e que beneficiam especuladores imobiliários interessados em remoção dessas comunidades; despejo cruel de famílias pobres; repressão brutal a vendedores ambulantes; salários de fome para policiais, médicos e professores; decisão de aumentar o IPTU da cidade em mais de 300%; enchentes terríveis espalhando morte e sofrimento; tudo isso, que naturalmente atinge as camadas mais humildes, apenas acirra o ódio entre as classes, criando uma atmosfera de verdadeira guerra social. Imaginem quanto desespero não há em São Paulo? As elites paulistas não sinalizam com nenhuma esperança. Pode-se alegar que a pobreza não tem relação direta com a violência (com o que não concordo), mas a desesperança, com certeza, estimula a barbárie. É só porrada, porrada, porrada.

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Creio que, a partir desta terça-feira, poderei voltar à minha rotina blogueira, acompanhando a situação política do país e do mundo.

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Quero informar ainda que a minha Carta Diária Óleo do Diabo vai indo bem. Estou fazendo uma série de artigos e tabelas sobre comércio exterior que nos permite desenvolver argumentos bastante diferenciados sobre geopolítica e política internacional. Ainda não assinou? Então assine.