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24 de julho de 2011

Exportações brasileiras até junho de 2011

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Publico aqui uma estatística importante, porque muito pouco conhecida. Segundo dados colhidos no sistema Alice, banco de dados online do Ministério do Desenvolvimento, o Brasil exportou um total de 231 bilhões de dólares nos últimos 12 meses, até junho último.

Um dos principais blocos econômicos comprador de produtos brasileiros foi a América Latina e Caribe, que importou 53,2 bilhões de dólares em 2010/11. Este valor foi maior do que o total exportado para União Européia ($49 bilhões), China ($ 39 bilhões) e EUA ($22 bi).

O mais impressionante, no entanto, não é isso, e sim o valor médio que nossos hermanos pagaram por nossos produtos: 1.248 dólares a tonelada. Contra 468 dólares a tonelada pagos pela Europa e 202 dólares pela China.

A razão disso é que a maior parte de nossas exportações de produtos industrializados, que tem valor agregado mais alto, destinam-se à América Latina.

Clique nas tabelas para vê-las sem cortes.


A tabela abaixo mostra que tipos de produtos são exportados para a América Latina. Repare que, entre os 10 mais importantes, todos (com exceção do petróleo) são manufaturados, como autopeças, maquinários, aparelhos elétricos, aço, plásticos e papel. Também exportamos aviões, produtos químicos e instrumentos óticos.


A conclusão é que a América Latina e Caribe tornou-se o bloco estratégico para escoar e ampliar a nossa exportação de produtos industrializados.

16 de maio de 2011

Brasil, exportador de produtos básicos

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(clique na tabela para ver a coluna de variação sobre o ano anterior).

Taí uma tabela que muitos leitores gostam de ver. Esse tipo de informação é difícil de achar. É a relação dos principais produtos brasileiros exportados nos últimos 12 meses, até abril, e a comparação com o mesmo período do ano anterior. Observe que, de fato, o Brasil exporta apenas matéria-prima. A única exceção é o setor de autopeças, embora na verdade o país também seja deficitário nesse segmento. Quer dizer, o Brasil exporta muito autopeças, mas importa ainda mais. (PS: exportamos aviões também, 3 bilhões de dólares em 12 meses).

Se alguém quiser um consolo, pode ler Adam Smith. O velho economista do século XVIII afirmava que a riqueza de uma nação sempre começa por sua agricultura, apesar dele ressaltar que algumas das economias européias não tenham passado por esse processo em virtude do surgimento meio brusco do mercantilismo.

Pelo curso natural das coisas, portanto, a maior parte do capital de toda sociedade em crescimento é primeiramente canalizada para a agricultura, em segundo lugar para as manufaturas, e só em último lugar para o comércio exterior. Essa ordem de prioridade é tão natural que, segundo creio, sempre foi observada, até certo ponto, em todo país que disponha de algum território. Adam Smith, A Riqueza das Nações, Livro III, capítulo 1.

Eu poderia acrescentar, ainda à guisa de consolo moral, que o Brasil tem uma boa base industrial voltada para o consumo doméstico. O que tem lhe faltado é uma base industrial de exportação. Mas é assim mesmo que tem de ser: em primeiro lugar, abastecemos nossas necessidades, consolidamos uma boa infra-estrutura industrial voltada para dentro; depois investe-se para produzir excedente e exportá-lo.

No caso da agricultura, também não podemos nos deixar enganar pela simplificação dos termos. Trata-se de matéria-prima, mas não como era há cinquenta anos. Os preparos para deixar os produtos básicos prontos para exportação têm hoje uma complexidade tal que, em vários casos, é injusto chamá-los simplesmente de "básicos". A exportação de carnes é um bom exemplo. A carne é cortada, tratada, congelada, ensacada, passando portanto por um processo de semi-industrialização. Resultado: O Brasil vende sua carne a preços altos. Não custa tão caro quanto um relógio de ouro suíço, mas o suficiente para bancar uma indústria sofisticada e ainda em crescimento.

E isso sem contar o trabalho anterior da carne: cuidados com a reprodução, tratamento veterinário, alimentação especial, instalações modernas. Uma indústria agropecuária certamente é bem mais sofisticada do que uma fábrica de chinelos havaiana ou de guarda-chuvas. No entanto, a exportação é contada como "produto básico", enquanto as havaianas são classificadas como "produto industrializado".

O caso do minério de ferro, que era o mais triste, pois o Brasil durante décadas vendeu o produto a quinze dólares a tonelada, hoje tem uma situação melhor: o ferro é vendido por 100 dólares a tonelada. Ainda é pouco, mas muito melhor que antes.

Na verdade, todos os produtos básicos vendidos pelo Brasil estão, no momento, com preços históricos nas alturas, e como a causa desta vez não é apenas especulação nas bolsas mas uma demanda mundial muito elevada e em crescimento, não há perspectiva deles caírem substancialmente no curto e médio prazo. Com isso, delineia-se, para o Brasil, um longo período de prosperidade econômica, que devemos aproveitar justamente para ampliar nossa base industrial, investir em educação, e consolidar o nosso tão sonhado Estado de bem estar social.

22 de junho de 2010

Dados atualizados sobre as exportações brasileiras

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Há tempos que não publicava por aqui dados do comércio exterior. Aproveitando que o sistema Alice, o banco de dados público do Ministério do Desenvolvimento, foi atualizado recentemente com números de maio, elaborei algumas tabelas. Depois trago mais coisas.

A América Latina e Caribe continua sendo o destino mais importante das exportações brasileiras, tanto em receita absoluta quanto no quesito preços. É a parte do mundo que paga melhor por nossos produtos e compram a maior parte de nossos itens industrializados.

O preço médio das exportações brasileiras para a América Latina e Caribe, nos últimos 12 meses, atingiu US$ 1.063 por tonelada, contra US$ 398 da União Européia, e US$ 133 da China.






Na tabela abaixo (clique na imagem para ampliar), temos a lista dos 15 principais grupos de produtos exportados pelo Brasil no acumulado de 12 meses até maio. O Brasil, de fato, é grande exportador de matérias-primas, mas alguns desses itens, como carne e café, possuem um razoável valor agregado. 

A exportação de veículos, máquinas, aço e aeronaves também merece destaque; a maior parte caiu em relação ao período anterior, em função da crise, mas já estão se recuperando nos últimos meses e devem voltar a crescer em breve.



Lista completa dos produtos brasileiros exportados em Jun/Mai 2010.

8 de junho de 2010

América Latina compra 47% dos maquinários brasileiros; EUA, 16%

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Há tempos que eu não publicava algo sobre o comércio exterior brasileiro. Aproveitando que a imprensa desta terça-feira está bem generosa na divulgação dos números do PIB, eu faço uma visita surpresa ao banco de dados Alice, para ver como andam as exportações.

Editei abaixo três tabelas. Na primeira, uma lista dos 15 principais grupos de produtos exportados pelo Brasil. Eu falo "grupo" de produtos, e não apenas "produtos", porque cada um dos itens comporta imensa gama de artigos variados. 

Do primeiro item de exportação, o petróleo, não tem graça falar. Não por enquanto. Ele merecerá um estudo à parte. Os minérios, segundo item mais exportado, são aquilo: mesmo com aumento dos preços do ferro, o Brasil vende uma tonelada por 58 dólares. O Brasil privatizou a Vale para reduzir o "peso do Estado", e agora, por ironia da história, vendemos ferro bruto para estatais chinesas a preço de banana, e essas mesmas estatais agora estão comprando ações da Vale e construindo refinarias no Brasil para aumentar os seus lucros. Estatal brasileira não serve; estatal chinesa póóóde.

No fundo, tudo foi uma grande estupidez. Setores que necessitam de aportes gigantescos de capital, como siderurgia, sempre tiveram forte participação estatal. O radicalismo ideológico do governo FHC, aliados a motivos menos transparentes, não os permitiu ver isso e o Brasil lançou ao mar um de seus maiores tesouros, de importância estratégica para qualquer país. Alemanha e França perderam trilhões de dólares e milhões de vidas humanas na luta pelo controle de jazidas de ferro. O Brasil entregou suas minas, as maiores do planeta, por 1 bilhão de dólares em moedas podres, e tudo financiado pelo BNDES.

Em seguida, no ranking de nossas exportações, vem o grupo carnes, onde temos um grande mercado no oriente médio, que importa sobretudo o frango brasileiro. Quando alguém perguntar, portanto, qual o interesse econômico do Brasil nos imbróglios nucleares & políticos daquela região, você pode responder com a singeleza de um matuto esperto e prático: é o frango, uai!

O quarto item na lista dos produtos mais importantes exportados pelo Brasil são autopeças, vendidas majoritariamente para América Latina e Caribe, com destaque para Argentina.

Depois temos a soja, exportada principalmente para China e Europa.

No seu devido tempo, iremos analisar cada um desses produtos e cada um desses mercados. Hoje eu trago um breve estudo sobre o sexto item mais importante de nossa pauta de exportações: maquinários. Trata-se do grupo de número 54, que inclui todo o tipo de maquinário, desde ventiladores até reatores nucleares. O Brasil também exporta eletrônicos (celulares, vídeo-cassetes, dvds, tvs, computadores). A diferença entre maquinários e eletrônicos é que os primeiros são produtos com motor.

O Brasil exportou 3,11 bilhões de maquinários em Jan/Abr deste ano, aumento de 26% sobre igual período do ano anterior. É interessante observar que a exportação brasileira de maquinários já superou a de açúcar, café e madeira. A participação dos manufaturados na exportação brasileira vem crescendo, ao contrário do que dizem setores da imprensa. Entretanto, como as exportações de petróleo, sobretudo, e minério de ferro, em segundo plano, cresceram em ritmo alucinante, na esteira da demanda explosiva da China, o crescimento das vendas de manufaturados ficou abafado.

Pois bem, agora observem a terceira tabela publicada nesse post. Quem é o principal comprador dos maquinários brasileiros?

Ela mesma, aquela que deveria ser considerada nossa maior amiga: Argentina. A maior compradora de nossos manufaturados. E não é só isso. Dentre o extenso grupo de manufaturados vendidos pelo Brasil, a Argentina compra os mais caros, o que tem maior valor agregado.

Enquanto os EUA pagaram 5,6 mil dólares, em média, pela tonelada de maquinário brasileiro, a Argentina pagou mais de 11 mil dólares.

Enquanto as exportações brasileiras de maquinários para os EUA cresceram apenas 8,7%, no primeiro quadrimestre do ano, o crescimento nas vendas para Argentina saltaram 58% no mesmo período.

Na segunda tabela, repare que a América Latina & Caribe importou 47% de todos os maquinários exportados pelo Brasil. Apenas o Mercosul comprou 22%, contra uma participação de 20% da União Européia, e 16% dos EUA. A poderosa China importou somente 2,4% de nosso maquinário.

E agora, senhores editorialistas do Estadão, ainda querem declarar guerra à Argentina só porque um funcionário de lá impôs restrições a importação de meia dúzia de biscoitinhos brasileiros?










Lista completa dos produtos exportados pelo Brasil no primeiro quadrimestre (Jan/Abr) de 2010.

1 de junho de 2010

Exportações brasileiras para o oriente médio

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Clique na imagem para ampliar.

28 de maio de 2010

Exportações brasileiras para Argentina crescem 290% desde 2002

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Já faz tempo que eu não publico nada sobre comércio exterior. O blog recebe muitas visitas em busca desse tipo de informação, que é ainda muito difícil de obter. Então eu fiz uma tabela com as exportações brasileiras para a Argentina. Lembram que há pouco tempo, o Estadão pregou que o Brasil reagisse violentamente à uma medida argentina que dificultava a entrada de alguns produtos alimentícios brasileiros? Eu lembrei, na ocasião, que a Argentina é nossa maior compradora de autopeças, eletrônicos, máquinas, e brinquei dizendo que o Estadão queria destruir o Mercosul por causa da importação de biscoitinhos.

Era brincadeira mas é verdade. Clique na tabela abaixo para ampliar. Alimentos constituem um item insignificante dentre os produtos brasileiros exportados para a Argentina. Mesmo assim, o Brasil deve lutar por justiça e equidade nas relações comerciais, claro; mas daí fazer um editorial ameaçando o Mercosul, sem mostrar que o país é o maior mercado de nossos manufaturados, eu acho desonesto.

O Serra já andou falando que o Brasil não pode se tornar apenas um exportador de produtos básicos. Então olha essa tabela, Serra, e veja se a Argentina compra produtos básicos do Brasil. Nos últimos 12 meses até abril, a Argentina importou o equivalente a 14,6 bilhões de dólares em produtos brasileiros, a maioria manufaturados de alto valor agregado.

Confira abaixo.

12 de maio de 2010

Carta Diária de hoje traz matéria sobre exportações brasileiras para o Mercosul

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Aproveitei que o Sistema Alice, banco de dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), atualizou o mês de abril, e fiz uma matéria, recheada com estatísticas, trazendo os principais produtos exportados pelo Brasil. Mostro que o grupo de autopeças é o mais importante manufaturado exportado pelo país e editei outra tabela, com os blocos econômicos que compram as autopeças brasileiras.

A matéria é uma resposta aos ataques do complexo tucano-midiático ao Mercosul.

Está lá na Carta Diária Óleo do Diabo, a fonte de renda do blogueiro.

27 de abril de 2010

Rubens Barbosa e os 10% de verdade

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Hoje, no Globo, me deparei com um artigo de Rubens Barbosa falando mal do Mercosul. Até aí tudo bem, ele é tucano, foi embaixador no tempo de Fernando Henrique, e essa turma gosta mesmo é de tirar o sapato para os EUA. O artigo também foi publicado no Estadão.

Acontece que me intrigou o seguinte trecho do texto:

Com as sucessivas medidas restritivas e contrárias à tarifa externa comum (TEC), desapareceu a agenda de liberalização comercial, principal característica da fase atual do Mercosul, a união aduaneira. A perda de relevância comercial para os países membros (o Mercosul representou cerca de 16% do comércio exterior brasileiro em 1998, contra menos de 10% em 2009) não estimula maiores esforços para a superação das dificuldades.

Estranhei. Ué? Mercosul perdeu espaço na pauta das exportações brasileiras?

Os leitores desse blog sabem das minhas manhas estatísticas. Então lá fui eu fuçar o Sistema Alice, em busca de informações detalhadas sobre a informação de Barbosa.

E o que descobri? O que eu já suspeitava. Não se trata exatamente de uma mentira, mas de uma distorção malandra. Em 1998, o Mercosul, de fato, representou até mais do que o apurado por Barbosa, 17%, contra 10,3% em 2009.

Ocorre que, em 1998, as exportações brasileiras totalizaram 51 bilhões de dólares, contra 153 bilhões em 2009. Em 2008, antes da crise internacional, as exportações brasileiras haviam atingido 198 bilhões de dólares.

Ou seja, Barbosa usa um percentualzinho chulé para distorcer a realidade, dando a entender que estávamos melhor antes do que agora. Em 1998, o Brasil registrou déficit na balança comercial de 6 bilhões de dólares, ou seja, importou mais do que exportou. Em 2009, houve saldo de 25 bilhões de dólares.

Mais uma: em 1998, o Brasil registrou déficit no comércio com o Mercosul de 538 milhões de dólares. Em 2009, ano ruim, teve saldo positivo de 2,7 bilhões, após registrar saldo de 6,8 bilhões em 2008.

Ou seja, o Mercosul gerou imensa quantidade de divisas para o país e o tucanão de cabelos lambidos vem com esse chororô de crocodilo. Quer enganar quem?

De 1998 para 2009, as exportações brasileiras para o Mercosul cresceram 78%. A queda na participação do Mercosul no bolo total aconteceu porque as vendas brasileiras para outros destinos cresceram muito mais. Só para a China, as exportações brasileiras cresceram 1580% no período, puxando os percentuais para si. Em se tratando de estatísticas de percentual, se um ganha pontos, outro perde.

Além disso, a qualidade das exportações brasileiras para o Mercosul também cresceu, com o preço médio subindo de 774 dólares a tonelada em 1998 para 1.494 dólares a tonelada em 2009.

Entretanto, um raciocínio se impõe. Segundo Rubens Barbosa, o Mercosul é ruim e estaria engessando as exportações brasileiras. Ora, em vista do aumento espetacular das exportações nos últimos anos, eu gostaria de saber onde é que o Mercosul atrapalhou?

Se o Mercosul corresponde a 10% das exportações brasileiras, contra 17% no passado, é porque o país ampliou substancialmente o leque dos destinos de seus produtos, e não porque o Mercosul deu errado. Parece-me que esses 10% deveriam ser aplicados, isso sim, ao percentual de verdade no texto do embaixador.

Clique nas tabelas para vê-las por inteiro.



6 de abril de 2010

Lembrando: Raio-X do comércio exterior

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Vou repetir um post porque as pessoas, ao que parece, ainda não entenderam a validade deste material. Trata-se de um estudo que fiz há poucas semanas, um Raio-X completo do comércio exterior brasileiro até 2009. Além de um artigo longo acompanhado de tabelas e gráficos, o estudo conta com dezenas de tabelas detalhadas contendo:

- Todos os destinos das exportações brasileiras, em 2009 e anos anteriores.
- Todos os produtos exportados pelo Brasil.
- Lista completa dos destinos dos principais produtos: minérios, soja, carnes, etc.
- Lista completa dos principais países que exportam para o Brasil.
- Lista completa dos principais produtos importados pelo Brasil.
- Balança comercial brasileira com seus principais parceiros, seja país ou bloco.

Enfim, é um estudo realmente completo.

Estou vendendo esse estudo por R$ 30,00. Se você fizer uma assinatura da Carta Diária, que custa R$ 50, ganha de brinde.

Quem se interessar, favor depositar o valor em forma de doação ao blog usando os dados abaixo. Em seguida, envie um email para oleodiario@gmail.com informando hora e dia da transferência. O estudo será enviado por email no mesmo dia.

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22 de março de 2010

Raio-X completo do comércio exterior brasileiro

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Lembrei de um material que tenho por aqui que é extremamente valioso e pelo qual alguém pode se interessar. Trata-se de um estudo que fiz há poucas semanas, para uma revista, e que eles liberaram agora para que eu possa comercializá-lo. É um Raio-X completo do comércio exterior brasileiro até 2009. Além de um artigo longo acompanhado de tabelas e gráficos, o estudo conta com dezenas de tabelas detalhadas contendo:


- Todos os destinos das exportações brasileiras, em 2009 e anos anteriores.
- Todos os produtos exportados pelo Brasil.
- Lista completa dos destinos dos principais produtos: minérios, soja, carnes, etc.
- Lista completa dos principais países que exportam para o Brasil.
- Lista completa dos principais produtos importados pelo Brasil.
- Balança comercial brasileira com seus principais parceiros, seja país ou bloco.

Enfim, é um estudo realmente completo.

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11 de dezembro de 2009

Comentando as estatísticas de exportação

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No post anterior, publiquei três tabelas essenciais para se entender o comércio exterior brasileiro. A primeira traz a lista dos principais produtos exportados pelo Brasil nos últimos 12 meses (Dez/Nov), segundo números atualizados ontem mesmo pelo Sistema Alice, banco de dados online e gratuito do Ministério do Desenvolvimento. A segunda tabela mostra os produtos IMPORTADOS pelo Brasil no mesmo período. Por fim, temos a relação dos blocos econômicos mais importantes que compram nossos produtos. Uma quarta tabela, listando os blocos que exportam para o Brasil, publico aqui mesmo nesse post. Aliás, publico várias outras tabelas por aqui.

Antes, contudo, algumas informações genéricas sobre as exportações brasileiras. Nos últimos 12 meses, o Brasil exportou 152,35 bilhões de dólares, o que representou uma queda de 23% sobre igual período do ano anterior. Mesmo com essa queda, porém, o aumento nos últimos 10 anos continua impressionante, da ordem de 222%.

A importação brasileira também caiu bastante este ano, em relação ao ano passado. O Brasil importou 126,85 bilhões de dólares nos 12 meses até novembro último, queda de 26% sobre igual período de 2007/08. Na comparação com 1998/99, todavia, registrou-se alta de 116%.


Importações brasileiras nos últimos 2 anos e 1998/99 (Dez/Nov)
Período
US$ FOB
Peso Líquido(Kg)
12/2008 até 11/2009
126.853.122.584
103.572.640.188
12/2007 até 11/2008
172.076.606.892
124.544.143.688
12/1997 até 11/1998
58.607.822.302
93.502.481.823

Os números mostram que a exportação caiu, mas a importação caiu também, evitando a criação de déficit cambial. Nos primeiros 11 meses deste ano, o Brasil obteve um saldo comercial (exportação menos importação) de 23 bilhões de dólares. Considerando que nossas reservas internacionais atingiram mais de 200 bilhões de dólares, nossas contas externas ainda apresentam uma situação muito favorável.


Balança Comercial Brasileira em 2009 - Valores em US$ FOB
Mês
Exportação
Importação
Saldo
Corrente de Comércio
JAN
9.781.920.008
10.311.387.490
-.529.467.482
20.093.307.498
FEV
9.586.405.593
7.823.414.734
1.762.990.859
17.409.820.327
MAR
11.809.225.427
10.052.502.148
1.756.723.279
21.861.727.575
ABR
12.321.617.241
8.626.903.366
3.694.713.875
20.948.520.607
MAI
11.984.585.301
9.348.082.866
2.636.502.435
21.332.668.167
JUN
14.467.784.664
9.861.924.387
4.605.860.277
24.329.709.051
JUL
14.141.930.086
11.229.088.652
2.912.841.434
25.371.018.738
AGO
13.840.850.343
10.770.599.653
3.070.250.690
24.611.449.996
SET
13.863.221.927
12.535.939.246
1.327.282.681
26.399.161.173
OUT
14.081.686.044
12.753.586.660
1.328.099.384
26.835.272.704
NOV
12.652.892.311
12.038.263.683
614.628.628
24.691.155.994
DEZ
-
-
-
-
Acumulado
138.532.118.945
115.351.692.885
23.180.426.060
253.883.811.830


Vamos comentar agora a primeira tabela do post anterior, que trata dos produtos exportados pelo Brasil.

Vocês mesmo podem ver que o item Minérios, Escórias e Cinzas é o principal produto brasileiro de exportação. Nos últimos 12 meses, o Brasil exportou 14,25 bilhões de dólares em minérios, escórias e cinzas. Lá embaixo, eu publico uma tabela com o detalhamento de quais produtos estão incluídos nessa classificação. Adianto que o minério de ferro representa mais de 90% deste grupo, pois o Brasil possui as maiores jazidas do planeta; uma situada no chamado "quadrilátero ferrífero", em Minas Gerais, não muito distante de Belo Horizonte; outra na Ilha de Marajó, de exploração recente, mais que é ainda maior. A Vale explora esse ferro. Há dez anos, o Brasil exportava minério de ferro a 16 dólares a tonelada, o que significa que o ferro valia bem menos do que o próprio frete. Se considerarmos que 1 contêiner vazio de 20 pés, com capacidade para transportar 20 toneladas, custa de 10 a 15 mil dólares, chega a ser engraçado imaginar o quanto dinheiro perdemos vendendo ferro em estado bruto.

Ironicamente, logo após a privatização da Vale, a cotação internacional do ferro explodiu. Hoje o Brasil vende ferro a 46 dólares a tonelada. A quantidade exportada também registrou um crescimento nada modesto de 381% em 10 anos. Ou seja, o homem que comprou a Vale, o senhor Benjamin Steinbruch, numa ação entre amigos que contou com a prestigiosa ajuda do presidente da república Fernando Henrique Cardoso, onde o empresário não desembolsou um tostão do próprio bolso, recebendo emprestado os 3,3 bilhões de dólares de que necessitava, e ainda a juros subsidiados, o senhor Steinbruch deve ter ficado muito satisfeito com o negócio. Um dos maiores patrimônios do povo brasileiro foi transferido para o controle de uma só pessoa, com dinheiro emprestado pelos próprios brasileiros, mas a indignação da Cora Ronai é com o fato do ministro dos Esportes, Orlando Silva, ter comprado uma tapioca com cartão corporativo. A Vale hoje é estimada em mais de 300 bilhões de dólares, embora o seu valor, em verdade, seja incalculável, em virtude dos conhecimentos geológicos que ela detêm sobre o subsolo nacional. FHC, se tivesse uma gota de compromisso com o desenvolvimento nacional, poderia ter aberto o capital da Vale, para capitalizá-la e modernizá-la, mas mantendo o controle sob a União. O mais irônico de tudo é que, vendendo ferro barato principalmente para a China, que o transforma em aço e assim financia o seu próprio desenvolvimento, o neoliberalismo privatizante de FHC, com a pretensão de ser o supra-sumo do capitalismo pós-moderno, apenas ajudou a fortalecer o Estado comunista chinês!

*

A segunda tabela do post anterior, que trata dos principais produtos importados pelo Brasil, mostra que estamos comprando artigos importantes para o nosso desenvolvimento. Em primeiro lugar, reatores nuclares, o que deve refletir a construção de Angra 3. O petróleo vem sem segundo lugar, mas esse não conta muito, porque reflete o compra e vende: o Brasil vende petróleo pesado e compra petróleo leve. De qualquer forma estamos autosuficientes, compramos quase a mesma coisa que vendemos e a perspectiva é nos tornamos exportadores em pouco tempo.

*

A terceira tabela do post anterior, com a exportação brasileira por bloco econômico, confirma o que já vemos dizendo há tempos por aqui. Nos últimos 12 meses, os países em desenvolvimento responderam por 55% das exportações nacionais, contra 43% das nações desenvolvidas. Há 10 anos, a situação era invertida: os desenvolvidos respondiam por 61% das nossas exportações, contra 37% dos não-desenvolvidos. Esses dados explicam em parte a defasagem ideológica de alguns de nossos diplomatas e comentaristas de política externa, que não entenderam a forte mudança verificada na economia mundial, e seus reflexos sobre o comércio exterior brasileiro. Ainda querem puxar o saco de Europa e Estados Unidos, sem levar em conta que estes países não são mais tão essenciais para a economia brasileira como eram no passado.

O dado que eu gosto é esse: o bloco geográfico mais relevante para as exportações brasileiras, nos últimos 12 meses, é América Latina e Caribe, que importou 35 bilhões de dólares em produtos brasileiros, com aumento de 210% em 10 anos.

Outro que eu gosto é a coluna do preço médio. Nossos queridos hermanitos são os que pagam, de longe, os melhores preços pelos produtos brasileiros. Enquanto a União Européia pagou 458 dólares por tonelada, o Mercosul pagou 1.428 dólares e a Comunidade Andina das Nações (Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela) foi ainda mais generosa: 1.478 dólares. EUA pagou 808 dólares por tonelada e China, 127 dólares.

Fiz ainda uma tabela mostrando os principais produtos brasileiros exportados para América Latina e Caribe. Confiram como esse bloco importa, na maioria, produtos de alto valor agregado, como autopeças, reatores nucleares e aparelhos elétricos. Isso reforça a minha tese de que esse bloco adquiriu uma importância geopolítica estratégica, para o Brasil. Na contramão do que nos informa a mídia, presa a preconceitos terceiro-mundistas ultrapassados, é na América Latina que iremos encontrar o passaporte para nosso desenvolvimento industrial.

*

Abaixo, três tabelas mencionadas no post. Clique nelas para ampliar.





10 de dezembro de 2009

Exportações e importações brasileiras, até novembro de 2009

3 comentarios

Meus caros, os números do comércio exterior brasileiro até novembro acabaram de ser divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, através do Sistema Alice, um banco de dados online atualizado mensalmente. Estou de saída agora, mas tive tempo de preparar algumas tabelas mais importantes para vocês. Depois eu volto aqui para fazer algum comentário sobre elas.

Para ampliar, basta clicar sobre elas.









*

Tabela no Google Docs, com lista completa dos blocos econômicos que compram do Brasil.

Lista completa dos produtos exportados pelo Brasil, no acumulado Dez/Nov 2009.

Lista completa dos produtos importados pelo Brasil, no acumulado 12 meses Dez/Nov 2009.

7 de dezembro de 2009

Los hermanitos y las verditas

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Pois é, Miguel, hora de voltar ao batente. O Bortolotto já está consciente e vai se recuperar, ao que parece, sem grandes sequelas, pois a coluna não foi atingida. Agora é sua vez de trabalhar. Pode continuar a fazer seu folhetim, mas vamos publicar alguma coisa de útil para não matar de tédio a sua meia dúzia de leitores. Vamos lá. Segundo o banco de dados online Alice, alimentado pelo Ministério do Desenvolvimento (Mdic), o Brasil exportou 154,44 bilhões de dólares em 2008/09, no período de 12 meses Nov/Out, o que representou um crescimento de 229% sobre 10 anos atrás.

Os principais produtos exportados pelo Brasil são matérias-primas, como ferro, petróleo, soja e carne, por ordem de importância. Em quinto lugar, todavia, vem um produto manufaturado de alto valor agregado: autopeças. A exportação brasileira de veículos e suas peças gerou 8,9 bilhões de dólares para a balança cambial nos últimos 12 meses, um valor que representa mais que o dobro da receita da exportação de café no mesmo período.

O importante a observar aqui, porém, é para onde se destinam essas exportações de autopeças. Nosso maior comprador é, de longe, a Argentina, que importou 3,43 bilhões de dólares em autopeças brasileiras, em Nov/Out 2009.

México, Alemanha, Venezuela, Chile e África do Sul, além da já citada Argentina, foram os principais compradores das autopeças brasileiras. Atentem para os desdobramentos diplomáticos, comerciais e políticos dessa realidade.

É verdade que os principais produtos exportados pelo Brasil são matérias-primas de baixo valor agregado. Mas não devemos ter vergonha por isso. A quantidade imensa de recursos naturais que existem em nosso território fazem com que, mesmo que exportemos grandes quantidades de produtos industrializados, as matérias-primas sempre serão um componente importante em nossa balança comercial. O que importa é verificar que as exportações de manufaturados estão crescendo, e de forma rápida, e que os mercados mais abertos e promissores estão no chamado mundo em desenvolvimento, a começar por nossos vizinhos. Clique nas tabelas para ampliá-las.








24 de novembro de 2009

Distorções geocomerciais

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Olha só isso. Uma típica matéria que, sem mentir, falseia a realidade e, sobretudo, produz uma interpretação geopolítica equivocada. A capa do Caderno Dinheiro da Folha de São Paulo, hoje, começa dizendo que o Brasil vem perdendo espaço no comércio com os Estados Unidos. Só lá pelas tantas, somos informados que o Brasi passou de 14º para 16º na lista dos principais fornecedores para os EUA.




O erro da matéria é que ela não contextualiza. Não lembra ao leitor que as exportações brasileiras experimentaram um salto impressionante nos últimos dez anos, de 228%.

Até a matéria do IPEA é distorcida, e talvez por culpa da ingenuidade dos pesquisadores. Confiram a manchetinha à direita: Commodities passam a dominar a exportação. A impressão que se passa é que o Brasil está voltando ao passado, a ser um exportador de matérias-primas. Ser burro é fácil. É só relaxar. O mundo é complicado  e tudo fica mais difícil se quem deveria nos ajudar, como a imprensa, tenta nos tornar mais burros do que já somos.

O jornalista poderia ajudar o pesquisador do IPEA a enxergar uma coisa óbvia. As exportações brasileiras de produtos industrializados não caíram. Ao contrário, aumentaram de maneira muito forte. A exportação de autopeças, por exemplo, cresceu 156% em 10 anos e já é o quinto principal produto no ranking, gerando 9 bilhões de dólares nos últimos 12 meses. A venda de aviões cresceu 146% em 10 anos. A exportação de produtos eletrônicos cresceu 206% no mesmo intervalo.



(Clique na tabela para ampliar).

Ocorre que, comparado ao salto gigantesco das vendas de ferro, petróleo e soja para a China, elas perdem no percentual. Entende? No percentual, as exportações de industrializados perdem pontos na comparação com a tríade petróleo, ferro e soja. O petróleo é um produto caro e pesado, e já é um dos principais produtos de exportação do Brasil. A exportação brasileira de petróleo cresceu 3.000% em 10 anos! É claro que nas estatísticas os produtos primários aumentam sua participação. Mas daí a falar que estão "dominando" é, no mínimo, ambíguo.

Mas não tem graça, porque o Brasil também importa muito, de forma que a balança cambial do petróleo fica empatada e, até que o pré-sal entre em atividade, permanecerá empatada muito tempo. E tem a carne também, cujas exportações cresceram 547% em 10 anos. A carne entra no grupo de produtos primários, o que tem um aspecto muito injusto, porque a tonelada da carne é vendida por quase 2.000 dólares, contra 40 dólares do ferro. A carne, por tão perecível, deve ser semi-industrializada antes de seguir viagem.

A soja é incrível mesmo, e os brasileiros devem ter muito orgulho do Brasil. Os produtores brasileiros ultrapassaram os americanos (que por um século dominaram esse mercado) em produtividade, quantidade produzida e quantidade exportada. A soja gera dezenas de bilhões de reais para a economia brasileira, por isso tem que ser vista como um de nossos produtos mais importantes. É preciso um olhar urbano e cultural para a soja, pois há uma civilização que floresce no centro-oeste e sudeste em torno dela.

É uma cultura conservadora, com certeza. A força de José Serra tem essas forças por trás. É por isso que a esquerda deve respeitar a grande cultura agrícola. É um voto eternamente conservador e representa forças econômicas poderosas. É contrabalançado, porém, pelo voto popular da pequena agricultura, muito mais relevante em termos populacionais, e que não possui uma representação no Congresso correspondente a sua grandeza.

As exportações brasileiras de produtos industrializados, sobretudo autopeças, cresceram, a um ritmo honesto e firme nos últimos 10 anos, e continuam crescendo. A exportação de soja explode num ano, mas vem uma seca, um problema climático qualquer, e desaba no outro. O ferro é vendido a quarenta dólares a tonelada e apenas perpetua a miséria no Pará e em Minas Gerais.

Os setores progressistas da exportação são as autopeças, maquinários, sapatos, carnes, e centenas de produtos agrícolas, muitos levando certificação de qualidade ambiental e social, conforme é a tendência nos mercados de consumo do primeiro mundo.

*

Os grandes compradores de produtos industrializados do Brasil são nossos vizinhos. O Financial Times, a The Economist, em toda Europa, os EUA, todos estão falando muito bem do Brasil, mas no frigir dos ovos quem põe a mão no bolso e compra nossos manufaturados são argentinos, venezuelanos, chilenos, mexicanos, caribenhos, equatorianos.

Sem esquecer um ponto fundamental, que falta à matéria da Folha. As exportações brasileiras de produtos industrializados têm uma boa razão para não terem crescido muito: a forte demanda interna. Em todo país, quando há forte demanda interna e o câmbio é favorável, é evidente que é muito mais confortável ao industrial vender a seus locais do que mandar seus produtos para o outro lado do mundo. Empresário não escolhe cliente. Vende para quem pode e quer comprar. E o consumo de industrializados no Brasil, este sim, explodiu. Na verdade, as fábricas de eletrônicos não estão dando conta de atender a demanda doméstica. Há falta de DVDs, TVs, rádios, celulares, laptops, computadores. As vendas de computador no Brasil aumentaram, nos últimos 6 anos, a taxas anuais superiores a 20%. Chegou a quase 40% em 2006 ou 2007.

O leitor da Folha, mais uma vez, encerrará a leitura do Caderno Dinheiro com uma conclusão pessimista. Se for um empresário, pode ser que tome uma decisão que envolva um recuo em seus investimentos e mesmo a demissão de gente. No auge da crise, citei Keynes no blog. O economista amigo de Roosevelt escreveu sobre o dano à economia causado pela propaganda de incentivo à recessão, gerada na imprensa por motivação política.

É por essas e outras que a China, que o Sardenberg, para nos diminuir, adora comparar ao Brasil, cresce 15% ao ano e nós crescemos, no máximo 6%. Eliminar essa imprensa que insiste em falsear a realidade para prejudicar a economia brasileira, seria como um balonista lançar, para fora de seu balão, um hipopótamo inusitado que ali tivesse se escondido.

17 de novembro de 2009

Exportações agrícolas em Jan/Out 2009

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Por conta do trabalho que eu tinha, ainda recebo estatísticas do Ministério da Agricultura. Talvez vocês se interessem por esses dados. Abaixo vai uma tabela com a exportação dos principais produtos agrícolas no acumulado dos dez primeiros meses do ano. Clique na tabela para ampliar:


13 de novembro de 2009

Exportações brasileiras: a importância da Argentina e da Venezuela

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Já escrevi por aqui sobre a importância da América Latina e Caribe para o comércio exterior brasileiro. Esse grupo superou, de longe, China, EUA, Europa e Japão como principal parceiro comercial do Brasil, não apenas registrando um volume de comércio, em dólares, muito maior, mas, sobretudo, pela qualidade destas transações, visto que esses países importam produtos brasileiros manufaturados, enquanto as nações "desenvolvidas" continuam a comprar matérias-primas de baixo valor agregado.

Dou sequência, portanto, a meus estudos por aqui sobre o comércio exterior brasileiro, com dados atualizados até outubro, colhidos no banco de dados Alice, do Ministério do Desenvolvimento. É um assunto que, por incrível que pareça, me proporciona um enorme descanso mental, pois não preciso pensar muito. No entanto, tenho consciência de sua importância, porque eles não chegam aos brasileiros. Ninguém na mídia corporativa nem na blogosfera realiza esse trabalho, que tem consequências relevantes para a formação de um pensamento geopolítico no Brasil. Esses posts, apesar de receberem poucos comentários, são, de longe, os mais acessados através do Google, ocupando o primeiro lugar na lista de busca com a expressão "Exportações Brasileiras".

Em virtude do peso da América Latina para a economia brasileira, creio que esses números desmoralizam todas as opiniões correntes na mídia que depreciam nossos hermanos. Leio, por exemplo, com frequência, artigos jornalísticos negativos sobre a Argentina. O que os jornais não falam é que a Argentina consolidou-se como a terceira maior parceira comercial do país, atrás apenas da China e EUA, mas com enorme vantagem comparativa em relação a esses dois, porque importa produtos manufaturados do Brasil. China só compra ferro e soja em forma bruta, de maneira que o preço médio dos produtos brasileiros exportados para a China ficaram, nos últimos 12 meses (nov/out 09) em 121 dólares por tonelada. As compras estadunidenses tem um perfil um pouco melhor; o preço médio das exportações nacionais para os americanos atingiu 800 dólares a tonelada em 2008/09. Mas é a parceria com a Argentina que merece destaque, pois o preço médio dos produtos brasileiros exportados para lá atingiu 1.585 dólares a tonelada!

A Argentina é o maior parceiro do Brasil no Mercosul e na América Latina. No acumulado de 12 meses Nov/Out 2009, as exportações brasileiras para a Argentina totalizaram 11,77 bilhões de dólares, o equivalente a um terço das exportações brasileiras para toda América Latina e Caribe.

Outro país que merece muito destaque, e que vem sendo tremendamente injustiçado pela falta de informações que a mídia fornece aos brasileiros, é a Venezuela. Em virtude da rixa da mídia brasileira com Hugo Chávez, os brasileiros não foram informados de que a Venezuela tornou-se o segundo maior destino dos produtos brasileiros na América Latina e Caribe, superando México, Chile e Colômbia, e o sétimo no ranking mundial, acima de Inglaterra, Itália, França, Índia, Rússia... Em 2008/09, o Brasil exportou um total de 3,87 bilhões de dólares para a Venezuela, o que representou um aumento de 647% em 10 anos.

Entretanto, é quando olhamos para o quesito preço que constatamos o tamanho da injustiça que a Venezuela sofre entre os meios de comunicação brasileiros. A Venezuela é o país que, dentre os 40 maiores destinos das exportações brasileiras, pagou os preços mais altos por nossos produtos, significando que adquire os produtos brasileiros de altíssimo valor agregado. Em 2008/09, o preço médio das exportações brasileiras para a Venezuela alcançaram 2.165 dólares a tonelada. Compare o preço médio das exportações brasileiras para seus 10 principais destinos:

Período Out/Nov ----- 2008/09
Países ----- US$/ton
VENEZUELA ----- 2.165
ARGENTINA ----- 1.585
ESTADOS UNIDOS ----- 800
BELGICA ----- 667
HOLANDA ----- 559
ITALIA ----- 410
ALEMANHA ----- 393
FRANCA ----- 360
REINO UNIDO ----- 356
JAPAO ----- 161
CHINA ----- 121

De resto, antes de mostrarmos as tabelas, vale alguns esclarecimentos. A ilha de Santa Lucia, que aparece em terceiro lugar no ranking dos principais destinos das exportações brasileiras para América Latina e Caribe tem essa posição porque é grande compradora de petróleo.

Abaixo, as duas tabelas mencionadas. A primeira traz os 40 maiores destinos das exportações brasileiras, indexados pela coluna preço médio. Uma tabela com a lista completa dos destinos (+ 240 países), pode ser encontrada neste link.

A segunda vem com uma lista dos destinos das exportações brasileiras na América Latina, indexada pela coluna de receita. Reparem, como já disse, no peso da Argentina e no preço médio das vendas para a Venezuela.

Clique nas tabelas para ampliá-las.





10 de novembro de 2009

America do Sul e Caribe compram 68% das autopeças brasileiras

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Continuando o post anterior, fiz outra tabela interessante, constando todos os produtos brasileiros exportados nos últimos meses, organizados em capítulos (por exemplo, os diversos tipos de carnes reunidos num capítulo só, etc).

O principal produto industrializado exportado pelo Brasil é carro. Autopeças e veículos. Esse item, capítulo 87 da nomenclatura oficial internacional, gerou 8,9 bilhões de dólares em divisas cambiais para o Brasil nos últimos 12 meses encerrados em outubro, segundo o sistema Alice do Ministério do Desenvolvimento, superando, de longe, a receita obtida com a exportação de produtos básicos tradicionais, como o café, que gerou 4 bilhões.

Então preparei mais uma tabela, para mostrar quais mercados compram veículos do Brasil. Adivinhem o que deu? O bloco América Latina e Caribe foi responsável por 68% das compras de veículos e autopeças brasileiros, e o aumento dessas compras nos últimos 10 anos foi de 195%.

Os EUA compraram menos carros do Brasil do que a África. A África importou 944 milhões de dólares em autopeças brasileiras, quase encostando na União Européia, e registrando um aumento de 710% em 10 anos.

Apenas o Mercosul respondeu por 48% das exportações de autopeças brasileiras.

Esse é o terceiro-mundismo da diplomacia comercial brasileira...

O fato é que o conservadorismo brasileiro não sabe nem ganhar dinheiro. Eles sim, os conservadores, os tucanos, os donos da mídia, é que querem mamar nas tetas do Estado, vivendo da renda de juros altos pagos pelo governo.

Com todo esse espetacular mercado no mundo inteiro, eles (os colunistas econômicos da grande midia e seus macaquinhos) é que se apegam num direitismo cafona, passadista, sem enxergar a grandeza do planeta, com seus quase duzentos países e as possibilidades que se oferecem, em todas as partes, para as exportações nacionais.







Calor e números

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Hoje estou sem muito assunto. Quer dizer, tem uma coluna histérica do Jabor, tecendo loas a Fernando Henrique, ainda na rabeira daquele bando de abrobrinhas ininteligíveis que o ex-presidente lançou ao mar  semana passada. O tal subperonismo pegou mesmo. Putz, que coisa ridícula! Subperonismo? Não dá nem para acreditar. De onde esses caras tiram isso?

Recuso-me a responder às trolhices em linguagem pirotécnica do cineasta falido. A minha saleta ficou cheia de penas e deu trabalho demais para limpá-las. Além disso, está calor demais aqui no Rio para eu botar a mão nessa xaropada quente. Prefiro, no momento, ater-me a coisas mais concretas. Jabor chamou, recentemente, o Mercosul de porcaria. Pois bem, eu elaborei alguns gráficos, com dados colhidos no Sistema Alice, banco de dados online do Ministério do Desenvolvimento.

Eles são auto-explicativos. Dou somente algumas dicas. O bloco "América Latina e Caribe", atualmente, é o principal destino das exportações brasileiras, superando União Européia, EUA e China. Outra: o Mercosul é o bloco que, de longe, paga os melhores preços pelo produto brasileiro, indicando que importa produtos com maior valor agregado. Compare os preços médios entre os destinos e veja se há sentido chamar o Mercosul de porcaria...

Esses caras querem falar de geopolítica econômica e não se informam minimamente sobre alguns dados básicos de economia, e aí cometem verdadeiras atrocidades. Mas não importa, né? Pode-se falar qualquer merda hoje em dia, desde que seja pela Globo... O Mercosul tem sido o grande mercado de nossos produtos industrializados. Não fosse o Mercosul e estaríamos limitados à exportação de artigos básicos, como minério de ferro a 50 dólares a tonelada para China.

As exportações brasileiras para América do Sul e Caribe somaram 35,76 bilhões de dólares nos últimos 12 meses (nov/out 2009), contra 16,70 bilhões para os EUA. O preço médio das exportações brasileiras para a AL e Caribe ficou em 1.003 dólares a tonelada, contra 131 dólares para a China, 802 dólares para os EUA e 453 dólares para a União Européia.

Para o Mercosul, o preço médio das exportações brasileiras atingiu 1.425 dólares a tonelada.

Confira a tabela e os gráficos abaixo. Clique nelas para ampliar.









9 de novembro de 2009

Exportações brasileiras para Am.Latina registram superávit de quase 10 bilhões de dólares

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A gente vai direto à fonte. O Sistema Alice do Ministério do Desenvolvimento atualiza todo mês, rigorosamente, os dados referentes ao comércio exterior brasileiro. O blog, talvez por nostalgia dos tempos em que acumulava tendinites formatando tabelas para a turma do café, faz um acompanhamento desses números. Eu tenho algumas más intenções geopolíticas, no entanto.

Confira a tabela abaixo. Veja que o saldo comercial entre Brasil e Estados Unidos ficou negativo em 3,8 bilhões de dólares no acumulado dos 10 primeiros meses do ano (jan/out 2009). Já no caso da América Latina e Caribe, o saldo das exportações brasileiras atingiu 9,7 bilhões de dólares. Saldo é a mesma coisa que superávit, no vocabulário do comércio exterior: significa a diferença entre exportações e importações.

Os dados revelam a importância estratégica da América Latina para a geração de divisas cambiais para o país. Apenas com a Venezuela, tão maltratada em nossas plagas por ser dirigida pelo novo lex luthor da mídia, Hugo Chávez, o Brasil registrou um superávit de 2,50 bilhões de dólares, sempre usando o período jan/out 2009.

No total, o Brasil exportou 125,88 bilhões de dólares em jan/out deste ano, e importou outros 103,29 bilhoes, perfazendo um saldo de 22,58 bilhões.




28 de outubro de 2009

A importância dos cucarachas

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Clique na imagem para ampliar. Eu gosto muito dessa tabela, porque ela é um retrato do novo mundo. Comparei as exportações brasileiras de 2008/09 com as de 10 anos atrás, 1998/99, para o período de 12 meses Outubro/Setembro. Repare que o bloco Países Desenvolvidos era o destino de 61% das exportações nacionais em 1998/99, contra uma participação de 38% dos Países em Desenvolvimento. Dez anos depois, a situação se inverte, e os Países em Desenvolvimento passam a responder por 54% de nossa balança comercial, contra um percentual de 44% para os Países Desenvolvidos.

Outro número que me impressiona muito é o crescimento da participação da América Latina e Caribe entre os destinos de nossas exportações, superando dois gigantes: União Européia e EUA. Não supera a Ásia, mas repare num detalhe: as exportações brasileiras para a Ásia registram preço médio de 172 dólares por tonelada, contra o valor de 1.027 dólares por tonelada nas vendas para América Latina e Caribe.

Os preços das exportações brasileiras para União Européia e EUA, por sua vez, também são relativamente baixos, de 452 dólares e 823 dólares por tonelada, respectivamente.

Ou seja, nosso melhor mercado, de longe, é a América Latina, que adquire produtos brasileiros de maior valor agregado.